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A semana do Dragão foi tão longa quanto saborosa. Iniciou-se com uma auspiciosa vitória em Vila do Conde e encerrou com uma goleada na recepção ao Olhanense na última Jornada do ano do Campeonato. Pelo meio, ficou a conhecer-se o adversário dos dezasseis avos de final da Liga Europa, consumada que está a descida à segunda divisão europeia.
Ora, sem Mangala mas com Otamendi, o FC Porto que surgiu defronte do Rio Ave trouxe novidades. Nos nomes e na dinâmica. Há umas semanas, neste mesmo espaço, tinha defendido, no que ao desenho do meio-campo diz respeito, a incorporação de Lucho ao lado de Fernando (com a necessária saída do onze de Herrera ou Defour) e a afirmação de Quintero no espaço 10. A verdade é que não contei de forma séria com Carlos Eduardo.

A aparição do ex-estorilista na 2ª parte diante do Braga foi uma lufada de ar fresco no jogo monótono e pouco fluido da equipa. E o futebol torna-se simples (e melhor) quando, dentro de um colectivo, o treinador encontra os habitats adequados tendo em conta as (melhores) características de cada jogador. E, neste ponto, aparentemente, Paulo Fonseca aprendeu com os erros … Se Quintero ainda não está pronto para ser atirado às feras, igualmente verdade é que Lucho aparece com outra preponderância no jogo da equipa a partir de uma posição mais recuada, e indesmentível, da mesma forma, é que Carlos Eduardo revelou-se – até hoje – a melhor solução para ligar a linha mais recuada do meio-campo à frente atacante.

Desta forma, o FC Porto que vimos no Estádio dos Arcos foi uma equipa mais solta, menos amarrada – em suma, mais dinâmica. Carlos Eduardo tem um raio de acção alargado, sabe recuar e vir buscar jogo quando necessário, transportando bola, mas demonstrou igualmente capacidade para dar largura ao jogo da equipa, caindo nas alas. Tem, além disso, uma enorme qualidade técnica (designadamente ao nível do passe) e uma visão de jogo acima da média. Não estamos perante a última Coca-Cola do deserto mas não deixa de ser estranho como um conjunto com a valia do FC Porto se transformou positivamente com a entrada de um único elemento na equipa.

Rio Ave e Olhanense são as mais recentes vítimas de Jackson no duelo cafetero com Montero Fonte: http://www.jornalacores9.net/
Rio Ave e Olhanense são as mais recentes vítimas de Jackson no duelo cafetero com Montero
Fonte: http://www.jornalacores9.net/

A par disto, a equipa revelou-se mais segura a defender, os laterais envolveram-se com mais qualidade no processo defensivo (e como o FC Porto continua a depender de Alex Sandro e Danilo para chegar à frente!), Varela esteve uns furos acima do habitual e Kelvin ressurgiu com toda a irreverência que lhe conhecemos.
É certo que a exibição do Tri Campeão não foi brilhante; mas é indesmentível que o FC Porto que esteve em Vila do Conde transmite outra confiança aos adeptos num futuro mais risonho e consentâneo com aquilo que o Dragão sempre foi capaz de fazer.

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E se Domingo foi uma noite futebolisticamente agradável, a manhã de Segunda-Feira não foi, de todo, desfavorável às hostes portistas, na medida em que, no sorteio da Liga Europa, calhou em sorte o Eintracht Frankfurt, actual 15º classificado do Campeonato Alemão.

Faltam ainda dois meses até ao primeiro jogo (20/02/2014), a realizar no Dragão. De todo em todo, ainda que a classificação actual do adversário do FC Porto seja um dado factual, parece-me que este opositor está longe de ser um verdadeiro bombom. Desde logo porque representa um campeonato super competitivo, com uma agressividade e intensidade de jogo brutais. Por outro, porque chega a esta fase depois de ter vencido o grupo em que estava inserido com uma margem confortável (em 6 jogos, conseguiu 5 vitórias, tendo perdido apenas um jogo em Israel, diante do Maccabi Tel Aviv) e de no passado fim-de-semana ter ido ganhar ao difícil terreno do Bayer Leverkusen (0-1). Aliás, é curioso perceber que, internamente, o Frankfurt ainda não conseguiu vencer um único jogo em casa (ontem empatou com o modesto Augsburg a 1; por outro lado, as derrotas perante Bayern ou Dortmund, por exemplo, consumaram-se apenas pela margem mínima), apresentando um score muito mais interessante fora de portas.

