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A CRÓNICA: PRIMEIRA PARA UNS, A SEGUNDA PARA OUTROS

Académica OAF vence na receção ao SC Covilhã e ascende provisoriamente ao segundo lugar. Os estudantes dão, assim, continuidade à boa época que estão a realizar, enquanto os beirões registam a primeira derrota na Liga sob o comando de Nuno Capucho.

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Entrada positiva da Académica OAF na partida; tão positiva, aliás, que os estudantes chegam mesmo ao golo da vantagem aos 14 minutos, sendo este o primeiro tento alcançado pela Briosa nos primeiros 15 minutos de qualquer partida na presente edição da Segunda Liga.

A subida de Bruno Teles pela ala esquerda culmina com um cruzamento rasteiro que encontra, numa primeira instância, a luva esquerda de Léo Navacchio e, na sobra, o pé direito de Traquina, que fulmina as redes da baliza sul do Cidade de Coimbra.

O primeiro impacto pós-golo é de difícil digestão para os beirões, mas a resposta sequente incomoda a Académica OAF ao ponto de a fazer recolher linhas para bem junto da sua área. Apesar do incómodo causado, apenas por uma vez – e de fora da área – consegue a turma de Nuno Capucho assustar verdadeiramente os anfitriões.

O remate de meia distância é também o meio pelo qual os da casa, à passagem do minuto 35, tentam sacudir a pressão beirã e pôr cobro ao bom momento do SC Covilhã na partida. Em ambas as situações, nem o ligeiro sopro de vento provocado pela passagem da bola faz tremer qualquer dos guarda-redes.

A partida ameniza-se e equilibra-se nos cinco minutos seguintes. Até Traquina abrir o manual técnico e fazer o esférico atravessar o Túnel da Serra da Estrela ainda no seu meio-campo, dando início a uma jogada bem delineada pelos estudantes que o próprio tenta finalizar após passe de Bruno Teles – de novo -, sem sucesso. No entanto, a bola saída da “rosca” de Traquina encontra Bouldini, que, com toda a calma e categoria, dilata a vantagem caseira.

Dobra o sino do apito de João Gonçalves a sinalizar o intervalo. Os estudantes caminham alegres para os balneários, em claro contraste com o ar sisudo e agastado de Nuno Capucho. Ordem natural das coisas, já que se regista um 2-0 para os da casa ao cabo dos 45 minutos primeiros.

Regresso da partida com repartição bastante semelhante da posse de bola e da vontade, imaterializada, de chegar ao golo – a Académica ao terceiro, o SC Covilhã ao da aproximação. Contudo, por muita vontade que houvesse de parte a parte, apenas aos 60 minutos se escuta o burburinho fantasma de um Cidade de Coimbra vazio, que quase assistia ao tento da redução.

Gleison remata às portas da grande área academista, com o esférico a viajar pouco por cima da trave da baliza à guarda de Mika. Para desolação dos alviverdes, nem essa ameaça faz caducar a calma da Briosa, que prossegue em controlo do encontro, investindo ofensivamente “aqui e ali”.

O espetro do 3-0 paira por sobre o Calhabé. A indefinição junto e dentro da área beirã por parte dos academistas inviabiliza a dilatação do resultado. Traquina, Bouldini e João Mário desperdiçam as suas oportunidades e impedem o marcador de atingir números desagradáveis para um SC Covilhã amorfo e “macio” em excesso.

Em simultâneo, impelem os beirões a procurar outro resultado. Encontram-no já em tempo de descontos – não fosse mês de Black Friday -, com Areias a encostar para a baliza sul (a única que conheceu o sabor da bola) na sequência de uma bola parada.

 

A FIGURA

✍️🤝A Associação Académica de Coimbra/OAF assegurou a contratação de Bruno Teles, lateral-esquerdo de 34 anos que representava o Paços de Ferreira.

➡️ https://t.co/s9Zu4aY6vW

Bem-vindo a Coimbra e à mágica Briosa, Bruno Teles! pic.twitter.com/jT674oRxqv

— Académica / OAF (@academicaoaf) August 10, 2020

Bruno Teles – somou uma assistência e foi também dele a incursão que originou o segundo golo. Muito seguro defensivamente, mesmo quando, de maneira constante, o Covilhã tentou explorar as suas costas. Bateu-se sempre bem com Enoh e com Léo Cá, os extremos que lhe apareceram pela frente. Teve ainda uma oportunidade de fazer o gosto ao pé, mas o remate de fora de área acabou por sair um pouco por cima.

 

O FORA DE JOGO

Daffe – foi um corpo ausente na frente de ataque. Poucas vezes lhe chegou a bola, diga-se, mas ele também pouco a procurou. A equipa precisava de uma referência para colocara a Académica em sentido, o que Daffe não conseguiu ser. Por isso, saiu a meio da segunda parte, entrando Deivison para o seu lugar que fez bem melhor no pouco tempo que teve de jogo.

