«Infelizmente não partilhei balneário com Sérgio Conceição, mas para quem esteve com o Co Adriaanse…» – Entrevista BnR com Helton Arruda

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Professor Neca entrevista À BnR

Pouco mais de uma hora de conversa que tinha tudo para ser um grande desafio. Não era todos os dias que o Bola na Rede tinha na sua presença um homem que raramente deixava a bola entrar na rede. Mas, para esta entrevista, Helton fez questão de largar as luvas e as calças de treino que tão bem o caracterizaram para nos contar o seu percurso. Na verdade, não são precisas grandes apresentações: vencedor da Liga Europa pelo FC Porto, sete Campeonatos Nacionais, quatro Taças de Portugal, seis Supertaças Portuguesas, uma Taça do Brasil e uma Copa América. São dados coletivos que, a juntar às estatísticas individuais, conferiram ao guardião brasileiro o estatuto de um dos melhores de sempre do futebol português. Mas uma coisa pudemos perceber. Aquele sorriso que conquistou os rivais e a paixão pela música mantém-se bem intactos. Venham daí sentir a brisa carioca que conquistou Portugal.

«Lembro-me quando o mister Valente me dizia “Meu, eu nunca vi defender e trabalhar assim”»

 

Bola na Rede: Olá, Helton! Obrigado por estares aqui connosco em mais uma entrevista do Bola na Rede. Todos te conhecemos por usares calças de treino em vez de calções. É um amuleto de sorte ou é mais uma questão técnica?

Helton: (risos) Olá, obrigado pelo convite! Eu agradeço pelo carinho, atenção e trabalho realizado. Eu sempre utilizei as calças por conforto. Eu sempre achei que me sentia melhor de calças, embora algumas vezes tivesse jogado com calções. Na seleção, era raro quando eu conseguia jogar com as calças e no Vasco da Gama também.

Bola na Rede: Olhando para o início da tua carreira, podias ter ingressado no Flamengo, mas o destino trocou-te as voltas e acabaste no Vasco da Gama, o clube do teu coração. Dentro das dificuldades financeiras e do acidente que tiveste na altura, é caso para dizer que há males que vieram por bem…

Helton: (risos) Sem dúvida! Passei pelo Fluminense, não consegui ficar por morar muito longe e um grande amigo que eu tenho, o professor Leonardo Amorim, teve um acidente e a minha mãe ficou preocupada que eu fosse para lá sozinho porque eu era muito novo. Depois tive essa passagem pelo Flamengo, onde já tinha sido aprovado. Mas, na época de Carnaval, caí de uma árvore e fiquei em coma. Disseram que eu não iria jogar mais futebol, não iria fazer mais nada e iria ficar com algumas sequelas. Foi quando eu apareci no São Cristóvão, fiz um teste, passei também e, curiosamente, num jogo com o Vasco da Gama, tive um olheiro de lá que pediu para que eu lá fosse e aí fiquei por lá. Graças a Deus consegui lá os títulos para que também pudesse agregar aqueles que tive aqui em Portugal.

Bola na Rede: Olhando para a tua chegada ao futebol português, o que é que passa pela cabeça de um jovem guarda-redes brasileiro que vê em Portugal a entrada nos maiores palcos europeus?

Helton: Eu tive uma saída do Vasco da Gama onde muitos não acreditavam que eu viesse para Portugal e encaixar no UD Leiria, mas eu acho que vai muito daquilo que nós acreditamos. Eu acreditei em abrir essa porta, tive a oportunidade no UD Leiria, se bem que na altura o meu empresário tinha dito que eu ia para o FC Porto, mas eu precisava de passar 6 meses para me poder adaptar ao futebol português. Eu continuei a acreditar no meu trabalho e depois tive a oportunidade de finalmente chegar ao clube que me tinha sido prometido. Mas sim, é sempre o sonho de grande atleta representar o seu país fora do seu país. Graças a Deus, a estrelinha também me ajudou.

Bola na Rede: Sentiste algumas diferenças entre o futebol brasileiro e português?

Helton: Em cada país, o futebol tem a sua mais-valia. Independentemente de onde estejas, tens de te adaptar. Não existe o melhor, nem o pior. Cada um tem a sua forma de entender. Não tive qualquer problema, porque tive a sorte de encontrar pessoas capacitadas para me ajudar e dar continuidade no trabalho. Eu tive pessoas capacitadas como o mister Vítor. Eu acho que quando nós temos essa oportunidade de dar continuidade no trabalho e das pessoas perceberem que já existe algo “entranhado” no atleta e que basta apenas lapidar, as coisas ficam menos complicadas, porque é mais fácil de identificar as necessidades. Lembro-me quando o mister Valente me dizia “Meu, eu nunca vi defender e trabalhar assim”. Eu acho que mais vale a humidade de cada um, quer seja do atleta e do treinador, e graças a Deus não tive esse problema.

Redação BnR
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