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Vitória FC x SL Benfica: Um clássico intemporal

Pedro Cantoneiro · 5 min

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UM CLÁSSICO INTEMPORAL ENTRE SETUBALENSES E LISBOETAS

Não é de agora, mas a história que reúne as cores do Vitória FC e do SL Benfica é extensa e cheia de episódios marcantes. Os sadinos constituem um dos grandes pólos tradicionais do futebol português, ainda que o século XXI não tenha trazido grande impacto à competitividade de um clube que já discutiu campeonatos nacionais e se intrometeu na Europa dos grandes.

Vamos por partes. As relações institucionais entre lisboetas e setubalenses tornou-se tambem em fenómeno social e cultural, adjacente à rivalidade que existe entre margem Norte e Sul do Tejo, o que explica também a aversão recíproca entre os adeptos dos dois clubes.

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As transferências de Jaime Graça e Vítor Baptista para a Luz, o segundo em troca de Torres, Praia e Matine, impactaram sobremaneira as duas instituições e as suas conquistas nos finais dos anos 60 e início dos anos 70, período de ouro dos sadinos.

Aí, o Vitória assumir-se-ia como equipa de topo, com a presença em inúmeras finais de Taça de Portugal – duas conquistas – e o segundo lugar no campeonato de 1971/1972, atrás do Benfica, e que permitiram as grandes aventuras na Taça das Cidades com Feira, na sucessora Taça UEFA e na Taça das Taças, onde foram derrotados no Bonfim clubes de estirpe continental como o Inter de Milão, a Fiorentina, o Lyon ou o Leeds United. Nessas sucessivas incursões de qualidade pelo continente fora, não faltava liderança forte com José Maria Pedroto no banco e Jacinto João no relvado, num período que durou até 1974.

O jogo de sábado, porém, opõe duas forças distintas na actualidade, e nem a melhoria com a entrada de Julio Velázquez elevou o Vitória à categoria anterior de quarto grande, em confronto constante com Boavista FC e CF “Os Belenenses”.

As três Taças de Portugal e a Taça da Liga existentes no museu sublinham argumentos, ainda que a segunda década do novo milénio tenha sido uma constante tentativa de se manter à tona na Primeira Liga, tornando habitual o desespero por pontos nas últimas jornadas.

Este ano é diferente, ainda assim, pois com a entrada do treinador espanhol a equipa começou a soltar-se das amarras resultadistas e os princípios de bom futebol postos em prática levaram a um aumento substancial da capacidade finalizadora, numa equipa que se destacou com Sandro pela defesa de betão e pelos empates a zero.

O Vitória tem melhorado substancialmente na qualidade de jogo, mas os resultados não foram os melhores nos últimos cinco jogos, com apenas dois empates a ajudarem à contagem dos pontos: os jogos com FC Porto e SC Braga podem justificar a fase menos positiva, onde só a derrota caseira contra o Gil Vicente se apresenta como dispensável.

As visitas às margens do Sado nunca foram acessíveis para o Benfica. A fase deprimente que a equipa atravessa, onde o rendimento fantasmagórico de muitos titulares atirou Bruno Lage para a figura de corpo presente e impotente para alterar o rumo das circunstâncias, prevê uma luta acesa pelos pontos. Lembrar que, com as segundas linhas, o Benfica já empatou este ano no Bonfim para a Taça da Liga.

COMO JOGARÁ O VITÓRIA FC?

Julio Velázquez deverá manter a maioria dos titulares da última partida, no empate em Portimão. A equipa gosta de ter bola e construir curto desde trás, entregando a criação em fase intermédia a Carlinhos e Éber Bessa, o verdadeiro playmaker da equipa. Depois da lesão aparatosa de João Meira, Artur Jorge deverá regressar; dúvidas quanto aos carrileros Zequinha e Mansilla, já que Antonucci é reforço vindo da Roma e exige minutos, que já os teve, mas sempre a sair do banco. O argelino Ghilas, pesado, mas com as qualidades de segurança no controlo de bola e no jogo de costas intactas, deverá manter-se na frente de ataque e servir como pivot às incursões dos criadores em zona central.

JOGADOR A TER EM CONTA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Éber Bessa – É a figura da equipa e o mais irreverente em campo. A sua imprevisibilidade sem bola ajuda à criação de oportunidades de golo, tornando-se então o seu jogo muito mais fluído e eficaz quando surge com liberdade nas costas do ponta-de-lança. É assim que tem actuado nas últimas partidas e não existem índicios de qualquer mudança para o jogo frente ao campeão nacional, definindo-se assim como a maior ameaça sadina ás pretensões encarnadas.

XI PROVÁVEL

4-3-3: Makaridze; Sílvio, Jubal, Artur Jorge e Nuno Pinto; Semedo, Carlinhos e Éder Bessa; Zequinha, Mansilla e Ghilas.

COMO JOGARÁ O BENFICA?

A principal dúvida consiste na tentativa de André Almeida ir a jogo, que está quase recuperado da insistente lesão que o tem apoquentado. Numa equipa em queda livre, a titularidade de Samaris deverá manter-se para dar estabilidade a um meio-campo tenebroso nas suas rotinas e a uma defesa demasiado frágil para as exigências de uma divisão principal. Os processos simples, mas eficazes, do Vitória serão obstáculo na transição defensiva, se se mantiver a habitual distância entre a linha defensiva e Odysseas.

JOGADOR A TER EM CONTA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Ferro – Pelas piores e melhores razões, Francisco será o dínamo de um jogo que se pode tornar assombrado caso o rendimento abaixo do exigível se mantenha. A esperança dos benfiquistas pode ser um bom ponto de partida para a melhoria em termos emocionais, o que catapultaria o seu jogo para níveis condizentes com todo o seu potencial. No seu melhor, a saída com bola do central português permite à equipa actuar muito mais pressionante e próxima da área adversária, além da liberdade que dará aos criadores de serviço, que receberão sempre a bola com maior segurança e em zonas muito mais próximas da baliza adversária: esperemos então que Ferro esteja em dia sim.

XI PROVÁVEL

4-4-2: Vlachodimos; Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro e Grimaldo; Pizzi, Samaris, Weigl e Rafa; Taarabt e Vinícius.

Pedro Cantoneiro

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