A CRÓNICA: INICIO DE SEGUNDA PARTE AVASSALADOR, DÃO VITÓRIA AOS MADEIRENSES

No pontapé de saída da jornada 16 da Primeira Liga Portuguesa, CD Nacional e FC Famalicão, entraram em cena num palco com 632 metros de elevação com o intuito de produzirem um bom espetáculo de futebol, entre duas equipas que procuravam, desesperadamente, uma vitória que às possibilitasse um salto na tabela classificativa.

Não foi preciso esperar muito até se ver ação na partida, visto que aos quatro minutos, numa jogada de envolvência do ataque alvinegro, Kenji Gorré cruzou para alívio apertado da defensiva do Famalicão. No entanto, nos vinte minutos seguintes pouco ou nada se passou ao redor de ambas as equipas, até porque houve duas paragens devido a lesões, um de cada equipa, que queimaram o ritmo que o jogo vinha a desenvolver nos primeiros minutos.

Todavia, aos 27´ minutos numa jogada de contra-ataque, Francisco Ramos deu a bola para a asa direita, com Vincent Thill a conduzi-la para o centro, rematando para desvio de Babic. Porém, como quem não marca, sofre, o Famalicão aos 32´minutos, também numa jogada de contra-ataque em que Kraev desmarcou Ivo Rodrigues, no qual o português cortou para o centro, chutou, desviando no central ´famalicense´ Júlio César, acabando a bola por sobrar para o ponta-de-lança Anderson Oliveira, que só com Piscitelli pela frente, não falhou e apontou o primeiro da partida.

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Até final da primeira metade, nota para o facto de através de uma bola parada ofensiva, Thill ter colocado a bola adoçada para a cabeça de Riascos, que enviou à figura de Luiz Júnior, e ainda, um remate de fora de área do luxemburguês para defesa estreita do guardião brasileiro da equipa de Vila Nova de Famalicão.

Ao intervalo, a estatística ditava um equilíbrio relativamente à posse de bola, sendo que o CD Nacional a tenha mantido mais tempo, mas nem por isso com mais qualidade.

O Nacional sabia que tinha de fazer pela vida, pois a derrota não servia aos seus interesses, por isso, foi dos pés dos homens vestidos de preto e branco que surgiram as primeiras incitavas ofensivas, da segunda parte. Quem insiste, persiste, e não desiste, chega sempre ao sucesso, que foi o que aconteceu com a equipa da Madeira, que empatou a partida por intermédio de Brayan Rochéz, aos 53´minutos. Os alvinegros vieram para os segundos 45 minutos, autenticamente, com o pé no acelerador e em menos de cinco minutos viraram o placard, com um contra-ataque venenoso que acabou com uma finalização perfeita de Francisco Ramos.

Com a reviravolta no marcado, o Nacional abrandou um pouco o ritmo de jogo, permitindo, inclusivamente, mais iniciativa dos homens do Famalicão, no entanto, sem lances de perigo a registar.

Os ponteiros do relógio rodavam e com isso, o jogo caminhava para o fim. O árbitro, Tiago Martins, deu nove minutos de tempo extra, devido às várias paragens que ocorreram durante a segunda parte, contudo, na raça e no espírito combativo, o CD Nacional conseguiu manter o 2-1 no marcador, conquistando assim, a tão importante vitória, contrapondo, com a continuação de maus resultados da equipa de João Pedro Sousa.

 

A FIGURA 

Nuno Borges – Muitos outros podiam ter sido coroados como ´a figura´ do jogo, como são os casos de Francisco Ramos e Vincent Thill, mas a minha escolha recai sobre o médio-campista cabo-verdiano, Nuno Borges. Muito forte na construção de jogo, através da sua qualidade de passe, e na compensação defensiva. Encheu o campo. Foi omnipresente. Demonstrou raça e agressividade em todos os lances que disputou, não dado uma bola como perdida. Um autêntico guerreiro.

 

O FORA DE JOGO

Lesão de Gustavo Assunção – A sua lesão aos 21´minutos, condicionou a fase de construção do FC Famalicão, até porque, o médio defensivo de 20 anos é o principal responsável por orquestrar o jogo da equipa famalicense.

