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O ciclo infernal terminou. O FC Porto passou, embora sem distinção de maior, no exame conjunto que os desafios com Dínamo de Kiev, Benfica, Moreirense e Chelsea representaram, sobrevivendo a uma fase que será, por certo, uma das mais (se não vier a ser mesmo a mais) difíceis de toda a temporada. Os únicos “senãos” que coloco aqui prendem-se com os empates registados na capital ucraniana e em Moreira de Cónegos. Se, num dos lados, o resultado não se pode catalogar como mau (em Kiev), não deixou de ficar um amargo na boca pela forma como o segundo golo do Dínamo aconteceu. Em Moreira de Cónegos, a mesma coisa, com a agravante de se tratar de um adversário de muito menor potencial e menor valia e pela diminuição da vantagem sobre os concorrentes diretos na Liga (valeu o empate do Sporting no Bessa).

No entanto, a principal ilação a retirar deste ciclo já passado é, para mim, a afirmação é o amadurecimento definitivos do grande jogador que (já) é Rúben Neves. Confesso que começou por me maravilhar desde a pré-temporada 2014/15, mas algumas atuações menos seguras – não más, porque Rúben é daqueles que não sabem jogar mal -, principalmente em jogos de grau de dificuldade elevado, levaram-me a crer que mais tempo era necessário. Continua a ser, que não haja dúvidas. Por muito bom que um jogador seja, aos 18 anos precisa de muita mais rodagem, mas não engana.

Rúben Neves já é um dos patrões do meio-campo portista Fonte: Facebook Rúben Neves
Rúben Neves já é um dos patrões do meio-campo portista
Fonte: Facebook Rúben Neves

Desta feita, o médio foi lançado às feras e conseguiu dominá-las, ora a golpe de chicote (com exibições mais personalizadas e assentes na raça), ora com voz mansa, quase numa melodiosa canção, como é o futebol que lhe sai dos pés. Rúben Neves dá acutilância ao jogo portista. Clarividência e intensidade, coisa que terá aprendido recentemente, dado que esse era o tal ponto fraco da época transata. Pode jogar a trinco, ou mais adiantado. Diferenças? Quase nulas. Joga tão bem num lado como no outro. Um patrão. Vergou os poderosos médios do Chelsea. Fez encolher a equipa milionária de Mourinho e Abramovich, porque encheu o campo com o seu futebol. Não esteve sozinho, pois claro, mas, por vezes, deu a ideia de que poderia estar, que daria conta do recado. Acima de tudo, é um orgulho ver um diamante em bruto precoce das escolas portistas impor-se com a naturalidade com que Rúben Neves o faz. Os gigantes já andam ao seu encalço. Normalíssimo. Mas mais dois aninhos na incubadora do Dragão serão o ideal. Aí será, não um senhor jogador, mas um mestre de miolos. Já não há dúvidas. É uma pedra preciosa em bruto, pela idade, mas claramente lapidada. Veja-se lá: até os sub-21 já parecem pouco para ele…