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20 de Janeiro, 2022

Pepe FC Porto

200 jogos: O estranho caso de Pepe | FC Porto

No passado domingo, o FC Porto aproveitou a ressaca do embate com o Vitória SC para enaltecer, via redes sociais, a marca de 200 jogos com a camisola do clube, atingida por Pepe. Para quem não sabe, Képler Laveran Lima Ferreira, é o seu nome.

Apesar de ausente dessa partida, o capitão portista, com os 25 minutos somados no confronto com o Liverpool, atingiu um número redondo e o clube não quis deixar passar a ocasião. É, de facto, um marco assinalável na carreira de um jogador que se assumiu, nos últimos 15 anos, como um dos melhores defesas centrais do futebol mundial.

São 200 jogos de azul e branco, no entanto, se tivermos em conta que Pepe chegou, pela primeira vez, ao FC Porto no verão de 2004, há quase 20 anos, seria expectável que fossem muitos mais.

Não o são pelo simples facto de que o internacional português passou uma década ao serviço de um dos maiores clubes do mundo, o Real Madrid, onde ganhou tudo o que havia para ganhar.

Estou em crer que, não fossem algumas atitudes irrefletidas e antidesportivas que Pepe foi tendo ao longo da carreira, o reconhecimento da opinião pública e publicada mundial seria ainda maior.

Seria da mais elementar justiça, dada a sua qualidade enquanto jogador, mas Pepe só se poderá culpar a si próprio pelos inimigos que foi ganhando ao longo do seu percurso futebolístico.

Pelo FC Porto, estreou-se em 2004. Depois de um primeiro ano de adaptação de alguma irregularidade exibicional, é com a chegada do holandês Co Adriaanse que explode. Muitos se lembrarão do esquema de três defesas (e não de três centrais) que era habitualmente utilizado pelo ex-técnico portista naquela altura. Pepe era pau para toda a obra e, sozinho, fazia o papel de dois.

Já com passaporte e nacionalidade portuguesa, o Pepe que deixa o FC Porto em 2007, depois de uma temporada fantástica a jogar ao lado de Bruno Alves, sob o comando do professor Jesualdo Ferreira, para jogar em Espanha era, já naquela altura, um dos melhores da sua posição.

A sua primeira passagem pelo FC Porto fica marcada por uma capacidade atlética ímpar e uma técnica muito apurada.

Era um jogador ágil e veloz que controlava de forma exímia a profundidade, mestre no jogo em antecipação, praticamente intransponível no um para um, dotado de um assinalável poder de impulsão e de uma capacidade de passe bastante acima da média.

Era, de facto, um jogador muito completo e que pecava, apenas, por algum excesso de virilidade que, em boa verdade, nunca perdeu, mas aprimorou.