Estamos no mês de outubro e a Primeira Liga está em standby, enquanto decorre a sempre habitual pausa para as seleções.

É, pois, hora de começar com as primeiras reflexões sobre estes dois meses de campeonato, sendo que a equipa do FC Porto tem os seus “quês” que devem ser discutidos no universo azul e branco.

Pode-se dizer que este foi um início de temporada em que, como era esperado, existiram alguns jogadores que se destacaram e outros que não sendo já “flops” deixaram a nação azul e branca um pouco desiludida.

Nos próximos parágrafos, vou-vos falar daqueles jogadores que até agora deixaram os adeptos portistas com água na boca, isto é, das maiores surpresas deste início de temporada no FC Porto. Alguns foram uma autêntica surpresa, isto porque ninguém esperava o seu sucesso imediato de dragão ao peito, enquanto que outros já vinham com um historial bastante positivo, não deixando de encaixar nas maiores surpresas dos dragões.

O primeiro jogador que vou mencionar é, quiçá, a maior surpresa deste início de temporada do FC Porto e até do campeonato. Chamado por muitos Zé golo, Zé Luís tem surpreendido tudo e todos, somando até agora, nada mais nada menos do que seis golos no campeonato. O jogador proveniente do Spartak de Moscovo não foi uma escolha consensual para a massa associativa azul e branca, mas a verdade é que neste momento são poucos os portistas que não gostam de Zé Luís e daquilo que ele oferece ao jogo. Para além da sua veia goleadora, o jogador cabo-verdiano é dotado de uma grande complexão física, o que ajuda a que seja bom no jogo aéreo. A juntar a tudo isto, tem uma boa qualidade técnica, bom remate, chutando bem com os dois pés. Ele foi o responsável por sentar Tiquinho Soares – melhor marcador do FC Porto na época transata – no banco de suplentes, formando com Marega uma dupla temível para as defesas adversárias.

Zé Luís foi, sem dúvida, a maior surpresa deste início de temporada no FC Porto.
Fonte: FC Porto

O segundo jogador que se pode considerar como uma surpresa positiva deste início de temporada dos dragões é Augustín Marchesín. O guarda-redes já internacional argentino proveniente do Club de Fútbol América era um ídolo para os adeptos dessa equipa, levando a que a massa associativa do clube mexicano implorasse “No te vayas, Marche”. Com um espírito de liderança bem vincado, Marche é um guarda redes muito completo, destacando-se entre os postes (em que parece que tem asas para defender todas as bolas), e no jogo com os pés, ajudando a equipa a construir desde trás e saindo bem de entre os postes. É importante referir que Marchesín ficou com uma herança pesada, pois não é qualquer jogador que consegue substituir o lendário Iker Casillas. Neste início de temporada até tem sido posto mais à prova que o astro espanhol na época passada. É caso para dizer que chegou, jogou e convenceu.

À boleia de Marchesín veio Matheus Uribe, outro dos destaques e surpresas deste início de temporada. De origem colombiana e proveniente também do Club América, Uribe veio com a missão de fazer esquecer Hector Herrera, herdando o número 16, outrora pertencente ao internacional mexicano. Apesar de ainda não se ter estreado a marcar de dragão ao peito, o internacional colombiano oferece muito ao jogo portista. Para quem não conhece bem este jogador, este é quase um Hector Herrera, mas com uma maior qualidade técnica e de circulação de bola. Se juntarmos o box-to-box do internacional mexicano à visão de jogo do ex-portista Óliver Torres, aparece-nos Matheus Uribe. Apesar de não dar muito nas vistas dentro das quatro linhas, este jogador assume um papel no FC Porto um pouco diferente daquele que assumia no Club América, sendo responsável por muitas recuperações de bola dos dragões. É neste momento um jogador insubstituível para a equipa, assumindo-se como um dos pilares da estrutura azul e branca.

Outro jogador que se pode considerar uma surpresa é Romário Baró. Apesar de não ser atualmente titular nesta equipa, desde a pré-época mostrou ao que vinha. Depois de na época passada ter brilhado ao serviço da equipa B e dos sub-19, este menino de ouro herdou o número oito que antes pertencia ao mágico Yacine Brahimi. Não é fácil para um jovem herdar um número com tanta importância no panorama azul e branco, mas Romário Baró já mostrou ser capaz de exceder as expetativas. Dotado de uma grande visão de jogo e capacidade de encher o campo, o menino das trancinhas – agora lesionado – procura recuperar e regressar na máxima força para discutir a titularidade com Otávio.

Por último, Luis Díaz é o último jogador que, a meu ver, surpreendeu neste início de temporada. O extremo colombiano assinou pelo FC Porto com um grande legado deixado pelos craques colombianos que já representaram os dragões. Apesar de nos últimos jogos ter perdido a titularidade para Shoya Nakajima, o jogador natural de Barrancas destacou-se nos primeiros jogos do campeonato, sendo que, o auge do seu momento de forma foi no clássico frente ao SL Benfica no Estádio da Luz em que criou muitos problemas a Nuno Tavares. Claro que as suas qualidades já eram reconhecidas no Junior Barranquilla e na Seleção Colombiana, mas a sua verticalidade, capacidade no um para um, velocidade e qualidade de remate foi uma boa surpresa para os portistas. Veremos se o número sete dos dragões estará à altura desse legado deixado por jogadores como James Rodríguez, Radamel Falcão…

Em suma, são estes os jogadores que, na minha opinião, mais surpreenderam os adeptos azuis e brancos e do futebol em geral. Podia estender esta lista a jogadores como Otávio e Tecatito Corona, mas as boas exibições do brasileiro e do internacional mexicano não são propriamente surpresa neste FC Porto de Sérgio Conceição.

Veremos se estas surpresas não desiludem com o passar da temporada. É esperar para ver.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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