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Durante 10 anos, os adeptos do futebol português habituaram-se a ver Douglas a defender a baliza do Vitória SC mas, aos 37 anos, o brasileiro retirou-se dos relvados. Na primeira entrevista depois de pendurar as luvas, o antigo guarda-redes falou sobre o começo modesto no futebol brasileiro, o «sonho realizado» de chegar ao Santos FC, a ida para o Vitória SC e as alegrias e tristezas na cidade-berço: desde a conquista da Taça de Portugal, e «aquele» penálti defendido em Chaves que levou os vimaranenses de novo ao Jamor, até à lesão no menisco que colocou a carreira em perigo. Eis Douglas, em exclusivo, no Bola na Rede.

– O pendurar das luvas e os primeiros passos como treinador de guarda-redes –

«Este é o melhor momento para trabalhar com guarda-redes e o melhor clube para começar era o Vitória SC»

Bola na Rede (BnR): Como estão a ser os primeiros tempos longe dos relvados?

Douglas: É uma rotina diferente, mas tem sido bom porque estou sempre em contacto com os guarda-redes da formação, vou para o campo com eles. Essa parte é boa, é uma rotina totalmente diferente mas, aos poucos, vou-me habituando.

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BnR: Quais são as tuas funções no Vitória SC?

Douglas: Eu fiquei com a coordenação dos treinadores de guarda-redes, desde a equipa sub-23 até toda a formação. É muito trabalho [risos].

BnR: Na última temporada fizeste 38 jogos. Porque é que decidiste parar agora?

Douglas: Eu já vinha a pensar nisso, mas era uma coisa pessoal, só falava com a minha mulher. Podia ser esta época ou na próxima, mas devido às circunstâncias cheguei à conclusão que, até para iniciar este outro lado de trabalhar com os guarda-redes, este é o melhor momento… E o melhor clube para começar seria o Vitória SC. É um clube onde estou há muito tempo, o presidente deu-me essa oportunidade e decidi aceitar.

Douglas
Douglas vestiu a camisola do Vitória SC em 235 jogos oficiais
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

BnR: Estavas a contar jogar tantos jogos esta temporada? Porque o Jhonatan chegou para, supostamente, ser titular, mas teve problemas físicos…

Douglas: É assim, nas últimas três épocas eu sempre me preparei para jogar muitos jogos. Para dizer a verdade, eu nunca me preparei para não jogar. Sempre fui assim, punha na minha cabeça que podia jogar todos os jogos. A escolha depende sempre do mister, mas como havia muito campeonato, Liga Europa, Taça da Liga, Taça de Portugal, eu não sabia quantos jogos ia fazer, mas tive a felicidade de fazer 38 jogos e foi muito bom. O ritmo de jogo era elevado, deu para trazer cá para fora tudo o que trabalhava no dia-a-dia. Foi gratificante.

BnR: Mas a época não vos correu lá muito bem. O que falhou?

Douglas: O principal foi não ter alcançado os objetivos, que acabou por marcar a época. Claro que, em certos momentos, jogámos um futebol atraente mas faltaram resultados e alcançar o objetivo. É difícil explicar porque foi uma época atípica, teve essa paragem… Lembro-me perfeitamente que até ao jogo com o Paços [Ferreira], o último jogo antes da paragem, vínhamos de uma fase crescente e boa de resultados, mas quando voltámos da paragem o campeonato é outro. Foi muito tempo em casa, o ritmo de jogo que tínhamos já não estava lá, não houve jogos de preparação, tínhamos dez jogos para cumprir a sério sem fazer nenhuma preparação. Se não tivesse acontecido a paragem podia ter sido muito diferente, mas infelizmente aconteceu isto no Mundo e acabou por nos prejudicar.

BnR: Vocês passaram do Luís Castro, que era um treinador com um estilo muito específico, para o Ivo Vieira. Foi complicado adaptar a essa diferença de jogo?

Douglas: É totalmente diferente. É sempre complicado quando estás habituado a uma coisa e depois tens de te habituar a outra em pouco tempo. Quando há mudanças existe sempre o lado bom e o lado mau. Com o Luís Castro fomos felizes porque alcançámos o objetivo final, que é sempre o mais importante, mas infelizmente com o mister Ivo não conseguimos. Mas são dois grandes treinadores com excelentes ideias, uma diferente da outra, mas é bom jogar com os dois. Tenho a certeza que, logo logo, o mister vai fazer um grande trabalho.

BnR: Apesar dos resultados não serem os melhores, as exibições eram sempre interessantes de se acompanhar, basta olhar para a vossa campanha europeia. Porque é que, no final, não conseguiam ter resultados de acordo com aquilo que jogavam?

Douglas: Não é fácil explicar porque todos os jogos contra adversários «top», não fomos massacrados por nenhum, não estivemos só a defender, bem pelo contrário. Estivemos muitas vezes por cima do jogo, mas quem não faz golos está sempre sujeito a ter resultados menos felizes e foi o que nos aconteceu muitas vezes: criávamos mas não conseguíamos marcar, outras vezes marcámos mas depois sofríamos. Não vou dizer sorte porque não acredito muito nisso, mas faltava um pouco mais de experiência de todos para ser diferente.

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