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Ainda na ressaca dos festejos pela passagem às meias-finais da Liga Europa – que podiam e deviam ter sido maiores, não fosse a infelicidade que encontrou Sílvio – o Benfica conheceu hoje de manhã aquele que é o último obstáculo antes da final de Turim. Ou, por outro lado, recebeu a notícia de que vai poder experimentar o palco da final antes mesmo de esta acontecer – uma espécie de adaptação ao terreno. Apesar de me ter sempre mostrado cauteloso em relação ao campeonato, olho para as competições europeias – neste caso, a Liga Europa – de outra forma, especialmente a partir das fases a eliminar. A responsabilidade é outra, a prioridade é outra, a disposição é outra, a atitude é outra. Se o Benfica eventualmente cair aos pés da Juventus, a campanha encarnada na Liga Europa não vai nunca ser má. Mas analisemos o que nos “calhou na rifa”.

A Juventus não é menos do que um gigante europeu. Com um “currículo” que inclui Taças dos Campeões Europeus, Taças UEFA, Supertaças Europeias, uma Taça das Taças e até Taças Intercontinentais, dúvidas não restam quanto à potência futebolística que é a equipa de Turim. Em Itália, com oito pontos a mais do que o segundo classificado, o AS Roma, preparam-se para ser campeões e reforçar a condição de equipa com mais títulos ganhos na Série A. Mas as “armas” que fazem com que a Juventus seja a equipa que tem sido apontada como favorita para ganhar a Liga Europa não ficam por aqui. Basta olharmos para o plantel e vermos a quantidade de jogadores de luxo que compõe a equipa das riscas pretas e brancas – Buffon, Bonucci, Chiellini, Pirlo, Tévez, Llorente – e a qualidade de jogadores como Asamoah ou Vidal para percebermos que o colectivo italiano não será um adversário fácil. Esta é uma Juventus diferente daquela que em 2006 desceu à Série B como consequência do escândalo de futebol que assaltou a Liga Italiana nesse ano. Apesar de manter o “código” italiano, é uma equipa renovada e está de volta a uma fase de excelência desde há dois anos para cá.

A última vez que Benfica e Juventus se defrontaram para a Europa aconteceu na Taça UEFA de 1992/1993. O Benfica ganhou o primeiro jogo (2-1) e perdeu o segundo (3-0). A Juventus viria a ganhar a Taça UEFA nesse ano
A última vez que Benfica e Juventus se defrontaram para a Europa foi na Taça UEFA de 92/93. O Benfica ganhou o primeiro jogo (2-1) e perdeu o segundo (3-0). A Juventus viria a vencer a competição nesse ano

Quanto à meia-final, existem vantagens de parte a parte. Por um lado, se era preferível “antecipar” o jogo, uma vez que seria muito difícil jogar contra a Juventus em casa na final e ter a oportunidade de disputar metade da eliminatória na Luz, por outro lado ter de fazer as contas finais em Itália, na segunda-mão, não será, de todo, “pêra doce”. Para além disso, a Juventus é uma equipa super motivada para jogar a final em casa, como é natural. Por outro lado, caso o Benfica consiga não sofrer golos em casa, ou eventualmente sair de Lisboa com uma vantagem e souber geri-la em Itália, decerto que a final contra Sevilha ou Valência será mais apetecível do que se o sorteio assim não o tivesse ditado. Para todos os efeitos, acredito que a maior batalha que vai existir será no meio-campo, e aqui a Juventus pode ter vantagem caso Jesus não desenhe uma estratégia específica. É que para além de um “miolo” de qualidade e competência assinaláveis com Pirlo, Pogba e Vidal, as surpresas podem aparecer também das alas, através de Asamoah e Lichtsteiner. Por outro lado, a Juventus não é equipa de golear, de ter um jogo ofensivo mais estendido ou que jogue recorrentemente com espaços largos, o que vai exigir do Benfica uma grande concentração e capacidade de esperar pela oportunidade. Ainda assim, o poderio ofensivo do Benfica ou a pressão alta com que encara os jogos pode também inibir a progressão da Juventus. Em jeito de prognóstico, acredito que esta será uma eliminatória com poucos golos e provavelmente com um empate numa das mãos. No entanto, tudo dependerá da forma como as equipas se encaixarem a defender e a atacar e da margem que for dada para desequilíbrios. Ambas as formações têm uma boa circulação e capacidade de manutenção de bola, o que pode acabar por ser fulcral na hora de arranjar caminho para o golo. Se a batalha do meio-campo se anular, Markovic, Salvio ou Gaitán podem ser cruciais para conseguir fazer o Benfica chegar ao último terço do campo.

Seja como for, em teoria, o campeão é o mais forte e aquele que não caiu aos pés de nenhuma equipa ao longo de toda a competição. Nessa medida, à semelhança de PAOK, Tottenham e AZ Alkmaar, também a Juventus vai ter de ficar pelo caminho se o Benfica quiser prosseguir com o sonho europeu.

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