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Depois da histórica vitória na primeira jornada desta Algarve Cup frente à China, a seleção nacional feminina tinha pela frente um desafio ainda maior, nada mais nada menos que a quarta classificada do ranking da FIFA, a Austrália, que não falha uma fase final do Campeonato do Mundo feminino desde 1995.

Contrariamente ao esperado, Portugal começou a mandar no jogo, tendo dominado boa parte dos primeiros dez minutos. No entanto, a Austrália não demorou a impor o seu jogo e podia mesmo ter chegado à vantagem, só que a árbitra entendeu que a falta de Ana Borges dento da área… foi fora da mesma. As australianas optavam por sair sempre a jogar com critério, fruto da maior qualidade técnica das suas jogadoras. Aproveitando a mobilidade da sua frente de ataque e a robustez do seu meio campo defensivo, Portugal ia pressionando a equipa adversária, obrigando as australianas a errar alguns passes e possibilitando aproximações vertiginosas à baliza de Williams.

A melhor oportunidade da primeira parte pertence mesmo à equipa das Quinas: estavam decorridos 35 minutos quando Diana Silva, depois de uma grande combinação com Jéssica Silva, isolou-se e, na cara de Williams, rematou à figura da guardiã. Tinha tudo para inaugurar o marcador!

O intervalo chegou com muitos motivos de satisfação para Francisco Neto, já que a sua equipa estava a bater-se de igual para igual frente à quarta seleção do ranking, que estava a sentir muitas dificuldades para travar, sobretudo a tecnicista e veloz Jéssica Silva.

As jogadoras portuguesas disputaram cada bola como se fosse a última
Fonte: FPF

No segundo tempo a toada manteve-se, com um jogo equilibrado e as duas equipas a lutar muito para levar de vencido este jogo. O relvado do estádio do Algarve estava cada vez mais difícil, o que obrigava ambas as equipas a procurar outras soluções. As jogadoras vindas do banco australiano vieram dar outro tipo de agressividade, mas a alma lusitana ia conseguindo contrapor a balança. Os últimos minutos foram algo incaracterísticos, com “bola cá, bola lá” e o jogo podia cair para qualquer lado. No entanto, o empate prevaleceu, tendo ainda Vanessa Marques rematado para uma grande estirada de Williams e a defesa portuguesa afastado todas as aproximações das australianas.

Um empate que se ajusta, mas se houvesse um vencedor teria que ser Portugal! Que grande demonstração de carácter da equipa das Quinas, com um crescimento incrível no último ano! Na edição transata desta Algarve Cup, sentia-se que ainda estava uns patamares abaixo das equipas de topo. Apenas um ano volvido, levou de vencida a seleção chinesa (décima quarta do ranking) e empatou com a Austrália (quarta). Isto já depois de ter feito história ao estar presente no Europeu pela primeira vez e ao vencer um dos jogos dessa competição.

A equipa apresenta um jogo mais solto e as jogadoras estão muito mais entrosadas. Isto pode ser justificado por uma maior qualidade do campeonato nacional, fruto, sobretudo do Sporting e do Sporting de Braga, que trouxeram para o nosso campeonato muitas jogadoras portuguesas que estavam no estrangeiro e potenciaram a imergência de novos valores. Para se ter uma ideia, do onze inicial utilizado hoje por Francisco Neto, apenas quatro jogadoras não atuavam no Sporting ou no Sporting de Braga. É também de exaltar o trabalho de Francisco Neto e de toda a federação no desenvolvimento do futebol feminino em Portugal.

Portugal parte para a última jornada na liderança do grupo, a par do adversário de hoje, ambos com quatro pontos. A Noruega vem logo a seguir com três, enquanto que a China é a última classificada, ainda sem pontuar. Uma vitória na última jornada pode garantir uma inédita luta pelos primeiros lugares da competição.

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