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Admito sem problema que fiquei aborrecido com a saída de Jorge Jesus do Benfica, não por ter trocado o clube por um rival directo, mas porque o Benfica, além de perder um grande treinador (o melhor a actuar na nossa liga), perdeu algo que lhe faltou no início deste milénio, continuidade e estabilidade. Antes de Jesus tínhamos assistido a uma parada quase interminável de treinadores: Toni, Jesualdo, Chalana, Camacho, Trapattoni, Koeman, Fernando Santos, Quique… O Benfica mastigava e mandava fora treinadores quase anualmente e o plantel estava em constante remodelação, o que dificultava qualquer tipo de sucesso sustentado e a longo prazo. Não vou nem posso defender mais de um terço destes treinadores, mas reconheço que muitos deles nem sempre tiveram as melhores condições para ter sucesso na posição. Tudo isso mudou com Jesus. Jesus pegou no Benfica e desde 2009 tinha vindo a construir uma equipa na verdadeira acepção da palavra, o que resultou em dez títulos em seis anos, incluindo três ligas e um tão desejado bicampeonato, uma fartura a comparar com os seus antecessores, para não falar da valorização de jogadores que Jesus fez.

Não vou entrar pela troca de clube de Jesus, até porque acredito que o Benfica teve pelo menos parte da responsabilidade na saída do treinador do clube: se não desejam renovar com o homem que acabou de se sagrar bicampeão, depois não fiquem surpreendidos se ele acabar num rival no mesmo país. Jesus optou pela “segurança” de um clube na liga e no país que ele conhece (e do qual supostamente era adepto) em vez de arriscar e assumir projectos no estrangeiro como o Milan por exemplo (isto partindo do princípio de que havia interesse da parte dos italianos, como chegou a ser noticiado).

Não vou nem quero entrar pela suposta proposta que Jorge Mendes apresentou a Jesus, de passar um ano a vegetar no Qatar para depois assumir o cargo de treinador principal do PSG, porque dizer que isso é ridículo é pouco. Jesus é passado e de momento interessa olhar para o futuro. Agradeço ao mister tudo o que fez e deu ao meu clube, estar-lhe-ei eternamente grato, mas agora interessa-me é o próximo treinador do Benfica, que a próxima época tem de começar a ser preparada rapidamente, principalmente neste clima de mudança de treinador e de remodelação do plantel sénior.

O bicampeonato será uma pesada herança para Rui Vitória Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
O bicampeonato será uma pesada herança para Rui Vitória
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Vieira optou por não oferecer a renovação a Jesus porque apesar do sucesso do treinador os seus planos para o futuro do clube não estavam alinhados, muito por causa da “deficiente” aposta na formação do ex-treinador encarnado. Não sou nem de perto nem de longe um fanático da aposta na formação, acredito que os jovens formados no clube, se tiverem qualidade e trabalharem para isso, deverão ter a oportunidade de lutar por um lugar na equipa principal. Mas o Benfica na era Jesus preferiu apostar noutro tipo de jogadores e os resultados apareceram, o que, parecendo que não, é o que interessa: títulos. Mas vamos ver se esta nossa filosofia dá frutos. Quando Vieira decidiu que não iria oferecer a renovação a Jesus fê-lo (diz-se) já com o ainda treinador do Vitória de Guimarães Rui Vitória em mente para assumir o cargo e implementar esta nova filosofia no Benfica. Não tenho qualquer problema com esta contratação e até a apoio; o meu problema é que o Rui Vitória já deveria ter sido confirmado como treinador principal do Benfica. O que anda Vieira a fazer? De que está ele à espera?

O facto de Jesus ter saído para o Sporting não pode de forma alguma afectar a confiança que Vieira tinha em Vitória para assumir o cargo: uma coisa não tem nada a ver com a outra. E, por amor da Santa, estou em casa com os dedos cruzados e a rezar para que Vieira não contrate nenhum treinador porque foram criadas páginas nas redes sociais por adeptos ou porque se quer “vingar” do rival. Não vamos deixar os malucos mandar no manicómio, por favor.

