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Num jogo que era tido como o primeiro de cinco grandes obstáculos para a equipa do Benfica dentro de poucas semanas – a este jogo com a Académica somam-se jogos com Olympiakos, Sporting, Sporting Braga e Anderlecht – era fundamental vencer esta partida em Coimbra para pressionar os rivais e a vitória não escapou ao Benfica. Dois anos depois o clube da Luz voltou a vencer em casa da Académica e o resultado de 0-3 não deixa margem para dúvidas. Pelo menos no que ao marcador diz respeito.

Com um onze praticamente idêntico ao que defrontou o Nacional, na Luz, na jornada passada, (entraram Cortez e Lima para os lugares de Siqueira e Rodrigo) a equipa encarnada tentou sempre pautar o ritmo de jogo e impedir as investidas ofensivas da turma briosa. Nos primeiros trinta minutos viu-se um Benfica demasiado lento e previsível, sendo até a Académica a chegar mais vezes à área encarnada, apesar desse ímpeto não se traduzir em situações de real perigo para a baliza de Artur. Depois, e sem que nada o fizesse prever, chegaram os golos do Benfica, um atrás do outro. Primeiro foi o inevitável Óscar Cardozo, com um remate fora da área, a inaugurar o marcador, seguindo-se o segundo golo, mais uma vez com o paraguaio na jogada, apontado pelo lateral Marcelo na própria baliza, num lance de claro azar para o jogador brasileiro. Esta bagagem de dois golos foi decisiva para o comportamento do Benfica no resto do jogo e demasiado cruel para a formação conimbricense, sobretudo porque se aproximava o intervalo.

Cardozo e Ivan Cavaleiro Fonte: Site Oficial do Sport Lisboa e Benfica
Cardozo e Ivan Cavaleiro
Fonte: Site Oficial do Sport Lisboa e Benfica

A segunda parte foi então claramente dominada pela turma encarnada, que geriu a vantagem congelando a bola em seu poder e tentando, embora de forma pouco clarividente, chegar ao terceiro golo. A dupla Mátic-Enzo foi sempre carregando a equipa e eram estes dois homens que comandavam todas as operações da equipa. As acelerações do argentino, sobretudo, traduziram-se nos lances mais perigosos do Benfica em todo o jogo, pois desequilibravam sempre a defensiva adversária e libertavam os jogadores dos corredores laterais. O problema é que tanto Gaitán, como Iván Cavaleiro não estavam propriamente inspirados e nunca conseguiram servir da melhor forma os avançados Lima e Cardozo. De quando em vez o brasileiro recuava para até ao meio campo para entrar em jogo, mas também ele não foi particularmente feliz no capítulo do passe e revelou muita falta de confiança para rematar ou criar jogadas individuais. Nem ele, nem ninguém. Salve-se Enzo Pérez.

Como disse, o jogo ia-se desenrolado num ritmo pausado e enfadonho, até que a entrada de Markovic veio agitar um pouco (não muito) o encontro. As corridas desenfreadas e as constantes mudanças de direcção do jovem sérvio entusiasmaram o seus colegas e os (pouquíssimos) sete mil adeptos que estavam nas bancadas. O golo de belo efeito que apontou é exemplo da irreverência e qualidade deste jovem prodígio. Após excelente passe de Rúben Amorim- completou 200 jogos na Liga Portuguesa- Markovic fez um belíssimo chapéu ao guardião da Briosa e fixou o resultado final em 0-3, numa partida em que a Académica não incomodou a baliza de Artur, limitando-se a jogar fechada no seu meio-campo e tentado, através de jogadas de individuais de Djavan e Cleyton (bons jogadores) chegar à área encarnada.

Notas finais : Benfica mais uma vez a jogar quanto baste para chegar à vitória; Clara falta de confiança na maioria dos jogadores, o que se traduz num futebol muito, mas muito pobre praticado pela equipa, nesta fase da época; Enzo Pérez é o elemento mais valioso no plantel, sendo o único que se exibe de acordo com as suas faculdades técnico-tácticas; Cardozo volta a ser decisivo no triunfo encarnado e já leva seis golos na liga, apesar de ter entrado de forma tardia nas contas de Jesus; Maxi e Cortez continuam a revelar debilidades que poderão ser altamente prejudiciais para a equipa em jogos de maior exigência.

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