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Rui Vitória tem deixado os adeptos encarnados algo apreensivos face ao seu discurso após resultados menos positivos da equipa. Olhando também para as opções tomadas ultimamente, essa apreensão não se prevê que melhore. Falo nomeadamente do caso de Samaris – não da sua qualidade – mas sim da sua utilização no decorrer das partidas.

Aquando da colocação de Krovinovic a titular a intenção foi reforçar a linha média em termos defensivos, mas, sobretudo, ter mais jogadores para encurtar o espaço no meio, criar linhas de passe mais próximas e transportar a bola com maior critério até aos jogadores da frente. Desta forma evita a lateralização do jogo, que consistia na esperança de que um dos dois homens da frente estivesse no sítio certo para fazer golo.

Visto por este parâmetro, e uma que a equipa necessitava de uma mudança no paradigma tático, o treinador foi perspicaz e percebeu a necessidade de ter mais um médio que transportasse o jogo – esta época Pizzi não tem sido capaz de o fazer com a qualidade a que habituou os adeptos encarnados.

A questão ganha maior peso quando em jogos em que o resultado está razoavelmente confortável – lembro-me desde já deste do jogo do passado fim de semana contra o modesto Tondela – para a equipa Rui Vitória decide substituir Fejsa por Samaris. Certo é que Samaris, em relação ao sérvio, é um trinco de características vincadamente mais ofensivas, mas a verdade é que esta substituição nada acrescenta ao jogo e especialmente à equipa.

Caso a intenção seja segurar um resultado ou ter mais um jogador a defender entende-se a colocação do jogador, mas abdicando de um dos jogadores de ataque e colocando o grego a atuar junto a Fejsa. Então nessa situação Samaris tem a tarefa de auxiliar o sérvio. No entanto, e como se verifica nos jogos do Benfica esta situação não se comprova.

Vamos em dezembro, o quarto de nove meses de competição, e a equipa já foi eliminada das provas europeias e da Taça de Portugal. Não é aceitável que a colocação de Samaris seja para poupar Fejsa ao desgaste físico. Caros leitores, adeptos, ou fanáticos apenas, – a distinção foi propositada – os jogadores ganham hoje quantias absurdas de dinheiro, o cansaço deve ser parte dos seus dias. No mínimo, significa que diariamente se esforçam e trabalham para alcançar os objetivos a que se propõem no inicio de cada época.

Samaris perdeu espaço nos últimos anos Fonte: SL Benfica
Samaris perdeu espaço nos últimos anos
Fonte: SL Benfica

Também é verdade que Fejsa é um jogador que se lesiona com alguma regularidade, contudo se a questão é evitar lesões então algo está muito mal com o departamento médico e com o departamento físico da equipa. Relembre-se que só nestes quatro meses de temporada existe já um vasto leque de jogadores que se lesionaram.

Caracterizando-se por ser um homem honesto e de palavra – o que, de todo, não corroboro – fico com a ideia de que Rui Vitória está demasiado cauteloso face às situações que lhe aparecem, este é um desses casos. Talvez seja essa a razão pela qual desde que chegou ao clube, e no primeiro ano em que a equipa não joga um futebol altamente eficaz, o técnico tenha dificuldade em reagir com a força necessária para que a equipa ganhe novo rumo face ao que ainda falta da temporada e ambicione a conquista de mais um campeonato.

Foto de Capa: SL Benfica

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