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Jogo crucial em Stamford Bridge, Porto e Chelsea disputaram uma vaga nos oitavos de final da Liga dos Campeões. Ao longo do dia já havia uma má notícia para os Dragões – André, lesionado, não ia a jogo. Herrera seria o principal substituto e provavelmente ocuparia um lugar no meio-campo descaído para a direita já que se esperava (pelo menos eu) que jogasse em 4-4-2. Mas para surpresa de todos o Porto apresentou-se em campo com 3 centrais e sem ponta-de-lança, formando uma espécie de 3-5-2 defensivo. Jogaram Indi, Marcano, Maicon, e nas laterais Maxi e Layun. O meio-campo seria a cargo de Danilo, Imbula e Herrera – não houve espaço para Rubén Neves – e o ataque estaria entregue a Corona e Brahimi.

O jogo começou com o Porto com vontade de ir para a frente fazendo com que o jogo ficasse muito combativo devido à parede defensiva do Chelsea mas rapidamente o plano de criar uma muralha defensiva ao Chelsea cai por água abaixo quando num lance de contra-ataque aos 12’ Marcano faz auto-golo num lance infeliz para os portugueses. Mas quando não acontecem lances infelizes ao Porto de Lopetegui?

A partir daí o Chelsea ficou confortável no jogo e o Porto ficou logo condicionado no jogo. Mas a estratégia de Lopetegui foi a principal causa da pobreza atacante portista. Sem ponta-de-lança para fazer de pivot, não havia forma de os extremos subirem no terreno já que eram estes que tinham de ir buscar a bola a zonas recuadas do terreno. Maxi e Layun nunca conseguiram dar a profundidade que um 3-5-2 tem de ter, ficando o Porto a jogar mais em 5-3-2. Das poucas vezes que o Porto chegou com a bola perto da área nunca conseguiu fazer perigo real pois não havia ninguém a entrar na zona de remate e isto transformou o ataque do Porto num grande zero. Exemplo disso foi um lance aos 31’ em que Corona podia ter cruzado e não o fez porque não tinha companheiros na área; enquanto esperava que chegassem reforços a equipa do Chelsea reposicionou-se. Era desesperante.

O jogo foi sendo sempre controlado pelos londrinos, que eram venenosos no contra-ataque. O Porto apresentou posse de bola acima dos 60%, mas absolutamente infrutífera. No outro jogo o Dínamo ganhava e a sorte sorria-lhes. Lopetegui ao longo da sua estadia no Porto já teve vários erros de estratégia mas assumo que muitas vezes concordo com a sua leitura no decorrer do jogo. Desta vez optou por deixar tudo igual para a 2ª parte, não se percebe!

Maicon não conseguiu impedir o primeiro golo Fonte: Champions League
Maicon não conseguiu impedir o primeiro golo
Fonte: Champions League

A 2ª parte começou como um “copy & paste” da primeira; Porto com bola em zonas recuados do meio-campo, bem longe da baliza e sem ter uma referência no ataque. Corona e Brahimi – os homens mais avançados dos portistas – viam-se frequentemente no meio-campo defensivo a vir buscar bola, os laterais pouca profundidade davam e o ataque era um deserto de atacantes. Tudo igual e o Basco não mexeu. Aproveitaram os ingleses, que aos 52’ marcaram por intermédio de Willian num grande remate em que Casillas parece não ter culpa. Aliás, até foi um jogo bem conseguido do guardião portista.

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Já pouco havia a fazer. Então, só aí, o treinador mexeu na equipa. Entraram Aboubakar e Rubén Neves (que deve andar confuso por estes dias; umas vezes joga, outras não). Deviam ter estado na equipa inicial! Corona e Brahimi lutavam contra dois e três jogadores do Chelsea ao mesmo tempo, ora na linha, ora na área, ora no meio-campo. Só mesmo o talento individual fazia com que saíssem de situações complicadas, já que colectivamente o Porto foi curto e de pouca mobilidade.

Pouco se alterou, o jogo. O Porto apesar de ter mais profundidade nunca criou perigo e continuou a consentir contra-ataques perigosos ao adversário. Os centrais não sabiam quem marcar e foram apanhados várias vezes desposicionados e isto é culpa de Lopetegui.

A entrada de Tello aos 71’ deu alguma velocidade ao jogo mas o resultado estava feito. Não havia nada a fazer nesta noite. Fica a nota para um Chelsea que não está bem, algo que se notou no jogo. A falta de posicionamento portista foi tão gritante que contra uma equipa que estivesse em pico de forma podia ter dado um resultado embaraçante. O basco teima em não perceber que se a realidade não segue a teoria a culpa é da teoria e não da realidade. A ideia de Lopetegui era ter segurança defensiva para os contra-ataques ingleses e ter os laterais a dar profundidade. Enganou-se porque não analisou bem a equipa do Chelsea e porque não percebeu que jogar sem avançado só está ao alcance de equipas absolutamente rotinadas e mecanizadas.

No outro jogo diz-se que o Dínamo não fez um bom jogo e que podia ter sofrido golos. A sorte não quer nada connosco mas nós também andamos a afastar-nos dela. Golpe duríssimo à saída prematura da Liga dos Campeões; não estamos habituados a isto. O Porto vai ter que se “vingar” no campeonato se não o resto do ano vai ser penoso para todos e em especial para o treinador.

A figura:

Brahimi – um poço de criatividade numa equipa cinzenta. Correu muito e mexeu com o jogo.

O Fora-de-jogo:

Imbula – teve boas arrancadas mas foi vítima da confusão Lopeteguiana, por isso esteve escondido no jogo.

Foto de capa: Chelsea FC