Fechando o capítulo Frankfurt, é de realçar que se trata de uma equipa que, tendo terminado a época 2012/2013 num prestigiante 6º lugar, acabou por não perder nenhum jogador de destaque, reforçando-se, aliás, com nomes interessantes como Kadlec, Joselu, Rosenthal e – provavelmente o mais conhecido – Barnetta. Jamais qualquer destes factos impedirá de eleger o FC Porto como claro favorito nesta eliminatória – a ambição e a História assim o exigem. Caberá aos comandados de Paulo Fonseca limpar a péssima imagem desenhada na edição deste ano da Champions, sendo que isso – ainda que com a possibilidade Nápoles já nos oitavos-de-final – só será conseguido com uma chegada à final de Turim.

Eintracht Frankfurt é o primeiro obstáculo do FC Porto na Liga Europa 2013/2014 Fonte: Expresso
Eintracht Frankfurt é o primeiro obstáculo do FC Porto na Liga Europa 2013/2014
Fonte: Expresso

A semana terminou, enfim, com a recepção ao conjunto de Olhão. Falar da turma de Paulo Alves é falar, muito provavelmente, da equipa mais fraca da Liga. Neste sentido, o FC Porto estava obrigado a vencer e, diria, a brindar os seus adeptos com um presente de Natal sob a forma de uma exibição que convencesse e entusiasmasse. Dito e feito.
O onze titular não apresentou grandes novidades. Se Helton é o número 1, com a ausência de Alex Sandro, Mangala surgiu a ocupar a faixa esquerda da defesa, acompanhando Danilo, Maicon e Otamendi (despedida do Dragão?). À frente, até por tudo o que já foi dito, as dúvidas dissiparam-se: Fernando e Lucho, no papel, lado-a-lado, com ‘El Comandante’, com toda a sua inteligência, a poder soltar-se e ocupar outros espaços, funcionando como um verdadeiro 8; Carlos Eduardo mais à frente a ligar os dois sectores e a reconfirmar os créditos demonstrados. Por fim, a frente de ataque composta por Varela, ‘Cha Cha Cha’ Martinez e Licá.

Os Dragões até nem começaram com uma grande fibra atacante mas, naturalmente, tomaram conta do jogo e as oportunidades foram surgindo. Varela, Licá e Jackson (fabuloso gesto técnico merecia golo) tiveram nos pés a possibilidade de abrir as hostilidades; haveria, no entanto, de ser Mangala, qual bala, a ganhar nas alturas e inaugurar o marcador. A demonstrar uma tranquilidade, fiabilidade e dinâmica que não se lhe vislumbravam há um par de semanas, a equipa soube empolgar os adeptos e reforçar o seu score. Jackson, Carlos Eduardo e Herrera assinaram golos de belo efeito e fizeram com que a noite fria do Dragão fosse acompanhada de um resultado volumoso (mas justo), com momentos de bom futebol como ainda não se tinha visto de forma tão consolidada este ano à equipa do FC Porto.

Dissociar este jogo (resultado e exibição) de Rio Ave ou Braga seria desajustado. Reconfirmando as boas indicações dadas nesses últimos compromissos, a equipa, a cada dia, respira melhor na nova roupagem. Os mesmos jogadores parecem melhores jogadores. O que entrou (Carlos Eduardo) … Bem, o melhor elogio que lhe posso fazer é que vejo qualquer coisa de Deco no actual camisola 20 do FC Porto. Descontando o novo papel de Lucho (e que deleite é ver ‘El Comandante’ finalmente de frente para o jogo), a subida de forma de Varela ou a ascensão dos níveis de eficácia de Jackson, é a Carlos Eduardo que deve ser atribuído o mérito de ter pegado numa equipa moribunda, desligada, adinâmica, e de lhe ter dado o toque de lucidez, categoria e classe que ela mais necessitava. Numa palavra, de critério. Conhecia-o do Estoril mas – como já confessei – não esperava tanto. Resta saber se esta pérola esteve escondida na equipa B ou se se tornou uma pérola porque esteve na equipa B.

Carlos Eduardo, de proscrito a solução inesperada Fonte: www.maisfutebol.iol.pt
Carlos Eduardo, de proscrito a solução inesperada
Fonte: www.maisfutebol.iol.pt

O que referi relativamente à deslocação a Vila do Conde continua válido: o FC Porto (ainda) não se tornou numa máquina de jogar futebol, é verdade. Porém, a semana terminou à semelhança do seu início. Para os adeptos portistas, segue-se um Natal mais doce, alegre e colorido. E por mais recheada que seja a consoada, fica a certeza de que o melhor presente (futebolisticamente falando) foi este inesperado reforço de Inverno com laivos de ‘Mágico’ e que nos deixa a todos com água na boca.

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