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

Se há coisa que a Académica tem sido é consistente e as poucas mudanças que Rui Borges tem feito no onze da equipa refletem isso. No entanto, a boa exibição de Sanca na Taça de Portugal valeu-lhe o passe para nova titularidade. Mimito foi a outra novidade, desta feita, para o meio-campo. Mesmo com as alterações, a estrutura não se alterou. O treinado da Académica voltou a apresentar um 4-2-3-1. Mika guardou a baliza. Fabiano na lateral direita a fazer o flanco de cima a baixo, Bruno Teles na lateral esquerda mais comedido e Rafael Vieira e Silvério, no eixo central, formaram a defesa. À frente deste, Ricardo Dias, um jogador de grande importância tática pelas compensações que dá aos seus colegas, e Mimito, um oito box-to-box, bem acompanhados pelo criativo Fabinho. Na frente, as alas ficaram para Sanca e Traquina, enquanto Bouldini se encarregou da posição de ponta-de-lança.

A equipa, dotada de alguma matreirice, soube esperar pelos seus momentos. Ficaram na rotina as boas combinações pela esquerda entre Sanca e Bruno Teles e as incursões pelo corredor direito de Fabiano. Sempre com a equipa compactos, não concederam espaços que o Covilhã pudesse explorar.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (6)

Fabiano (7)

Rafael Vieira (6)

Silvério (6)

Bruno Teles (7)

Ricardo Dias (6)

Mimito (6)

Fabinho (6)

Traquina (7)

Leandro Sanca (6)

Bouldini (7)

SUBS UTILIZADOS

João Mário (5)

Guima (5)

Rafael Furtado (-)

Chaby (-)

ANÁLISE TÁTICA – SC COVILHÃ

4-2-3-1 contra 4-2-3-1. O Covilhã alinhou com uma estrutura semelhante à da Académica, mas com jogadores de características diferentes. Léo Navacchio foi o guarda-redes. Jean Felipe, André Almeida, Joel Vital e Tiago Moreira (destro a jogar sobre a esquerda), formaram o quarteto defensivo. No meio-campo surgem as maiores diferenças entre as equipas. Lamine ocupou a posição de trinco e Gilberto jogou ao seu lado e, sem grandes correrias, pautou todo o jogo da equipa. Gui Inters, um jogador com características de extremo, atuou nas costas do avançado Daffe. Pelos corredores, Enoh e o maior destaque da equipa em termo técnicos, Gleison. Ao intervalo, Capucho fez entrar Filipe Cardoso para o lugar de Lamine e adiantou Gilberto no terreno para o lado de Gui, passando alinhar em 4-3-3.

Em termos de dinâmico ofensiva, a aposta dos leões da serra passou muito pelo ataque às costas da defesa da Briosa. Sofreram quando tentaram aumentar o pendor ofensivo, ficando expostos atrás.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Léo Navacchio (4)

Tiago Moreira (6)

André Almeida (5)

Joel Vital (5)

Jean Felipe (5)

N’Dao Lamine (5)

Gilberto (6)

Gui Inters (5)

Gleison (7)

Lewis Enoh (4)

Daffe (4)

SUBS UTILIZADOS

Filipe Cardoso (5)

Deivison (5)

Léo Cá (5)

Rui Areias (4)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Académica OAF

Bola na Rede: A que se deveu a instabilidade entre o primeiro e o segundo golo? Faltou discernimento para chegar ao terceiro golo?

Rui Borges: (Apresentação dos pêsames à família de Vítor Oliveira e elogio ao falecido treinador) Entrámos bem. Depois do golo, tivemos 20minutos menos bons. Entrámos num relaxamento que não sei a que se deveu. Equilibrámos nos últimos 10 minutos, conseguimos um golo que nos deu tranquilidade. Não me lembro de uma jogada mesmo perigosa na nossa baliza. Na segunda parte, entrámos mal. Crescemos outra vez depois, melhorámos. Falhámos o 3-0, o 4-0… Temos que ser muito mais claros. Mas não deixámos criar perigo, acabámos por sofrer um golo numa bola parada algo duvidosa e acabámos por ganhar ali no grito nos últimos minutos. Mas também jogámos frente a uma grande equipa.

SC Covilhã

Bola na Rede: Apostar nas costas da defesa da Académica era uma estratégia delineada ou foram circunstâncias do jogo?

Nuno Capucho: Nós temos que explorar os pontos negativos do adversário. Eles normalmente jogam com a linha subida e tentámos procurar o espaço nas costas. É uma estratégia que queremos utilizar, mas temos que saber utilizá-la. E temos que deixar de ter medo no último terço do campo.

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