 

ANÁLISE TÁTICA – CD NACIONAL

Para esta partida frente ao FC Famalicão, Luís Freire continuou a utilizar um sistema em 4-3-3. Com o italiano Riccardo Piscitelli a substituir o lesionado Daniel Guimarães (traumatismo na grelha costal), habitual titular em jogos para o campeonato. Na defesa, o brasileiro, Kalindi, à direita, Rui Correia (capitão) e Lucas Kal, ao centro, e o ´carrossel´ moçambicano, Witi, à esquerda, formaram assim, o quarteto defensivo. No meio-campo, o cabo-verdiano Nuno Borges foi a peça escolhida para iniciar a fase de construção da equipa. À sua frente jogaram mais libertos, o tunisino Azouni e o jovem português Chico Ramos. Nas alas, o técnico da formação madeirense, optou por utilizar um jogador mais criativo, como é Vincent Thill, e do outro lado, o internacional pela ilha do Curaçau, Kenji Gorré. Por último, na frente, como referência mais ofensivo, o hondurenho Bryan Rochez.

Quanto ao estilo de jogo utilizado pelos homens do Nacional, Luís Freire pediu aos seus jogadores atacar, preferencialmente, pelo centro, construindo jogo desde os pés de Nuno Borges, que foi o orquestrador de jogo, alternando entre passos curtos para os colegas e passos longos para as alas do ataque alvinegro, servindo-se ainda, de lances de contra-ataque.  Já em termos defensivos, o Nacional, como também já é habitual, optou por uma pressão conservadora, mantendo a sua defesa subida em alguns momentos do jogo, optando por uma densidade defensiva alta e uma boa reação à perda.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Riccardo Piscitelli (5)

Kalindi (6)

Lucas Kal (-)

Rui Correia (6)

Witi (5)

Nuno Borges (8)

Azouni (4)

Chico Ramos (7)

Vincent Thill (7)

Kenji Gorré (6)

Brayan Rochez (6)

SUBS UTILIZADOS

Júlio César (5)

João Vigário (4)

Alhassan (-)

João Camacho (-)

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

Para o jogo no Estádio da Madeira, João Pedro Sousa fez alinhar, de início, 11 jogadores com uma média de idade de 22 anos, ou seja, uma aposta muito jovem para ´atacar´ os três pontos. Assim sendo, o técnico de 49 anos optou por aplicar um 4-3-3 defensivo. Na baliza, o brasileiro Luiz Júnior. Na defesa, Patrick William foi adaptado a lateral direito, enquanto Babic e Diogo Queirós, jogaram ao centro, e ainda, Rúben Vinagre à esquerda. No pivot defensivo, jogaram o uruguaio Ugarte e o capitão Gustavo Assunção, que foi também, o responsável pela saída de bola do Famalicão. O búlgaro Bozhidar Kraev atou à frente destes dois homens, sendo o homem mais criativo, cabendo a Heriberto Tavares e Ivo Rodrigues, o jogador mais velho no 11 da formação ´famalicense´, jogar pelas alas. O ponta-de-lança desta equipa foi o brasileiro Anderson Oliveira.

No estilo de jogo utilizado pela formação do Famalicão, João Pedro Sousa viu-se privado, logo nos primeiros minutos, de Gustavo Assunção, a ´batuta´ do meio-campo famalicense, daí ter alterado um pouco a forma de jogo da sua equipa, passando a jogar em ataque mais direto, em toda a largura do campo. Sendo que, a nível defensivo, o Famalicão foi equipa macia, utilizando uma defesa subida.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luiz Júnior (5)

Patrick William (3)

Babic (4)

Diogo Queirós (4)

Rubén Vinagre (5)

Gustavo Assunção (-)

Ugarte (4)

Kraev (5)

Ivo Rodrigues (5)

Heriberto Tavares (4)

Anderson (5)

SUBS UTILIZADOS

Andrija Lukovic (4)

Gil Dias (3)

Robert (-)

Diogo Figueiras (-)

Iván Jaime (-)

 

BNR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CD Nacional 

Não foram colocadas questões ao treinador do CD Nacional, Luís Freire

FC Famalicão

BnR: A muita juventude e a falta de experiência da equipa, explicam a má fase que o clube atravessa?

João Pedro Sousa: Não me quero agarrar à falta de experiência. Claro que há alturas em que há alguma imaturidade, nós sabemos isso e os jogadores também sentem isso. Mas, isso é um risco que nós assumimos desde início. Salvo erro, antes deste jogo, utilizamos 27 jogadores, que poderiam ter jogado na Liga Revelação. Mas é natural, devido aos vários problemas que têm existido na equipa. Lesões, castigos, etc., questões de vária ordem, que nos levaram a utilizar imensos jogadores e o nosso plantel é constituído por gente muito jovem, mas nós já sabíamos que ia ser assim. Claro que há alturas dos jogos ou do campeonato, que um pouco mais de maturidade ajudava, claro que sim, mas não vou por aí, longe de mim arranjar uma desculpa para estarmos na posição que estamos.”

 

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