O SL Benfica está atualmente a nove pontos da liderança do campeonato. Falhou a conquista da Taça da Liga e o acesso à fase de grupos da Champions League, restando a Taça de Portugal e a Liga Europa. A época 2020/2021 iniciou-se com o regresso de Jorge Jesus, com contratações sonantes e a promessa de que o SL Benfica iria arrasar.

Confesso que o principal motivo que me levava a defender o regresso de Jorge Jesus ao comando técnico do SL Benfica era a sua personalidade exigente e ambiciosa, que exigia o máximo aos jogadores quer nos treinos, como nos jogos. Com isso, eu acreditava que deixaria de ver uma equipa mansa e amorfa em campo e voltaria a ver uma equipa a jogar com raça, querer e ambição.

Agora, passados seis meses após o regresso de Jorge Jesus, para além dos objetivos já falhados, vimos que estes problemas ainda persistem. A equipa continua a demonstrar uma gritante falta de atitude competitiva, joga sem garra, sem compromisso e mostra um total conformismo com a derrota.

Esta falta de atitude competitiva não se deve a questões técnico-tácticas mas sim a uma questão psicológica. E este défice mental e competitivo pode ter influência na forma de jogar na equipa, porque, afinal de contas, para uma ideia de jogo resultar dentro de campo é preciso que os jogadores acreditem nessa ideia e se sintam confortáveis dentro da mesma. No entanto, esse défice mental e competitivo leva a muita falta de concentração, muitos passes falhados, muitas perdas de bola, muitos duelos e disputas aéreas perdidas, pouca agressividade e pouco compromisso coletivo, sobretudo no processo defensivo.

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Após a conquista do tetracampeonato, há quatro anos, que a equipa tem vindo a revelar estes problemas. Desde então, já entraram e saíram vários jogadores, já se mudou de treinador três vezes e os problemas persistem. Sendo assim, quem será o principal responsável pela apatia que a equipa tem demonstrado em campo nos últimos anos?

A derrota no derby fez soar os alarmes na Luz
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

A cada mau resultado do SL Benfica, multiplicam-se os posts nas redes sociais a disparar para todos os lados. São os jogadores que não se empenham e que não estão comprometidos com o clube, é o treinador que insiste nos jogadores e na tática errada, e que não sabe tirar proveito dos recursos que tem à disposição.

Na minha opinião, o défice competitivo que a equipa tem mostrado no “pós-Tetra” é o espelho da falta de ambição e de exigência que existe na estrutura do clube. Muita gente até tem vindo a dizer que não é o presidente que treina a equipa, não é o presidente que falha passes e um remate na cara da baliza, não é o presidente que perde a bola numa zona perigosa do terreno de jogo, etc.

Contudo, aquilo que vemos dentro de campo é uma equipa que não se sente motivada nem valorizada, fruto da política mercantilista implementada por uma Direção que começa a esfregar as mãos ao ver o dinheiro que pode fazer com a venda de alguns jogadores.

Para que entendam o cerne da questão, devo dizer que a dinâmica de um clube de futebol é idêntica à de qualquer empresa: as capacidades de liderança, de gestão, e de rentabilização dos recursos humanos irá refletir-se na produtividade. Produtividade essa, que, no caso de uma equipa de futebol, se traduz no rendimento em campo. Se no trabalho uma pessoa tem um patrão incompetente, essa pessoa, quer queira, quer não, acaba por seguir a incompetência dele.

Isto demonstra que o problema do SL Benfica é mais profundo do que aquilo que aparenta dentro de campo. Um problema que irá persistir enquanto rolam cabeças no clube até que se corte o mal pela raiz.

 

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