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Facundo Ferreyra passou completamente ao lado durante toda a partida em que esteve campo. Foram poucas as intervenções que teve em jogo, e quando entreviu, já a bola ia em péssimas condições para fazer seja o que fosse com ela. Para este estilo de jogo de bola longa, jogar sempre de costas para a baliza e ganhar todos os duelos individuais no corpo a corpo, não faz sentido algum ter Ferreyra e não Nicolás Castillo. O avançado chileno, oferece muito mais robustez e agressividade ao ataque, capaz de ganhar qualquer duelo, tanto no ar como pelo chão. Sabendo também da frequência como Sálvio e Cervi procuram a linha de fundo para cruzar, Rui Vitoria tinha que ter tido a lucidez para introduzir de início o avançado chileno.

Muito se tem falado sobre a situação em torno de Jonas. Seria expectável que por esta altura, tivéssemos visto Jonas marcar um ou dois golos num jogo como estes. Mas certo que as coisas por si só não bastassem. Pois a equipa iria ter o mesmo tipo de “ordens” para cumprir e ideias ao “dispor”.

Via-se a olhos nus, a distância com que Ferreyra estava da bola e dos companheiros, sem quaisquer hipóteses de intervir nos lances. Com Pizzi e Gedson sempre a descair para uma das alas para combinar com os laterais e os extremos, Ferreyra era obrigado a subir no terreno para arrastar a linha adversaria e estar sempre pronto na área, á espera do cruzamento. Não houve ninguém capaz de procurar os espaços entre linhas. Mesmo apesar de os turcos defenderem sempre com muita gente no meio campo, o jogo do Benfica canalizava-se sempre para uma das laterais.

Houve preocupação em demasia do treinador em não deixar Pizzi e Gedson subirem muito no terreno, para não criarem desequilíbrios na linha defensiva da equipa. Foi raro ver os dois a envolverem-se em simultâneo no ataque. Era sempre em diagonais para o meio, que Cervi ou Sálvio, permitiam a Pizzi e Gedson subirem á vontade no terreno e introduzirem-se dentro do bloco adversário.

A taxa de sucesso no transporte da bola para o ataque com qualidade e critério na decisão, começa a ser algo estrondosamente inquietante. Pizzi está longe do nível que já demonstrou em anos anteriores, e o seu decréscimo na produtividade da equipa começa a ser demasiado evidente.

Rui Vitoria não foi capaz de entregar à equipa aquilo que ela precisava para o jogo
Fonte: SL Benfica

Gedson sempre muito empolgante e lutador em cada lance que disputa, mostrou que tem qualidade para evoluir e lutar por um lugar no plantel. Mas quando a dificuldade aumenta, ainda denota algumas fragilidades na ocupação dos espaços e nos timings de receção e orientação ao colega de equipa.

Com Filip Krovinovic ainda a recuperar de uma longa lesão, começa-se a perceber a necessidade do clube em investir no mercado, á procura de mais um jogador para o meio campo, com vasta experiência e qualidade para acrescentar ao plantel encarnado.

Numa eliminatória como esta, é importante não sofrer golos. E nisso o Benfica esteve bem. Controlou sempre a profundidade, antecipando-se sempre que os turcos procuravam espaços interiores para rapidamente soltarem na lateral. As transições defensivas continuam a ser um dos pontos fortes deste Benfica, que ontem, mais uma vez mostrou ser rápido na antecipação ao jogador alvo e na recuperação da bola.

A linha dos três “tratores” (Ruben Dias, Jardel e Fesja), mostraram mais uma vez que são uns autênticos “varredores” de erros sucessivos por parte dos colegas de equipa. Rápidos o suficiente para chegar e antecipar em cada lance, optando sempre pela melhor solução no desarme.

Nota positiva para Ruben Dias que a cada dia que passa mostra que é atualmente o melhor defesa central português.

As diferenças que se notam do lado esquerdo para o lado direito da defesa são aterradoras. É demasiado explicito a superioridade de Alex Grimaldo perante a inferioridade de André Almeida. O Benfica continua a depender de um jogador que é “tudo”, mas ao mesmo tempo acaba por não ser “nada” em específico. E isso retira muito do que são as pretensões para a equipa e a sua qualidade em campo como um todo.

O Fenerbahçe quase não criou perigo algum junto da baliza encarnada. O jovem Alemão Odisseas Vlachodimos teve uma noite aparentemente tranquila. Nos lances que interveio, mostrou o porquê de ser aposta de Rui Vitoria para o futuro.

É uma autêntica incógnita saber se a equipa turca, pode ou não fazer mais do que fez ontem no jogo contra o Benfica. É certo que está em desvantagem e que tem de correr atrás do prejuízo, mas foi muito perentória. Demais até. Mas o próximo jogo agora é na Turquia, e lá as equipas turcas são sempre muito difíceis de bater.

Se o Benfica espera alcançar os play-offs de acesso á liga milionária, tem de pensar primeiro em superar-se a si mesmo, trabalhar mais, para que na próxima terça-feira, dia 14 de agosto, possa levar de vencida a eliminatória e estar um passo mais perto dos milhões da “Champions”.

Foto de Capa: SL Benfica

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Desde de 1993 que a cor que lhe corre nas veias é vermelha e branca! Quando era mais novo, chegou a jogar no clube rival de Lisboa, mas nunca escondeu que o seu grande amor era o Glorioso. Tem uma enorme admiração pelo Liverpool FC. Gostava de um dia ir a Anfield Road e cantar bem alto a canção que imortalizou os Gerry & The Pacemakers: "You'll Never Walk Alone!" A dar os primeiros passos como treinador de futebol, o seu maior sonho é treinar o clube de coração e alma, o Sport Lisboa e Benfica.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.