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Onze do Boavista FC: Vágner, Edu Machado, Lucas Tagliapietra, Carlos Santos, Talocha, Fábio Espinho, Carraça, Anderson Carvalho, Renato Santos, Iuri Medeiros e Iván Bulos;

Onze do FC Porto: Iker Casillas, Maxi Pereira, Willy Boly, Iván Marcano, Alex Telles, Danilo Pereira, Óliver Torres, André André, Jesús Corona, Soares e Yacine Brahimi;

Este é um daqueles dérbis perdidos do futebol, que fugiu ao olhar dos adeptos durante alguns anos, porém, a rivalidade persiste, especialmente do lado portuense. Afinal, o adepto é quem impera e, no fundo, as rivalidades começam sempre dele: neles começa algo que divide a cidade. NES surpreendeu em colocar André Silva no banco para testar um 4-3-3. Experiências para Turim? Outra novidade foi o surgimento de Boly no onze, no lugar do castigado Felipe. Sim, Boly, aquele francês que veio do SC Braga e custou cerca de 6 milhões de euros. Miguel Leal não traz surpresas e a única novidade foi a ausência de Idris por castigo, substituído por Carraça. O jogo não se tinha iniciado e o ambiente já estava incrível: fumos, cânticos, luzes, tarjas e estádio cheio. Assim se provava que a rivalidade não estava morta e que isto ainda é um dérbi.

O jogo iniciou-se com um BFC impressionante e com um remate de Óliver no coração da área que podia ter dado golo, caso fosse mais colocado. Instantes depois, Brahimi fazia das suas e ganhava canto, infrutífero devido a cabeceamento para fora de Boly. Pouco antes dos 5 minutos, Boly cometeu o segundo erro do jogo, depois de fazer um passe para ninguém, ao falhar uma abordagem ao lance,. Fruto disso, a bola sobrou para Iuri Medeiros que, felizmente, após o drible, rematou à figura de Casillas. A resposta do FC Porto foi mortífera. Óliver fez uma abertura fenomenal para Corona que cruzou para o meio da área onde Soares finalizou de primeira. Após o golo, o BFC reforçou a pressão e subiu linhas. A atitude compensou e os axadrezados podiam ter feito golo na sequência de um cruzamento de Fábio Espinho, mas Boly cortou de cabeça. Ficara o aviso: não nos vamos resignar.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Os adeptos e o dérbi assim o exigiam. Aos 15 minutos, Corona driblou magicamente 2 adversários e cruzou para Soares. O brasileiro envolveu-se com o central do BFC e pediu penalti, mas desta vez o árbitro não caiu, bem ajuizado. Passados 20 minutos, a emoção persistia: os comandados de Leal continuavam perigosos como os de NES e o jogo era, numa palavra, intenso. O trio composto por Espinho, Medeiros e Bulos era como um alerta permanente de perigo. Aos 29 minutos, Casillas fez uma defesa monstruosa ao defender um remate acrobático de Anderson Carvalho de dentro da grande área. Aos 33, foi a vez de Vágner. Brahimi fintou 3 numa diagonal e colocou em Soares que rematou para golo, mas estava lá o guardião axadrezado.

Momentos depois, Soares tentou o chapéu a Vágner e falhou um golo cantado. Brahimi perdeu mais uma assistência. Aos 37 minutos, foi Brahimi a desperdiçar uma oportunidade, na sequência de uma jogada coletiva fenomenal iniciada por ele. Aos 43 minutos, houve entrada assassina sobre Corona, já que Talocha chega tarde ao lance e atinge o mexicano no tendão de Aquiles. Esse foi um lance que manchou a primeira parte, até então excelente, pois seguiram-se os excessos que as grandes paixões germinam. Resumidamente: um empurrão da vítima ao agressor e um desdobrar de réplicas que se alastraram, inclusive, pelas equipas técnicas.

Findos os primeiros 45 minutos, ficava na retina um grande dérbi. Teve de tudo: fantasia, intensidade, raça, bom futebol e confusão.

O jogo reiniciou já com Jota no lugar de Corona e com 3 atuações disciplinares após o fim da primeira parte: amarelo para Corona e expulsões para NES e de Alfredo, treinador de guarda redes do BFC. Apesar de tudo, mantinha-se a bitola: intensidade, muita intensidade. Aos 53 minutos podia mesmo ter havido golo para o BFC, mas Casillas, como se um líbero fosse, fez um excelente corte de cabeça em antecipação. No FCP, apesar da troca na ala direita, permanecia a dinâmica de Brahimi em vagabundear pelo meio-campo ofensivo. No entanto, Jota não abria tanto na direita, sendo essa função delegada a André André. Aos 58 minutos, o árbitro comete um erro colossal: não só não assinala um penalti claro sobre Maxi, como ainda amarela o jogador por simulação, excluindo-o do próximo jogo. Antes disso, Leal retirava Espinho para meter Schembri. Sim, aquele que Pirlo disse que parecia querer casar com ele, tal foi a veemência com que o marcou numa partida internacional.

Aos 66, novo erro de Boly.  O francês falhou completamente a abordagem a um cruzamento e, não fosse Marcano, teria havido golo de Schembri. Pouco depois, Casillas fez novamente de líbero e foi providencial a impedir o golo. Aos 70 minutos, saiu Brahimi para entrar Otávio. Estava desgastado o argelino. Uma coisa era clara, o BFC subiu ainda mais as linhas e o FCP sentia muitas dificuldades em ter bola no meio-campo, devido à pressão acrescida. NES tenta segurar o jogo sem bola, mas Boly ameaçava frequentemente esta estratégia. Aos 75, Soares aguentou, qual tanque, a bola e serviu André André para o remate à entrada da área. O português não tinha o canhão calibrado e o tiro saiu por cima. Entretanto, Leal colocara Bukia no lugar de Renato Santos.

Aos 81 minutos, o árbitro expulsou Maxi Pereira, em nova decisão questionável. A atuação disciplinar incorreta reestabeleceu a igualdade numérica que uma lesão de Henrique desfizera momentos antes. NES respondeu à ameaça e colocou Layún em campo, retirando André André. Nesta fase, o jogo já era mais coração que cabeça e, como tal, foram várias as interrupções e as faltas. Apesar disso, uma coisa era clara: a pressão incessante do BFC na busca do empate. Ainda assim, permaneceu a vantagem do FCP.

No final, foi uma vitória num campo muito difícil, um grande dérbi e um só aspeto negativo: o capítulo disciplinar e a atuação lastimável da 3ª equipa em campo.

 

Artigo revisto por: Diana Martins

Foto de Capa: Bola na Rede

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O João é do FC Porto desde que sabe o que é futebol; por fora de terras lusitanas é um ferrenho adepto da Juventus e também um admirador incondicional do 3-5-2 e do 3-4-3. Tem o sonho de ser treinador do FC Porto e, enquanto não o realiza, alimenta a sua paixão pelo futebol através da escrita e de incontáveis horas de Football Manager.                                                                                                                                               O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.