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Universo Paralelo | E se Rúben Amorim tivesse escolhido o SL Benfica?

Tiago Serrano · 4 min

Rúben Amorim epidemia
Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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Teríamos um panorama diferente caso a escolha tivesse sido esta? 

Estávamos em Março de 2020, numa altura em que a equipa do SL Benfica orientada por Bruno Lage enfrentava uma quebra de resultados muito difícil de explicar. Até Fevereiro, os encarnados viriam a realizar um campeonato praticamente imaculado, vencendo 18 dos 19 jogos já realizados.

No entanto, a partir do Clássico realizado no Estádio do Dragão, a equipa encarnada viria a entrar numa letargia que tinha tanto de repentina como de inexplicável. Depois de perder para os adversários diretos por 3-2, segue-se uma derrota caseira contra um Sporting Clube de Braga que vinha a fazer furor sob o comando técnico de um treinador sem curso: um tal de Rúben Amorim.

Por outro lado, Bruno Lage parecia ser uma sombra daquilo que mostrara ser. Depois de ter comandado a equipa a uma recuperação extraordinária na época anterior, nesta altura, parecia estar a desaparecer tão depressa como apareceu.

Para além da quebra de rendimento dentro das quatro linhas, Bruno Lage, que então se caracterizara pela sua postura e pelo seu estilo comunicativo positivo, mostrava-se cada vez mais perdido e apático nas suas intervenções. Mais do que ninguém, ele sentia a queda livre em que a equipa tinha entrado e parecia não encontrar uma solução para dar a volta por cima a esta situação.

Após uma primeira volta impressionante, o SL Benfica de Bruno Lage caiu a pique
Fonte: Bola na Rede

Foi então que, após a eliminação da Liga Europa diante do Shakhtar Donetsk treinado por Luís Castro, Bruno Lage viria a anunciar a sua demissão do cargo de treinador principal do SL Benfica.

No dia 28 de Fevereiro de 2020, precisamente no dia do 116º aniversário do Sport Lisboa e Benfica, Bruno Lage renunciou ao cargo ao qual tinha sido promovido um ano antes, justificando a decisão com o facto de não se sentir mais em condições de treinar e liderar a equipa.

De nada serviu a insistência de Luís Filipe Vieira, Rui Costa e Tiago Pinto. Bruno Lage tinha a decisão tomada e para o bem da equipa e do SL Benfica, quis cortar o mal pela raíz antes que situação atingisse maiores proporções.

Isto deixou a estrutura do SL Benfica numa situação delicada. Com o clube a atravessar uma crise de resultados , tendo um campeonato e uma Taça de Portugal para conquistar, teriam de escolher um novo treinador a cerca de dois meses e meio para o final da época.

Era público que Luís Filipe Vieira já se tinham reaproximado e retomado as relações após a mudança do técnico para o Sporting CP em 2015, sendo que o presidente do SL Benfica já tinha tentado o seu regresso após a saída de Rui Vitória em Janeiro de 2019.

E tendo em conta que a época desportiva no Brasil ainda tinha acabado de começar, Luís Filipe Vieira via em Jorge Jesus a opção mais plausível em como ser alguém disposto a pegar no SL Benfica na fase decisiva da temporada.

No entanto, Jorge Jesus rapidamente lhe fechou as portas dessa possibilidade, alegando que estava muito feliz no Flamengo e que estava empenhado e determinado a dar continuidade ao projeto do clube do Rio.

Outra hipótese que estava à mão era a promoção de Renato Paiva da equipa B. Porém, quiçá marcado pela subida queda de Bruno Lage no comando técnico da equipa, o presidente do SL Benfica entendeu que ainda não era o momento ideal para promover Renato Paiva. Luís Filipe Vieira voltava à estaca zero.


Entretanto na mesma altura, o rival da Segunda Circular também estava à procura de um novo treinador. O Sporting CP estava a realizar uma época tormentosa e a eliminação da Liga Europa diante do Istambul Basaksehir, desperdiçando a vantagem de dois golos trazida de Alvalade, viria a ditar o despedimento de Jorge Silas. Frederico Varandas teria assim de encontrar um novo treinador, o quarto na temporada.

O presidente do Sporting CP centrou todas as suas atenções num só alvo, Rúben Amorim. O antigo médio internacional português orientava a equipa principal do SC Braga há apenas dois meses, tempo no qual o clube arsenalista faria um percurso quase perfeito no campeonato, saltando do oitavo para o terceiro lugar.

No entanto, o Sporting viria a ganhar um concorrente de peso na disputa pelo jovem técnico português. Dadas as restrições de opções disponíveis, Luís Filipe Vieira também centrou a sua aposta em Rúben Amorim e tal como presidente rival, estava disposto a pagar os dez milhões de euros da cláusula de rescisão.

Rúben Amorim tinha um passado ligado ao SL Benfica enquanto jogador. Mesmo nunca tendo sido um indiscutível na equipa, sempre foi um jogador acarinhado pelos adeptos pelo facto de transpirar benfiquismo até aos poros.

mudar mentalidades
Seria Rúben Amorim a opção indicada para o SL Benfica?
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

A ligação de Rúben Amorim ao SL Benfica era uma vantagem para o clube o conseguir contratar, mas, no entanto, havia um outro obstáculo.

Tendo entrado em conversações com os dirigentes do SL Benfica, Rúben Amorim exigia ter total autonomia na gestão do plantel encarnado. Ou seja, Rúben Amorim queria ter carta branca para decidir sobre quais os jogadores queria contratar, dispensar e apostar.

Luís Filipe Vieira era alguém que gostava de ter poder e de passar por todas as decisões tomadas no clube. Mas apesar desse obstáculo, via em Rúben Amorim, alguém com perfil para treinar o SL Benfica e apostar e potenciar os talentos da formação. E, para além da urgência desta situação, Luís Filipe Vieira sabia que iria ter eleições uns meses mais tarde, de modo que se mostrou disponível para ceder às exigências do jovem técnico.

Acordo fechado! Rúben Amorim substitui Bruno Lage no comando técnico do SL Benfica, cabendo-lhe a difícil tarefa de arrumar a casa e de dar um novo alento à equipa e levar a equipa a conquistar os objetivos que restam na temporada.

Tiago Serrano

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