A irrupção da epidemia de Coronavírus tem tido repercussões negativas, de uma forma geral, em vários domínios da sociedade e o futebol não constitui exceção. Com praticamente todas as provas a se encontrarem suspensas desde meados de março, este surto tem causado bastantes constrangimentos (nomeadamente no plano financeiro).

A título de exemplo, e segundo um estudo publicado recentemente pelo CIES Football Observatory, organismo responsável por investigar fenómenos relacionados com o «desporto-rei», estima-se que o valor de mercado das cinco principais ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França) decaia 28% até 30 de junho de 2020. Por cá, a fim de tentar atenuar as consequências que decorrem da interrupção das atividades desportivas, a Federação Portuguesa de Futebol criou um fundo de apoio ao qual todas as entidades nela registadas poderão recorrer (caso cumpram alguns requisitos): por exemplo, cada clube do Campeonato de Portugal poderá requerer até um máximo de 35 250 euros (valor repartido por duas prestações mensais: uma em maio e outra em junho).

Assim, e ainda que a retoma de quase todas as competições a nível internacional permaneça (para já) uma simples miragem, o «desporto-rei» é, como já se viu, uma importante fonte de receita a nível nacional e, como tal, nunca poderá parar na totalidade. Ora, tendo isto em atenção, o Bola na Rede tentou procurar respostas para a forma como muitos profissionais (desde logo, a começar pelos próprios jogadores) se estão a reajustar perante este cenário de crise e se esforçam por dar continuidade à sua rotina de trabalho.

Para isso, contámos com a ajuda de uma agência de futebolistas, a Team of Future (a quem desde já se agradece, pela disponibilidade revelada para colaborar). Neste momento de crise, o teletrabalho tem sido a solução. No que toca ao futebol, o panorama tem sido o mesmo: grande maior parte dos atletas tem treinado em casa, seguindo planos específicos orientados pela sua equipa técnica. Os jogos não se realizam há mais de um mês e, naturalmente, isso poderia trazer entraves ao nível de scouting tendo em conta que está tudo parado.

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A este respeito, Bruno Carvalho Santos, Diretor Geral da Team of Future, apresentou-nos soluções para tal. Hoje em dia existem as mais diversas ferramentas que avaliam o desempenho de um jogador. O Wyscout ou até mesmo o InStat são plataformas com que as agências, nomeadamente a Team Of Future, trabalham nesse sentido: observar novos jogadores e avaliar os já contratados.

Com todos remetidos ao isolamento das suas casas, a comunicação segue com um papel fundamental no que diz respeito às relações entre os jogadores e as suas agências. Neste sentido, a TOF tem promovido reuniões: “(…) a comunicação entre nós, funcionários, está condicionada e, então, privilegiamos as reuniões online (dia sim, dia não, com todos), durante 2h30, onde, por reunião, vamos alternando entre Futebol Formação e Futebol Profissional”. Se não conseguem acompanhar os jogadores presencialmente, as agências têm tentado estar a par da realidade de cada cada jogador através das mais diversas tecnologias ao nosso dispor nos dias que correm.

Em suma, e tal como em muitos domínios da sociedade, também os profissionais do desporto não cessaram a sua atividade. Deste modo, e ainda que a bola não role dentro das «quatro-linhas», o futebol continua a jogar-se.

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