Relembrar a época do FC Porto sem mencionar o crescimento exponencial de Francisco Conceição é, no mínimo, incoerente e irracional. Esta temporada foi, no fundo, um ponto de viragem no FC Porto de Sérgio Conceição – a utilização de jovens da formação deixou de ser uma indicação e passou a ser uma obrigação.

Era crucial colocar Chico na equipa principal. Todo o tempo em que jogou na equipa B era ele e mais dez. Fascinou os dirigentes com dribles espetaculares e a facilidade técnica que apresenta faz com que a única maneira de o travar seja com faltas. Impressionou até aquele que parece ser o seu adepto mais critico, o seu pai, treinador principal do FC Porto, Sérgio Conceição.

A chamada à equipa principal poderia ser um problema, o rótulo de “filho do treinador” é um peso que terá de carregar, pelo menos até que um deles deixe o Dragão. No entanto, não deixou espaço para essas especulações com o serviço que mostrou logo nos primeiros minutos a representar a equipa principal.

Francisco Conceição tem toque de craque e, aos 18 anos, deu muitas dores de cabeça aos “defesas gigantes” da Primeira Liga, tendo sido um autêntico “tomba gigantes”. Com 1,70m de altura e o centro de gravidade baixo, consegue proteger muito bem a bola e sair de zonas de pressão com relativa facilidade. O desempenho que demonstrou em campo garantiu-lhe a chamada para representar Portugal no Europeu sub-21, onde a seleção das quinas ficou em segundo, após perder na final contra a Alemanha.

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É evidente que será uma das figuras na época que se aproxima. A maneira como Conceição desequilibra pode ser o trunfo dos portistas nos jogos em que os conjuntos adversários joguem com as linhas mais juntas e não concedam espaço ao FC Porto para chegar perto da baliza contrária.

A facilidade de desequilibrar é óbvia, mas o jogador ainda precisa de desenvolver algumas lacunas no seu desempenho individual. É necessário que, no momento em que enfrenta o adversário, levante a cabeça e consiga perceber os espaços que abre na defesa. É de igual forma importante que desenvolva a forma como define. Os dribles são bonitos, todavia, se não criarem perigo, são inúteis para a equipa.

Francisco Conceição
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

O futebol é cada vez mais um negócio traiçoeiro, os tubarões europeus começam a olhar para as formações dos clubes menos mediáticos e tentam “roubar” os jovens com cheques extremamente lucrativos. É aqui que os dirigentes do FC Porto são obrigados a intervir e impedir que o extremo direito seja levado a preço de saldos.

Francisco Conceição tem um contrato até 2023 e, começando-se a falar de uma renovação, é claro que é no jogo da antecipação que os portistas podem lucrar. Com um novo contrato, blindado com uma cláusula de rescisão justa para o valor que o jogador pode vir a atingir, o clube pode respirar de alívio, assustar os milionários e garantir que o jogador representa as cores do clube até que algum clube esteja disposto a pagar esse valor.

Falar de uma venda parece precipitado e pessimista, no entanto, o clube tem de se proteger e garantir o futuro. Até lá, deixemos o miúdo desenvolver capacidades e atingir o nível que é esperado. Aliás, não é todos os anos que temos um jogador que é “ouro sobre azul”.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

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