As conferências de imprensa de Paulo Fonseca são algo que me deixam sempre colado ao televisor. Não é por cometer gaffes na língua portuguesa, nem por ter uma forma engraçada de falar. O meu fascínio deve-se exclusivamente ao conteúdo das palavras que saem da boca do treinador do Porto.

Já por várias vezes afirmei que, na maioria das vezes, Paulo Fonseca fala demasiado e acaba por proferir palavras muito infelizes. Recentemente, quando confrontado com a ausência de Otamendi na lista de inscritos para a Liga Europa, Paulo Fonseca dirigiu a questão para a alçada da direcção, afirmando que é um assunto que será resolvido pela mesma. Perfeito. Se tivesse ficado por aqui, não havia nada a apontar. Porém, Paulo Fonseca alongou-se sobre o assunto e “deixou fugir” que o argentino não fazia parte dos planos. Erro. Podemos até dizer que os boatos da saída de Otamendi eram bastante fortes, mas não cabe ao treinador dar a entender que o jogador está de saída. Um exemplo em muitos com que o treinador brinda a comunicação social.

Ontem, após o jogo com o Gil Vicente – onde o Porto fez um jogo sem espinhas num relvado com a qualidade do quintal da minha vizinha – num momento de pura lucidez, Paulo Fonseca, na sua voz excessiva que a mim me soa a arrogante, disse que são os jogadores que precisam de cativar os adeptos. Paulo Fonseca finalmente descobriu a pólvora! Obviamente que são os jogadores que fazem mover os adeptos. São as boas exibições que promovem o carinho e a preocupação dos adeptos. É a classe do jogo azul e branco que faz adeptos do Porto viajarem até Barcelos, como ontem, para verem a sua equipa jogar num campo de batatas com condições bastante incomodativas.

Já o disse em artigos passados e mantenho a minha posição: os adeptos são a peça mais importante da estrutura de um clube. Boas exibições, vitórias e praticar bom futebol. Estas são as bases de uma massa de apoiantes. Numa situação como a do Porto – segundo lugar, com um atraso de 4 pontos perante o seu principal rival Benfica – é imperativo que os adeptos estejam do nosso lado.

Falta ainda muito jogo…

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A segunda volta ainda agora começou e a última jornada é jogada no estádio do Dragão. Mas para manter a luta acesa e fazer planos para receber as faixas de campeão é necessário, para além de mostrar bom futebol, ter adeptos nas bancadas. Desde o Superbowl (o equivalente à final da Champions League de futebol americano) que o conceito dos Seattle Seahawks do 12º jogador está ao rubro. Pois, em momentos complicados, vamos precisar desse 12º homem em campo.

 

O 12º jogador azul e branco Fonte: Fotosdacurva.com
O 12º jogador azul e branco
Fonte: Fotosdacurva.com

 

Não estou contra Paulo Fonseca. Pinto da Costa confiou-lhe o comando técnico do Porto com a certeza de que ele faria um bom trabalho. Porém, não sou cego perante o jogo e tudo o que o rodeia. Como tal, posso dizer que não sou o maior fã de Paulo Fonseca, mas se ele conseguir fazer o seu trabalho e elevar o Porto ao seu estatuto de vencedor e de melhor equipa de Portugal, serei o primeiro a dar-lhe mérito e a congratulá-lo. No Porto, o mais importante são os resultados. Todos os elementos que fazem parte do clube são avaliados conforme os resultados. Se Paulo Fonseca mostrar trabalho, vai continuar a fazer parte da estrutura. Com sorte até ganha mais um fã… Mas ainda falta muito.

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O José rejeita a expressão “portista desde pequenino”, uma vez que até nem nasceu do Porto. Mas rapidamente entendeu que é no norte que se pratica bom futebol. E, como defensor dessa prática, afirma convictamente que o Porto é mesmo a melhor equipa em Portugal.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.