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Com seis vitórias e um empate na fase de apuramento do campeão, que lhe permitiram levar o título nacional para casa, o Clube Futebol Benfica – mais conhecido por Fófó – voltou a dar alegrias à freguesia de Benfica e conquistou a Taça de Portugal.

Pico de Regalados, Boavista, Valadares Gaia e, na final, Clube de Albergaria foram as vítimas da formação lisboeta, que, nesta edição da prova rainha do futebol português, não conseguiram fazer frente a uma equipa experiente, bem organizada e, acima de tudo, bem orientada. Ninguém tem dúvidas de que são as jogadoras que pisam o relvado que conseguem alcançar as vitórias através da sua qualidade técnica e táctica. No entanto, é justo referir que (mais de) metade do trabalho é realizado igualmente pela equipa técnica. Afinal de contas, quem são os principais intervenientes do feito alcançado pelo Clube Futebol Benfica?

Pedro Bouças, de 35 anos, chegou ao Fófó há duas épocas e já é notória a evolução da equipa de Benfica. Antes de ingressar no Clube Futebol Benfica como treinador principal, detinha o cargo de treinador adjunto no rival 1º de Dezembro, formação que dominou o futebol feminino por mais de uma década. Ao abraçar este novo projecto, fez-se acompanhar de algumas das melhores jogadoras que constituíam a equipa sintrense, das quais são exemplo a extremo Andreia Silva e a avançada Filipa Galvão.

O treinador Pedro Bouças (direita) fez-se sempre acompanhar pelo fisioterapeuta João Coelho (esquerda) ao longo da época Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino
O treinador Pedro Bouças (direita) fez-se sempre acompanhar pelo fisioterapeuta João Coelho (esquerda) ao longo da época
Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino

Mais tarde, conseguiu também integrar no seu plantel a centro campista Patrícia Gouveia, que, depois de uma experiência em Itália, decidiu regressar a Portugal e apresentar-se ao serviço de Pedro Bouças. Estas “jogadas” revelaram ser de génio, uma vez que as atletas referidas fazem parte, actualmente, da espinha dorsal do Fófó. Afinal de contas, mais experiência e ainda mais qualidade nunca são demais. O técnico português teve assim a capacidade de fundir dois plantéis em prol de um único objectivo: elevar a fasquia no seio do Clube Futebol Benfica. Para além deste aspecto, a forma como encara o futebol e, certamente, a forma como trabalha conquistou toda a equipa.

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Quanto às jogadoras que já vestiam de vermelho e preto, apesar das adversidades pelas quais passaram em épocas anteriores, conseguiram levantar a cabeça e conduzir o Fófó ao sucesso. A chave? Muito provavelmente o amor à camisola, o laço que as une e a crença no novo projecto trazido por Pedro Bouças. Parece-me pertinente mencionar algumas dessas atletas que pertencem aos quadros do Clube Futebol Benfica já há algumas épocas, como é o caso da guarda-redes Elsa Santos, da defesa central Ana Teixeira, da avançada Joana Flores e da capitã de equipa Matilde Fidalgo. Para mim, estes quatro nomes conseguem ser sinónimo de árduo trabalho e dedicação, qualidades que são tão ou mais importantes do que a habilidade que nasce com qualquer jogadora.

Joana Flores foi a autora do golo que colocou o Clube Futebol Benfica no pódio do Jamor. Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino
Joana Flores foi a autora do golo que colocou o Clube Futebol Benfica no pódio do Jamor.
Fonte: Clube Futebol Benfica Feminino

O Clube Futebol Benfica encontrou desta forma o antídoto certo para alcançar a glória. É composto por uma estrutura sólida, por um plantel dedicado e por uma equipa técnica que acredita que o futebol feminino tem pernas para andar. Os resultados falam por si: em 28 jogos oficiais realizados esta época (campeonato nacional e Taça de Portugal), o Fófó regista 22 vitórias, três empates e apenas três derrotas. O próximo desafio irá ser a participação histórica na fase de grupos da Liga dos Campeões.