cartaaberta

 

Caros aficionados do FC Porto,

Escrevo-vos esta carta de igual para igual, isto é, na condição de adepto incondicional do único clube que me desperta emoções extremas e incontroláveis: o FC Porto. E é precisamente colocando-me no papel de adepto que consigo perceber, tão bem quanto possível, a frustração que sentem por mais uma temporada futebolística que, aproximando-se do seu final, provavelmente não trará até à Cidade Invicta, pelo quarto ano consecutivo, qualquer troféu.

Não estamos habituados a isto. Não estamos, nem queremos habituar-nos a isto. A nossa matriz é outra; é a do calcanhar do Madjer contra o FC Bayern München, da arrancada imparável do Rui Barros contra o AFC Ajax, do golaço na neve do Madjer contra o CA Peñarol, da imparável insistência do Derlei contra o Celtic FC, da classe do Deco contra o AS Monaco FC, do olhar mortífero do Pedro Emanuel antes de marcar o penálti decisivo contra o CD Once Caldas, do voo do Falcão contra o SC Braga. Essa é a nossa essência, a essência do “ser Porto”.

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Fonte : Facebook oficial de Falcão
Fonte : Facebook oficial de Falcão

Como se esta história de glória não bastasse, somos adeptos especiais. Não nos limitamos a dizer, de forma acrítica, “o FC Porto é o maior” ou “somos o clube com mais títulos conquistados em Portugal” como outros fizeram num passado em que nada ganhavam. Nós apontamos o dedo, tentamos perceber o que está mal e advogamos pela mudança. Mesmo nos momentos em que nos revoltamos com as arbitragens nunca deixamos de criticar os jogadores, o treinador, ou até mesmo o Presidente se entendermos que tal é necessário, porque aquilo que queremos é voltar a ganhar com a certeza de que no FC Porto não existem “vacas sagradas”. Se é preciso mudar, então mude-se tudo o que for preciso; a única coisa que não admitimos é passar mais quatro anos sem que possamos sair à Avenida dos Aliados para festejar a conquista de títulos.

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Apaixonado por futebol desde a segunda infância, Francisco Sampaio tem no FC Porto, desde esse período, o seu clube do coração. Apesar de, durante os 90 minutos, torcer fervorosamente pelo seu clube, procura manter algum distanciamento na apreciação ao seu desempenho. Autodidata em matérias futebolísticas, tem vindo recentemente a desenvolver um interesse particular pela análise tática do jogo. Na idade adulta descobriu a sua segunda paixão, o ténis, modalidade que pratica de forma amadora desde 2014.                                                                                                                                                 O Francisco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.