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Afinal, faz sentido torcer contra o sucesso do SL Benfica na Europa?

José Mário Fernandes · 3 min

André Villas-Boas
Foto: Marselha

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Fizeram correr muita tinta as palavras do antigo técnico do FC Porto, André Villas-Boas. Em conferência de imprensa, o agora treinador do Marselha revelou, quando confrontado com o facto de os adeptos do emblema do sul de França terem saído às ruas para festejar a derrota do PSG na Champions, que também torceria contra o Benfica, caso os encarnados alcançassem uma final na Europa.

A questão que imediatamente se colocou foi a seguinte: pensamentos como este fazem sentido? A resposta, no contexto que atualmente vivemos, não poderia ser mais óbvia: sim, este tipo de pensamentos fazem total sentido.

No entanto, antes de mais nada, uma pequena ressalva. Ao referir que as declarações do técnico português “fazem sentido”, não estou de maneira alguma a concordar com as mesmas. “Fazem sentido” apenas e só por serem coerentes com o clima de guerrilha sob o qual o futebol nacional respira.

Algo incomum seria, após semanas e semanas de insultos, insinuações, suspeição, arbitragens, políticos aqui e ali, que chegássemos a uma terça-feira qualquer e esquecêssemos tudo isso, colocássemos o clubismo de lado e torcêssemos pelo sucesso daqueles que ostentam também a bandeira portuguesa.

No fundo, estas recentes declarações de Villas-Boas vêm trazer à tona uma nova direção que boa parte dos adeptos de futebol, deste e do outro lado da fronteira, têm vindo a seguir: o de anti-qualquer coisa. São cada vez menos adeptos daquele que dizem ser o seu clube, são cada vez mais inimigos do seu rival. Já não é o amor pelo seu clube que os leva a acompanhar este desporto, mas sim o ódio que nutrem pelo seu maior rival.

As conquistas do “seu clube” não são festejadas única e exclusivamente pelo facto de serem isso mesmo; é celebrado o facto do rival não ter ganho. Há dois anos, alguém se lembra de ter festejado a conquista do campeonato? Ou vem primeiro à memória o “não-penta” do rival?

Faço agora a ponte até ao tema inicial. Vivendo numa bolha na qual se prega o “olhar para a casa do vizinho enquanto a nossa está a arder”, facilmente nos esquecemos que estamos todos no mesmo barco; e já nem falo no ranking (até porque me parece que esse argumento é demasiado claro). As derrotas dos portugueses na Europa, ou então as humilhações que, geralmente, são mais aplaudidas, descredibilizam o futebol português como um todo. É a qualidade de todas as nossas equipas que é posta em causa, não apenas daquela a quem calhou ser derrotada.

E para aqueles que acreditam que as suas preferências individuais nesta matéria pouca ou nenhuma influência têm na prática, aqui vai um exemplo: em abril do ano passado, a federação holandesa adia a penúltima jornada do seu campeonato, de modo a permitir que o Ajax se apresentasse na máxima força perante o Tottenham, em jogo a contar para as meias-finais da Liga dos Campeões. Agora, pergunto: alguém imagina semelhante situação em Portugal? Os dirigentes, contaminados pela mesma cegueira que já infestou uma parte dos adeptos, permitiriam que tal ocorresse?

O futebol português só tem a ganhar com campanhas europeias fortes. Faz sentido torcer para que tal não aconteça? Faz sentido torcer para que a Europa não se interesse pelo nosso futebol, pelas nossas equipas, pelo nosso campeonato?

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

José Mário Fernandes

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Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
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