Adaptação antes da explosão? | FC Porto

    Chegados à paragem para o Mundial 2022, chegou o momento, no que diz respeito ao futebol nacional, para os primeiros balanços e as primeiras reflexões. Como tal, hoje, trago uma reflexão sobre aquela que tem sido a performance dos reforços contratados pelo FC Porto no último mercado de transferências.

    Como tem vindo a tornar-se hábito desde que Sérgio Conceição assumiu os destinos da equipa do FC Porto, as contratações de verão vivem, neste momento, uma imprescindível fase de adaptação e um período que o treinador portista, normalmente, utiliza para ambientar os novos jogadores à sua ideia de jogo e aproveita para enraizar e aliar aqueles que são os seus métodos e princípios de pressão e competitividade às qualidades que os jogadores evidenciaram nos seus anteriores clubes para que se possam tornar, a breve trecho, em peças importantes para a equipa.

    Assim sendo, não há, até ao momento, nenhum jogador que tenha sido contratado no início da época que tenha sido capaz de assumir um papel de destaque na equipa.

    No verão de 2022 chegaram ao clube Samuel Portugal, para a baliza, David Carmo, para o eixo da defesa, André Franco, para o meio-campo e Gabriel Verón, jovem promessa do futebol brasileiro, para o ataque. A juntar a estes, deu-se o regresso de empréstimo de Rodrigo Conceição, filho do treinador, para compor a lateral direita.

    Ora, com exceção de David Carmo, que chegou ao clube já como figura de proa da liga portuguesa e que acabou por ter alguma regularidade no que ao número de minutos em campo diz respeito, mais nenhum outro jogador conseguiu a continuidade que eventualmente alguns esperariam.

    Rodrigo Conceição FC Porto Anadia FC
    Fonte: Rafael Ferreira/Bola na Rede

    Avançando para uma avaliação caso a caso, comecemos por Samuel Portugal. O guarda-redes brasileiro vive, atualmente, na sombra de Diogo Costa e as opções de Sérgio Conceição para os jogos da taça de Portugal indicam que, também Cláudio Ramos está à sua frente na hierarquia. O destaque que Samuel Portugal poderá vir a ter na equipa do FC Porto estará sempre ligado a uma eventual transferência do guarda-redes titular da seleção portuguesa no futuro.

    Já Rodrigo Conceição, que teve um empréstimo não muito bem-sucedido ao Moreirense FC na época passada, tem sido chamado à equipa em jogos de grau de dificuldade teoricamente menos exigentes e, embora seja um jogador aguerrido, vai mostrando algumas limitações que o afastam das opções em jogos de maior nomeada.

    No que concerne ao meio-campo, André Franco contabiliza muito poucos minutos de jogo e será mais um caso evidente de um jogador que precisa de ganhar maturidade e ritmo competitivo para juntar às qualidades técnicas que evidenciou na época passada, ao serviço do Estoril, antes de poder reclamar mais minutos em campo.

    Otávio Veron
    Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

    Nas alas ofensivas, uma das grandes esperanças para o futuro dá pelo nome de Gabriel Verón. É um jogador que, tal como Luís Diaz no seu tempo e, mais recentemente, Pepê, vive um natural período de espera e habituação ao ritmo do futebol europeu e aos princípios de pressão e jogo sem bola fundamentais para Sérgio Conceição. Todavia, acredito que a breve prazo poderá ser um dos principais destaques da equipa.

    Deixei para último o caso de David Carmo. O central português chegou ao FC Porto por 20M€ e esperava-se que fosse capaz de pegar de estaca. Depois de alguns jogos no banco, assumiu o lugar no onze titular, mas a irregularidade exibicional e o lance infantil que protagonizou em Bruges retiraram-no, justamente, da equipa. A sua qualidade é inegável e não tardará a reassumir o seu lugar na equipa. Até lá, deve fazer trabalho técnico, tático e, acima de tudo, mental, para estar pronto a mostrar que tem o que é necessário para se tornar num central de referência a nível nacional e europeu.

    Galeno FC Porto
    Fonte: DIogo Cardoso/BnR

    Para terminar, lanço o nome de dois jogadores que acabam por ser o exemplo perfeito de elementos que tiveram que percorrer o caminho das pedras antes de encontrarem o seu lugar ao sol no seio do plantel. Eustáquio, que é, hoje, o patrão do meio-campo e Galeno, um dos jogadores mais importantes na manobra ofensiva da equipa, chegaram ao clube no princípio do ano e, depois de largos meses de escassa utilização e de preparação, acabaram por assumir o seu lugar no onze portista.

    Em suma, o facto que não haver, ainda, um reforço a evidenciar-se como figura de proa do FC Porto deve ser encarado com naturalidade, uma vez que tal sucede com frequência desde que Sérgio Conceição foi contratado. Parece-me, no entanto, indubitável que no caso de alguns jogadores, particularmente David Carmo ou Gabriel Verón, o momento é, nesta altura, de adaptação antes da explosão.

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    Bernardo Lobo Xavierhttp://www.bolanarede.pt
    Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.