Não, não tenho nada contra Marco Silva. Até o acho um treinador talentoso e não me importava de o ver no Benfica mas, quando Vieira optou por não renovar com Jesus, Marco Silva ainda era treinador do Sporting e nada levava a crer que Vieira tivesse tido qualquer tipo de contacto com Marco Silva para assumir o lugar. Se a ideia era Rui Vitória, em Rui Vitória se deve apostar; já chega de especulações e novelas. O Benfica é o Benfica e o Sporting é o Sporting, e o plano de um clube não pode ser afectado pelo do outro. Vieira é o Presidente e os adeptos são os adeptos, e assim é por motivos óbvios. É a ele que cabe a decisão da contratação do novo treinador do clube, e não aos adeptos. Ele que tenha um bocado de convicção e confirme o treinador que tinha em mente quando decidiu não renovar com Jesus.

A pré-época está aí à porta e o plantel precisa de ser decidido, contratações e vendas têm de ser feitas, e para isso dá jeito ter um treinador, devido ao facto de, bem, ser ele que vai ter de orientar a equipa. Já chega de Presidentes armados em treinadores de bancada; não faz qualquer sentido comprar e vender jogadores enquanto o Benfica não tiver treinador. Vamos vender alguém que seria uma peça crucial no plano do futuro treinador? Ou será que vamos comprar alguém que não encaixa na táctica do treinador? Em Portugal os Presidentes adoram sentar-se na cadeira do treinador, só que depois quando as coisas correm mal é a cabeça do treinador que voa. Esta semana Vieira veio dizer que esta época teremos cinco jovens da formação no plantel principal, o que me leva a perguntar: porquê cinco e não quatro ou seis? Uma coisa é dizer que os jovens que se mostrarem preparados e com talento e maturidade para isso terão a oportunidade de ficar na equipa principal do Benfica, outra coisa é afirmar que serão cinco – não interessa o que o próximo treinador pensa, as necessidades da equipa ou se eles estão preparados; o que interessa é que existe uma necessidade de meter cinco jogadores da formação no plantel principal. Há uma quota a preencher, pelos vistos, o que é bastante encorajador.

Isto vindo do mesmo Presidente que vendeu o Bernardo Silva ao Mónaco neste final de época depois de uma temporada bastante produtiva ao serviço do clube francês, principalmente tendo em conta a iminente saída de Nico Gaitán e o fanatismo e o desejo de Bernardo Silva de jogar pela equipa principal do Benfica (para não falar do seu enorme talento), algo que com a saída de Jesus se poderia ter concretizado. Mas já estou a divagar e ainda devo estar sob o efeito da Reportv dele que vi esta semana.

Estará Rui Vitória preparado para assumir o "desafio" Benfica? Fonte: Facebook do Vitória Sport Clube
Estará Rui Vitória preparado para assumir o “desafio” Benfica?
Fonte: Facebook do Vitória Sport Clube

Com a saída do treinador é altura de renovar e remodelar o plantel. Além da adição dos jovens da formação o Benfica já confirmou a saída de Sulejmani e Funes Mori, havendo ainda a existência de propostas por Gaitán, Salvio, Talisca, Sídnei e Lima (se acreditarmos na comunicação social), sendo que jogadores como Artur, Derley, Ola John e Lisandro também poderão estar de saída do clube. Em relação a entradas, além da já confirmada contratação do trio do Rio Ave (Ederson, Diego Lopes e Hassan), entusiasma-me a hipótese de contratar a promessa sérvia Andrija Živković, que, depois de impressionar ao serviço do Partizan, tem impressionado na Nova Zelândia no Mundial de sub-20 pela sua sérvia, podendo juntar-se a jogadores promissores no clube como Cristante ou Mukhtar que ainda têm muito para dar. Se pudéssemos olhar para a defesa também agradecia, mas não quero abusar da boa fé de ninguém porque, parecendo que não, o Eliseu continua a ser internacional A por Portugal, e aquela gente percebe infinitamente mais que eu de bola.

Custou a digerir mas já aceitei a saída de Jesus, não por ter saído para o Sporting mas por ter saído do clube. Agora dava jeito apresentar o novo treinador já esta semana e, já agora, se não desse muito trabalho, renovar com o Maxi Pereira, um dos maiores símbolos da paixão encarnada nos últimos anos. Muito “se faz favor”, senhor Vieira – não dava jeito que ele acabasse num clube rival também.

P.S. Podemos finalmente dar uma hipótese a sério ao Đuričić este ano para ver o que elerealmente vale: é que eu desconfio de que ele não é mau. Obrigado.

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