liga europa

A excelente exibição que o Estoril realizou não foi suficiente para arrecadar pontos nesta receção ao Dínamo de Moscovo, na terceira jornada do Grupo E da Liga Europa. As contas do apuramento só não ficaram mais dificultadas porque PSV e Panathinaikos empataram em Eindhoven, com os gregos a chegarem ao golo do empate perto do fim do encontro.

O treinador dos russos optou por deixar no banco de suplentes vários jogadores bem conhecidos do panorama internacional, como Kevin Kuranyi, Yuri Zhirkov ou Balász Dzsudzsák, o que mostra bem o poderio da equipa do Dínamo. Na primeira parte, não houve qualquer ocasião flagrante de golo, com o jogo muito disputado a meio-campo. Na equipa do Estoril, destaque para a excelente exibição da defesa (quarteto composto por Anderson Luís, Yohan Tavares, Bruno Miguel e Ruben Fernandes, este a atuar como lateral esquerdo) e dos médios Anderson Esiti, Diogo Amado e Tozé. A equipa moscovita não conseguia penetrar na área estorilista, apesar da qualidade de jogadores como o internacional francês Valbuena ou o avançado Alexander Kokorin, uma das maiores esperanças do futebol russo. A estrutura da equipa da Linha apresentava-se muito sólida, com particular destaque para Anderson Esiti, médio que se estreou no encontro com o Panathinaikos e parece que pegou de estaca nos eleitos do treinador. O nigeriano esteve muito bem nas recuperações de bola e no início da construção ofensiva dos estorilistas.

O pior vinha depois, porque o trio composto por Kuca, Sebá e Kléber não conseguia dar o melhor seguimento às jogadas de ataque dos portugueses. Os imponentes centrais Douglas e Samba não davam hipóteses no jogo aéreo, mas a sua falta de velocidade não foi devidamente aproveitada. Faltou sempre uma melhor definição nos últimos 30 metros, e assim chegámos ao intervalo com um nulo no marcador e nenhum remate que obrigasse Gabulov a trabalhos forçados. Kléber ainda teve uma boa chance aos 24 minutos, mas rematou fracamente e à figura do guardião russo. Ainda assim, notava-se que a equipa do Estoril estava a apresentar-se a um bom nível, com a defesa e o meio-campo muito agressivos sobre a bola, a não darem grandes chances para que os russos pudessem criar perigo.

Estoril mostrou qualidade, mas os russos foram muito mais eficazes Fonte: Zerozero.pt
Estoril mostrou qualidade, mas os russos foram muito mais eficazes
Fonte: Zerozero.pt

Na segunda parte, o Estoril voltou a entrar bem e o lateral Anderson Luís fez uma diagonal, beneficiou do trabalho de Sebá e Kléber a arrastar os defesas e rematou para uma defesa segura de Gabulov. Era sinal de que o Estoril vinha para tentar ganhar o jogo. Contudo, aos 52 minutos, Kokorin gelou o António Coimbra da Mota. O avançado recuou para fugir da marcação dos centrais e rematou colocado com a bola a bater nos dois postes antes de entrar na baliza de Vagner. Sem fazer quase nada por isso, o Dínamo colocava-se em vantagem na Amoreira. A reação da equipa portuguesa ao golo sofrido foi boa. Kuca, Kléber e Anderson Esiti obrigaram os defesas russos e Gabulov a desviarem três remates para canto. O Estoril estava “por cima” no jogo e beneficiou de uma grande penalidade ao minuto 73. Num contra-ataque desenhado por Sebá e Tozé, o português passou para Kléber que cruzou com a bola a ser interceptada pelo braço esquerdo de Douglas. Penálti claro a favor dos portugueses. Contudo, Kléber foi displicente e permitiu a defesa de Gabulov com os joelhos. Depois do golo contra a corrente do jogo de Kokorin, foi Kléber a deixar desolados os cerca de 2000 adeptos que estavam nas bancadas. A conversão da grande penalidade foi muito denunciada e, frente a um guarda-redes experiente como Gabulov, esse foi um fator determinante.

Cinco minutos depois, Zhirkov, entretanto lançado por Cherchesov na partida, fez o segundo para os russos. O jogador que já alinhou no Chelsea antecipou-se a Bruno Miguel e cabeceou para as redes de Vagner após um bom cruzamento do equatoriano Noboa.

As entradas no último quarto de hora de Arthuro, Cabrera e Ricardo Vaz pouco acrescentaram a uma equipa que esteve bem organizada mas que não soube resistir à frieza do terceiro classificado da liga russa, que foi muito mais eficaz na finalização. Já nos descontos, o Estoril chegou ao golo de honra. Yohan Tavares, um dos melhores em campo, foi até à área contrária e rematou à meia volta, marcando um golaço num remate sem hipóteses para Gabulov. Um 1-2 é um resultado bastante injusto para a equipa portuguesa, que não soube aproveitar o domínio territorial que teve na segunda parte do encontro.

Com estes resultados, os russos estão cada vez mais confortáveis no primeiro lugar do grupo. Já o Estoril está no terceiro lugar, a apenas um ponto do PSV e ainda com esperanças de alcançar o apuramento para a fase seguinte. Se a equipa portuguesa fizer mais exibições como a de hoje, pode sonhar com a passagem à fase seguinte. O próximo jogo é na Rússia, frente a este Dínamo.

A Figura:

Anderson Esiti – O médio nigeriano de apenas 20 anos esteve muito bem na partida, chegando até a parecer que já joga há muito tempo nesta equipa, quando na realidade fez apenas o quarto jogo pelo Estoril. Sempre muito seguro na recuperação, controlo da bola e no passe, foi um dos esteios da boa organização que o Estoril patenteou ao longo do encontro. Não foi por acaso que foi um dos nomes de que se falou no verão para uma eventual substituição de William Carvalho no Sporting…

O Fora de Jogo:

Kléber- O avançado até nem esteve muito mal, mas falhou nos momentos chave. Na primeira parte, rematou fraco para Gabulov quando poderia ter feito melhor. A meio da segunda metade, bateu mal a grande penalidade e desperdiçou a grande chance que o Estoril teve para empatar a partida. Depois de ter sido um dos marcadores na vitória sobre o Panathinaikos, desta vez não foi o goleador de que o Estoril necessitou.

Comentários

Artigo anteriorUm Chelsea com Futuro
Próximo artigoReduções nos jogos ou no tempo
Apaixonado por futebol, antes dos livros da escola primária já lia jornais desportivos. Seja nas tardes intermináveis a jogar, nas horas passadas no FIFA ou a ver jogos, o futebol está sempre presente. Snooker, futsal e andebol são outras paixões. Em Portugal torce pelo Sporting; lá fora é o Barcelona que lhe enche as medidas. Também sonha ver o Farense de volta à primeira…                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.