A semana que ontem findou revelou-se uma autêntica montanha russa de emoções para os lados do FC Porto. Dois jogos que, à partida, eram taxados de “decisivos”, contudo a abordagem da equipa a ambos em muito se diferenciou.

Comecemos pelo jogo de quinta-feira. Era o primeiro confronto “a doer” após a longa paragem do campeonato que tomou de assalto quase todo o mês de outubro. E, aparentemente, Sérgio Conceição decidia colocar a “carne toda no assador”, uma vez que apostava num onze inicial bem próximo daquele que tem servido de base para esta temporada.

Contudo, cedo se percebeu que aqueles onze jogadores que estavam dentro das quatro linhas, naquele momento, não faziam uma exibição condizente com a suposta condição de “melhor onze do FC Porto”.

E o resultado disso seria mesmo um empate a todos os níveis embaraçoso, frente a uma formação que, apesar de histórica, atualmente, encontra-se bem longe da primeira linha (ou até da segunda) do futebol europeu.

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Todavia, o resultado, porventura, não seria a nota mais negativa a retirar daqueles noventa minutos. A falta de atitude, de ideias e de lucidez eram fatores que voltavam a assombrar os adeptos “portistas”, que viam novamente a sua equipa a apresentar um futebol muito pobre na Liga Europa, competição onde, pessoalmente, vejo um FC Porto de “salto alto”, uma equipa que sabe que é superior às restantes três e que, partindo desse princípio, julga que pouco ou nada tem que fazer para comprovar tal superioridade. Excesso de soberba, numa competição como esta, poderá vir a revelar-se um fator encurtador da campanha europeia “portista”.

Com o empate a uma bola frente ao Rangers FC, o FC Porto somou o seu quarto ponto na presente edição da Liga Europa
Fonte: Diogo Cardoso/ Bola na Rede

Bom, avancemos no tempo. Chegava a domingo e o “Mar Azul” era chamado novamente ao Dragão; desta vez, o jogo era frente ao FC Famalicão, equipa sensação do campeonato que apresentava-se na cidade Invicta ainda sem derrotas no seu currículo.

No que toca ao onze inicial, foi possível verificar algumas alterações, algumas delas um tanto quanto radicais: Corona voltava ao seu “habitat natural”, Mbemba assumia uma das laterais defensivas e deixava a outra para Manafá; no setor mais avançado, Zé Luís e Moussa Marega caíam, ficando Soares com o papel de substituí-los.

Honestamente, quando me deparei com as apostas de Sérgio Conceição para este encontro, fiquei algo apreensivo. A inclusão de Manafá, juntamente com a nova aposta em Marcano, Danilo ou até mesmo Otávio, fizeram-me temer um jogo menos conseguido da equipa e consequente possível escorregão na perseguição ao rival.

Contudo, tal cenário não se verificou; aliás, muito pelo contrário. O FC Porto conseguiu mostrar aos seus adeptos a melhor exibição coletiva de que há registo em 2019/20 (sem contar, naturalmente, com o jogo na Luz). Manafá exibiu-se a um nível extraordinário, Danilo voltou às boas prestações e, no geral, a equipa não sentiu a ausência de jogadores cruciais como Alex Telles, Marega ou Zé Luís.

Quer isto dizer que temos equipa, que temos plantel? Receio que não. Receio que todas estas boas exibições sejam, em sua maioria, exceções à regra, pontos fora da curva. Continuo a acreditar que não será com Manafá e Marcano a titulares, ou com Otávio fixo no onze, que veremos um FC Porto verdadeiramente pujante, forte e capaz de conquistar o título. E não será um único jogo a mudar esta minha opinião.

Foto de capa: FC Porto

Artigo revisto por Joana Mendes

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