Cabeçalho Futebol NacionalO futebol português é rico em personagens; umas que contribuíram para aquilo que é hoje, ilustres, celebradas, e outras que lhe dão aquele toque especial que não se encontra noutros campeonatos, cómicas e populares. É rico em locais; estádios míticos já desaparecidos e estádios queridos das gentes da sua terra. E são também as gentes da terra que contribuem para a magia de certos palcos do nosso campeonato. São as gentes da terra, a par do treinador que estiver ao comando, que moldam o carácter de uma equipa.

Quantas vezes ouvimos dizer que «lá nos Barreiros é complicado, então se o nevoeiro não levantar…»? Ou então: «deviam ter antecipado o jogo da Choupana para o meio da tarde»? Em ambos os casos, o fator meteorológico confere aos estádios de CS Marítimo e CD Nacional, respetivamente, uma dificuldade acrescida e famosa no nosso campeonato. Mas os termos de ‘’popularidade’’ dos estádios e das suas equipas estende-se até à massa associativa e simpatizante que compõe as bancadas, fim de semana após fim de semana.

A situação financeira das famílias portuguesas parecia afastar cada vez mais os adeptos dos estádios. Fosse na 1ª Divisão, 2ª ou até nos Distritais. Mas nos últimos anos temos assistido a um reforço das claques existentes e a um constante apoio de um número considerável de adeptos ‘’frequentes’’, ‘’os do costume’’. E é no Norte do país que encontramos mais equipas com essa moldura humana mais próxima de um clube grande. Não confundir com grande clube, porque o são.

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Fonte: Vitória SC
Fonte: Vitória SC

São as pessoas do Norte que melhor revestem as bancadas dos seus estádios. E quantidade não é qualidade. Um bom exemplo disso é o Vitória SC, o de Guimarães. Há anos que estes adeptos são conhecidos como dos mais exigentes do nosso campeonato. Dizia Moreno, em maio deste ano, antes da final da Taça de Portugal, frente ao SL Benfica: «É um clube único e a melhor vitamina para o jogo de amanhã é saber que cada um de nós pode contribuir um pouco para uma felicidade enorme do povo de Guimarães. Mais do que as palavras é termos a noção de que podemos contribuir para uma imensa alegria. Isto tem de tocar. Isto toca.».

É aqui evidente a relação jogador/adepto, a contribuição de ambas as partes para o sucesso desportivo. Isto não é exclusivo do Vitória nem do Norte do país, mas é nesta região onde melhor se prova que o público também entra em campo.