Um Benfica sem futebol para tanto dinheiro da “champions”

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Mais que a exibição deprimente, foi mesmo o importante resultado alcançado. Apesar de se tratar do primeiro jogo oficial da nova época, a equipa tinha obrigação de entregar outro espetáculo aos sócios. Desde o primeiro ao último minuto de jogo, foram poucos os lances que fizeram vibrar os mais de cinquenta e sete mil adeptos que se encontravam nas bancadas do estádio da luz.

Em reflexão ao que Rui Vitoria disse na pré-época, referindo que o Benfica tinha de ser uma equipa dominadora, de posse e de espetáculo, de nada serve ter o domínio do jogo, se depois não soubermos dar um contexto vencedor aos atletas, rumo ao sucesso.

A dependência individual da equipa para criar desequilíbrios adversários continua a ser alarmante. Numa altura em que já se devia notar alguma diferença nos comportamentos dos jogadores, não se compreende como os mesmos erros continuam a ser cometidos.

Foram muitos os pontos negativos em relação ao jogo de hoje, apesar da vitória. Começando mesmo pelo treinador, que não soube mais uma vez, entregar à equipa uma ideia de jogo consistente e criativa.

Não se compreende o porquê da escolha de Franco Cervi e Toto Salvio para as extremidades, quando se tem Facundo Ferreyra no centro do ataque. É fácil perceber o porquê de ter optado por um meio campo mais reforçado, com três unidades. Ljubomir Fesja, Pizzi e Gedson Fernandes. Quando se tem jogadores de frequências altas como os dois argentinos, torna-se apetecível para a equipa que não tem a bola, explorar a sua perda. Sálvio e Cervi não são capazes de entender os momentos em que têm de progredir, recuar ou parar, libertando sempre espaços nas costas, deixando a equipa em desvantagem numérica.

A verticalidade que ambos podem dar à equipa, pouco ou nada fez sentido num jogo como estes. Se Rui Vitoria estava à espera de explorar as fragilidades da equipa turca em transições ofensivas, foi completamente barrado com a proposta de jogo dos turcos. Um Fenerbahçe com um bloco muito baixo, cauteloso, à espera do erro da equipa encarnada e sempre muito preocupado em não deixar os jogadores do Benfica ganharem a superioridade numérica em momentos da perda da bola.

Ferreyra sempre com muita dificuldade em ganhar os duelos a Martin Skrtel
Fonte: SL Benfica

Não se compreende como Andrija Zivkovic ficou de fora depois da excelente forma que demonstrou na época passada a jogar como medio interior. Rui Vitoria podia não ter optado por mete-lo em detrimento de Gedson ou Pizzi, mas fazia muito mais sentido coloca-lo no lado direito como aconteceu já na segunda parte com a saída de Sálvio. Tinha o Benfica sido mais capaz de ter critério em posse e na decisão do passe, teria errado muito menos.

Só para não falar que o sérvio por ter conhecimentos espaciais daquela zona do campo, seria capaz de dar mais profundidade ao jogo, dando a possibilidade de receber a bola e criar desequilíbrios em zona frontal á baliza. Assim libertava Ferreyra de marcação serrada, podendo então receber a bola em condições melhores e de possível remate á baliza. Algo que não aconteceu, fazendo com que Ferreyra jogasse sempre de costas para a baliza, tarefa que lhe complicou e muito o seu jogo.

Apesar de Sálvio e Cervi serem dos jogadores do plantel que mais desequilíbrio cria aos defesas contrários, a verdade é que são mais as vezes em que perdem a bola do que as vezes que ganham o lance num um contra um. Para não referir nos picos de intensidade que praticam ao longo do jogo sem sentido algum.

Rafa Silva é um jogador com a mesma capacidade de desequilíbrio que os dois argentinos, mas capaz de oferecer ainda mais ao jogo. Um jogador com a qualidade de aparecer em zonas interiores, receber a bola e virar rápido de frente para o jogo. Tinha feito muito mais sentido, ter introduzido Rafa, no lugar de Cervi, dando a possibilidade á equipa de ter um jogador rápido e móvel no ataque, sabendo dar largura e profundidade ao mesmo tempo, mas com uma mentalidade e sabedoria do jogo muito maior que o extremo argentino.

João Reis
João Reishttp://www.bolanarede.pt
Desde de 1993 que a cor que lhe corre nas veias é vermelha e branca! Quando era mais novo, chegou a jogar no clube rival de Lisboa, mas nunca escondeu que o seu grande amor era o Glorioso. Tem uma enorme admiração pelo Liverpool FC. Gostava de um dia ir a Anfield Road e cantar bem alto a canção que imortalizou os Gerry & The Pacemakers: "You'll Never Walk Alone!" A dar os primeiros passos como treinador de futebol, o seu maior sonho é treinar o clube de coração e alma, o Sport Lisboa e Benfica.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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