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Não creio que o Benfica esteja dez anos à frente da concorrência – como Luís Filipe Vieira disse, algo pretensiosamente, na sua recente entrevista –, ou sequer a cinco. O Benfica está, de facto, na dianteira naquilo que se entende, com elevado grau de subjectividade, como o domínio do futebol português; na prática, essa posição garante-lhe, simplesmente, maiores probabilidades teóricas na conquista do campeonato e de outros títulos internos. E como se reflectem essas hipóteses? Essencialmente, na qualidade da sua equipa e do seu plantel; na do seu treinador; tal como na qualidade global das condições de trabalho que o clube garante aos seus profissionais. Quanto a isso, Luís Filipe Vieira tem, sem dúvida, mérito directo. Deste ponto de vista, é verdade, o Benfica está, actualmente, em vantagem sobre FC Porto e Sporting.

Não creio, repito, no entanto, que o Benfica esteja dez anos à frente de quem quer que seja. O que sei, para já, decorridas que estão 24 jornadas, é que a luta pelo título está reduzida a dois candidatos (Benfica e FC Porto), e que a diferença entre ambos é mínima, de apenas um ponto. Que o Benfica recebe o FC Porto; mas que ainda visita o José de Alvalade, etapa que o FC Porto já cumpriu, e com significativos danos. Preferia, portanto, e resumindo esta introdução, que o Benfica estivesse apenas um ano à frente do FC Porto – seja lá o que isso for –, mas que, pelo contrário, estivesse confortavelmente com dez pontos de vantagem na tabela classificativa sobre o 2.º classificado e seu perseguidor. Aí está, aquilo que os jornalistas não perguntaram a Luís Filipe Vieira: “porquê, então, apenas um ponto na realidade? Onde está o sinal prático dessa vantagem sobre a concorrência?”.

É isso que me importa, neste momento, como benfiquista. Muito mais que os discursos, que a teoria, interessa-me, sobretudo, o real, a prática. Sejamos sinceros e justos: o nível exibicional da equipa do Benfica está, numa análise rápida e superficial, muito aquém daquilo que seria, por esta altura, expectável. Não me esqueço da última grande exibição – já um quanto longínqua. Foi, aliás, um duplo compromisso, em Guimarães, primeiro para o campeonato e logo depois para a taça, que nos valeram duas vitórias concludentes. A partir daí, por uma ou outra razão, perderam-se pontos, cinco para o campeonato, jogos e competições, como a Taça da Liga, e os bons resultados, que os continuou a haver, pois com certeza, advieram, quase sem excepção, de muito suor, esforço e trabalho; mas já sem a dose de talento que, tempos atrás, marcava verdadeiramente a diferença para o adversário. Neste particular, esta época não atingiu os níveis das anteriores.

Ainda há um longo caminho até ao sucesso Fonte: SL Benfica
Ainda há um longo caminho até ao sucesso
Fonte: SL Benfica

Porquê? Haverá, certamente, razões para tal. As lesões; as arbitragens (nos desaires com Boavista, V. Setúbal e Moreirense existiram erros grosseiros de arbitragem com influência directa no resultado, sempre com prejuízo para o Benfica); ou alguma quebra física e anímica precoce? Não tenho explicações, para já, e, muito sinceramente, nesta fase da época, como adepto, dispenso-as completamente. Gostaria, isso sim, de nos ver regressar rapidamente a esse passado recente onde as vitórias se aliavam, natural e harmoniosamente, com bom futebol – colectivo e eficaz; com menor pendor individual.

Para tal, penso serem fundamentais – muito mais do que as entrevistas presidenciais ou outras – as recuperações físicas definitivas e totais de jogadores como Fejsa, Grimaldo e Jonas; mas também o crescimento competitivo de outros, aptos fisicamente, mas, até ao momento, ainda misteriosamente reféns das exigências que se vivem no clube que agora representam – Carrillo e Rafa são, ou não, contratações falhadas? Têm somente três meses para responder.

Com tudo isto, quero afirmar-me genuinamente preocupado com aquilo que, segundo me parece – e de acordo com a experiência que o passado me trouxe –, se tem vindo a desenhar, desde há dois meses. Os benfiquistas não tenham ilusões: sem melhoras dificilmente cumpriremos os objectivos. Ou seja, caso queira revalidar o título e conquistar, pela primeira vez na sua história, o tetracampeonato, o Benfica terá de se isentar de cometer quaisquer erros. Não será fácil – pois uma coisa é ter o Sporting a um ponto; outra, muito diferente, é ter o FC Porto (não perceber isto, é o primeiro passo rumo à derrota).

Melhorar é, portanto, mais do que urgente, fundamental. Nesta recta final, os níveis de concentração e eficiência terão, necessariamente, de aumentar. De se fazer uma gestão criteriosa e inteligente do físico e da mente de todo o grupo. E de estar atento a tudo o resto que poderá surgir.

Foto de capa: SL Benfica

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