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A lição do dragão só pecou pela falta de eficácia

Nélson Mota · 4 min

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fc porto cabeçalhoJogo grande de dois grandes a encabeçar a jornada 13 do campeonato português. As balizas encarnadas e azuis e brancas permaneceram virgens durante todos os 90 minutos mas não faltou intensidade, drama e polémica, muita polémica! Ingredientes fundamentais para um clássico entre FC Porto e SL Benfica.

O SL Benfica chegou ao Dragão “dado como morto” e sem grandes surpresas no onze, apresentou-se ao jogo com um 4-3-3 que pouco a pouco tem-se sobreposto ao 4-4-2 que já vem desde o tempo de Jorge Jesus. O esquema com dois avançados tem proporcionado nos últimos anos várias conquistas e alegrias aos adeptos encarnados, mas mais recentemente é sinónimo de maus resultados, principalmente na Liga dos Campeões. No entanto, o 4-3-3 com que o SL Benfica subiu ao relvado mostrou-se competente e com Krovinovic a mostrar rasgos de génio e Bruno Varela a ter uma exibição inspirada permitiram às aguias sobreviver com um ponto no Dragão.

Por sua vez, o FC Porto apresentou-se igualmente com um 4-3-3 com Brahimi pela esquerda, Marega na direita e Aboubakar no centro. Este esquema tático era, no entanto, mais flexível do que o dos encarnados, já que o extremo maliano frequentemente “colava” na frente a Aboubakar algo que já não lhe é estranho e pudemos assistir em alguns momentos do jogo a nuances de 4-4-2

Os dragões estiveram por cima do jogo grande parte do encontro Fonte: FC Porto
Os dragões estiveram por cima do jogo grande parte do encontro
Fonte: FC Porto

Apesar de os dragões serem dados como favoritos e até potencialmente vencer facilmente os rivais face ao mau momento das águias, a verdade é que foram os homens de Rui Vitória a controlar as rédeas do encontro nos vinte minutos iniciais do encontro. O início de jogo tipicamente intenso que Sérgio Conceição tem habituado os adeptos portistas teimava em surgir e o SL Benfica surpreendeu (até talvez aos seus próprios adeptos) com um futebol fluído e irreverente, algo pouco visto nesta época. Em contrapartida, o FC Porto tremia com José Sá a mostrar-se desconfortável nas saídas aéreas e a únicas investidas de ataque eram protagonizadas por contra-ataques esporádicos e desapoiados de Marega.

O barulho ensurdecedor de um Estádio do Dragão completamente lotado fez acordar a turma de Sérgio Conceição e depois dos primeiros vinte minutos da primeira parte assistimos a um encontro completamente diferente e desnivelado em que uma equipa só atacava e outra só defendia, uma dominava e outra tentava aguentar-se como podia, uma tentava ganhar e a outra lutava por um ponto. O FC Porto colou as águias às cordas!

Na segunda parte, os dragões passaram a maior parte do tempo na área adversária, recuperando a bola em zonas altas e a criar grandes problemas às águias. Marega, Brahimi e Ricardo eram os mais inconformados com o empate mas acabavam sempre por embater na muralha impenetrável que foi Bruno Varela nessa noite. A lição de Sérgio Conceição parecia finalmente afinada, no entanto a eficácia carecia de uma afinação urgente. Que o diga Moussa Marega! O avançado maliano falhou por duas vezes duas oportunidades flagrantes de baliza aberta para o desespero dos adeptos portistas.

Os encarnados mostraram-se grande parte do encontro inseguros com a bola nos pés e incapazes de criar oportunidades relevantes. Era visível a luta sufocante pela conquista do ponto que provava que “as águias estavam vivas” no campeonato português. Houve momentos do jogo em que nem pareciam de dois grandes a defrontaram-se tal era o desnível das duas equipas.

O avançado maliano demonstrou uma grande falta de eficácia Fonte: Instagram Oficial de Moussa Marega
O avançado maliano demonstrou uma grande falta de eficácia
Fonte: Instagram Oficial de Moussa Marega

A terceira equipa em campo, a de arbitragem, também fez questão de marcar presença. E de que forma! Jorge Sousa fez questão de ser protagonista em dois momentos de jogo flagrantes. Primeiramente ficou um penálti por marcar a Luisão que intercetou a bola com o braço dentro da grande área e, já na segunda parte, o árbitro foi mal-auxiliado num fora-de-jogo tirado a Aboubakar e que impediu o golo claro de Herrera. O mais grave e incompreensível desta última decisão polémica foi o facto de Jorge Sousa mostrar-se perentório na decisão de nem sequer consultar o VAR mostrando uma confiança e coragem verdadeiramente impressionantes naquela que é uma profissão em que raramente se erra!

Ainda antes do fim, mais confusão para manchar o encontro. Zivkovic recém-entrado vê o duplo amarelo e consequente expulsão e estalou ainda a confusão no banco do SL Benfica iniciada por Marega e finalizada com um adepto portista a agredir Pizzi. Lamentável!

Até ao fim do encontro os dragões bem tentaram, mas nunca conseguiram perfurar a barreira encarnada que estiveram sempre competentes no setor defensivo apesar da falta de inspiração atacante.

As águias iriam conseguir mesmo sobreviver a um “quase massacre” no Dragão mantendo assim aberta a luta a três pelo título. Para os adeptos portistas fica uma sensação amarga pela falta de eficácia dos seus jogadores, mas também uma sensação de injustiça pelas más decisões tomadas por Jorge Sousa.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

Nélson Mota

Redação Bola na Rede · ver artigos