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Este campeonato que agora terminou ficou marcado por uma luta acesa pela manutenção na Primeira Liga até ao fim. O Vitória Futebol Clube foi um dos cinco clubes que ainda não tinha a manutenção garantida à entrada para a última jornada, manutenção essa que acabaria por conseguir graças a uma vitória por 1-0 sobre o CD Tondela.

Esta vitória sobre uma das revelações deste último campeonato foi o ponto final de uma época que foi bastante turbulenta para o emblema sadino. Para o Vitória FC, esta época ficou marcada por uma enorme instabilidade a nível interno, sendo que a crise directiva levaria à demissão de Fernando Oliveira da presidência do clube, sendo este substituído por Vítor Hugo Valente.

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E apesar da época dos sadinos ter tido um final feliz, a verdade é que eu não prevejo um futuro muito risonho para um dos mais históricos emblemas do futebol nacional. E são alguns os motivos que me levam a pensar desta forma.

Primeiro, porque o número de empréstimos a clubes do mesmo escalão foi limitado após uma proposta feita no G15. A partir da nova temporada, cada clube só pode emprestar no máximo seis jogadores a clubes do mesmo escalão, sendo que nenhum clube poderá receber dois jogadores emprestados do mesmo clube.

Ora, um dos motivos pelos quais eu sou contra esta limitação dos empréstimos é porque esta fará com que as equipas ditas pequenas terão de apertar mais o cinto, sendo forçadas a gastar mais dinheiro para construírem uma equipa competitiva e capaz de alcançar os objectivos. E o Vitória de Setúbal será um dos clubes mais prejudicados com esta nova regra, visto que nos últimos anos tem recebido muitos jogadores emprestados pelos três grandes, sendo que as boas prestações de alguns deles permitiram o seu regresso à “casa-mãe”, como foram os casos de João Mário e de Gonçalo Paciência.

O outro motivo passa pela equipa técnica. Na conferência de imprensa após o jogo que fechou o campeonato, José Couceiro anunciou que estava de saída do comando técnico do Vitória de Setúbal, alegando que esta foi a época mais difícil da sua carreira e que não havia condições para continuar. As suas declarações deram claramente a entender que este se encontrava emocionalmente esgotado e que estava a precisar de tempo para ele, para podes descansar e pôr a cabeça em ordem.

José Couceiro deixou o futuro do Vitória FC em aberto
Fonte: Vitória FC

Ora, foi com José Couceiro que o Vitória FC obteve os melhores resultados desportivos da década, com principal destaque para o sétimo lugar obtido em 2013/2014. Mas mais do que os resultados desportivos, José Couceiro também se destacou pela potencialização de jovens jogadores que, estando emprestados ou a título definitivo, acabariam por dar o salto para clubes maiores como os casos de Ricardo Horta, João Mário, Bruno Varela, João Amaral, Gonçalo Paciência, João Teixeira, Pedro Pinto, André Pedrosa e André Pereira.

Apesar da imprensa ainda não ter falado em nomes para o seu lugar, na minha opinião, a sucessão do técnico lisboeta deveria passar por alguém que conhecesse bem a casa, como seria por exemplo, o caso de Bruno Ribeiro, que treinou o CD Cova da Piedade nesta temporada.

Outro problema que já não é de agora, e que as condições financeiras bastante precárias com que o clube viveu nos últimos anos fizeram com que as suas infraestruturas se desactualizassem e consequentemente, fizeram com que o clube esteja cada vez menos à altura da cidade.

O Vitória Futebol Clube é conhecido por possuir uma das massas adeptas mais fiéis e apaixonadas do futebol português. E o trabalho e o espírito de sacrifício também tem sido uma imagem de marca do clube nestas tempos difíceis que tem vivido. Como tal, espero que o futuro próximo seja mais um obstáculo que este clube consiga enfrentar e ultrapassar.

Foto de capa: Vitória FC

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