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Caros aficionados do FC Porto,
Escrevo-vos esta carta de igual para igual, isto é, na condição de adepto incondicional do único clube que me desperta emoções extremas e incontroláveis: o FC Porto. E é precisamente colocando-me no papel de adepto que consigo perceber, tão bem quanto possível, a frustração que sentem por mais uma temporada futebolística que, aproximando-se do seu final, provavelmente não trará até à Cidade Invicta, pelo quarto ano consecutivo, qualquer troféu.
Não estamos habituados a isto. Não estamos, nem queremos habituar-nos a isto. A nossa matriz é outra; é a do calcanhar do Madjer contra o FC Bayern München, da arrancada imparável do Rui Barros contra o AFC Ajax, do golaço na neve do Madjer contra o CA Peñarol, da imparável insistência do Derlei contra o Celtic FC, da classe do Deco contra o AS Monaco FC, do olhar mortífero do Pedro Emanuel antes de marcar o penálti decisivo contra o CD Once Caldas, do voo do Falcão contra o SC Braga. Essa é a nossa essência, a essência do “ser Porto”.

Como se esta história de glória não bastasse, somos adeptos especiais. Não nos limitamos a dizer, de forma acrítica, “o FC Porto é o maior” ou “somos o clube com mais títulos conquistados em Portugal” como outros fizeram num passado em que nada ganhavam. Nós apontamos o dedo, tentamos perceber o que está mal e advogamos pela mudança. Mesmo nos momentos em que nos revoltamos com as arbitragens nunca deixamos de criticar os jogadores, o treinador, ou até mesmo o Presidente se entendermos que tal é necessário, porque aquilo que queremos é voltar a ganhar com a certeza de que no FC Porto não existem “vacas sagradas”. Se é preciso mudar, então mude-se tudo o que for preciso; a única coisa que não admitimos é passar mais quatro anos sem que possamos sair à Avenida dos Aliados para festejar a conquista de títulos.
Apesar deste momento menos bom, não está tudo mal no FC Porto ou, pelo menos, não está tudo tão mal como num passado recente. Quando Paulo Fonseca treinava o clube olhar para o banco de suplentes do FC Porto era, no mínimo, encarar um cenário desolador. Hoje já não é assim! O plantel tem qualidade, precisamos apenas que essa qualidade individual seja otimizada, entenda-se, transformada em processos coletivos igualmente de excelência. A dúvida hoje já não é se joga Licá ou Josué, mas antes se a equipa conseguirá tirar o máximo partido da exímia leitura de jogo de Óliver ou dos desequilíbrios criados por Brahimi. Portanto, estamos hoje mais perto do sucesso do que há três anos atrás, e é a esse facto que nos devemos agarrar para, cada vez mais, apoiar a equipa e acreditar que “o nosso momento” está mais perto.

A atitude dos jogadores ao longo da época foi sempre aquela que quisemos que ela fosse, foi sempre aquela que exigimos ao jogador “à Porto”. Porém, não basta ter garra; há que ter qualidade, tanto a nível individual como coletivo. E apesar de o futuro campeão nacional de futebol também não primar por essa qualidade coletiva, é aí que ainda estamos um pouco atrás, é por aí que temos que melhorar. Quando o conseguirmos fazer, não há arbitragens que parem o FC Porto, não há discursos fantasistas provindos de Lisboa que nos afetem, não há muro que consiga suster a força desta onda azul e branca. Porque juntos somos mais fortes e é juntos que, no futuro tal como no passado, voltaremos a vencer e a levar mais além o nome do clube com o qual vibramos incontrolavelmente. Somos Porto!
Francisco Sampaio
Foto de Capa: FC Porto










