«Infelizmente não partilhei balneário com Sérgio Conceição, mas para quem esteve com o Co Adriaanse…» – Entrevista BnR com Helton Arruda

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«Eu acho que, em primeiro lugar, temos de dar os parabéns, e alguns a mão à palmatória ao mister Sérgio»

 

Bola na Rede: Esse golo do Kelvin deu-se num FC Porto-Benfica. Todos sabemos todo o sentimento e emoção que envolve este clássico, algo que vai além do futebol. Como um elemento de balneário que passou por muitos destes jogos e pelas semanas de preparação, qual era o ingrediente novo que entrava na vossa equipa nesses momentos?

Helton: Eu sempre procurei o respeito. Eu nunca fui de polémica. Toda a gente sabia que eu queria ganhar. Eu acho que por aí a minha preparação sempre foi tranquila. Claro que toda a gente trabalha para ganhar, ninguém entra para qualquer desporto, seja ele qual for, para perder. A preparação tem de ser feita da melhor forma, seja para um Porto x Benfica ou para um jogo da distrital. Eu hoje ainda me aventuro a jogar nos masters do Canidelo, e preparo-me como se me preparasse para uma grande final, porque isso é o que mais vale. Então, a preparação sempre foi muito parecida, a minha música, a minha calma.

Bola na Rede: E ao nível do balneário, todo o balneário pensava como tu?

Helton: Não se diz que é mais um jogo. É hipocrisia. O respeito não quer dizer que vás preparar mais além do que já estás habituado. Tem de se ter noção do que fazemos. Todos sabemos a realidade que existe. Naquela semana que antecede, tu acabas por trabalhar de forma diferente, isso é normal, mas não é algo premeditado.

Bola na Rede: E num balneário com tantas figuras e em ambientes como nesses clássicos, o FC Porto precisava de um capitão que fosse uma figura forte dentro do balneário. Qual era o peso da braçadeira do FC Porto?

Helton: É um peso, posso dizer que sim. Agora, incutir nos teus colegas que estás ali a representar e levar adiante a palavra do balneário, todos precisam de ter esse comprometimento e responsabilidade, porque não sou só eu que vou decidir, é todo o grupo. O capitão não é nada mais que o porta-voz do grupo. E se ele tem o respeito e respeita o grupo, as coisas são facilitadas. Caso contrário, o peso ainda fica maior (risos).

Bola na Rede: Olhando para a tua saída do FC Porto, na altura comentou-se que a tua saída podia ter ocorrido de outra forma, também sentes isso?

Helton: Em termos de condições, nós vamos sempre procurar algo de melhor e querer mais, a não ser que uma pessoa não seja ambiciosa. Eu sempre fui ambicioso. Mas isso não me cabe a mim sinceramente responder. Eu acho que cada um tem noção daquilo que faz, como faz e aonde faz. Eu hoje orgulho-me numa coisa que, independentemente da minha saída, eu tive e tenho: o carinho de muitos adeptos, inclusive adeptos que não são simpatizantes do FC Porto. Eles de alguma forma reconhecem o meu trabalho e isso deixa-me orgulhoso por ter cumprido o meu objetivo. Não me faz confusão sinceramente (risos).

Bola na Rede: No teu último jogo pelo FC Porto, despontou uma das grandes pérolas da formação, André Silva [pontapé de bicicleta na final da Taça de Portugal frente ao SC Braga], já aí se via o potencial deste jogador e do que viria a ser a formação dos portistas?

Helton: Eu vejo a formação muito boa. Cada vez mais tem de se aproveitar, eu acho que é dar continuidade. Na altura já havia outros atletas que contavam, que iam para outros clubes rodar, e já demonstravam a qualidade. Cada vez mais tenho visto, o próprio Diogo Costa hoje é uma das revelações. Tem jogado e feito um bom trabalho, eu acho que não tem de se esconder.

Bola na Rede: Por falar em Diogo Costa, é o futuro da Seleção Nacional?

Helton: Não sei, não depende de mim (risos). Eu torço para que ele se mantenha lá. Para além de termos trabalhado juntos, eu sempre fui um admirador das qualidades dele. E posso dizer que, para mim, ele e o Hugo Ventura foram os dois guarda-redes que passaram connosco com bastante talento. De certeza que poderiam ter tido uma oportunidade diferente, principalmente o Ventura.

Bola na Rede: Olhando para a atualidade e para o FC Porto, que méritos podemos dar a esta equipa atualmente?

Helton: Eu acho que, em primeiro lugar, temos de dar os parabéns, e alguns a mão à palmatória ao mister Sérgio. Pegamos na personalidade dele e na forma como ele trabalha, ele não descansa. Está sempre atento para que faça melhor, cada vez mais. Eu dou o mérito ao mister e os parabéns aos atletas, que, independentemente da posição e das oportunidades, estão ali para poder representar da melhor forma o trabalho do mister.

Bola na Rede: Olhando para a figura do Sérgio Conceição, num cenário hipotético, caso estivesses num balneário com Sérgio Conceição como treinador. Dar-se-iam bem?

Helton: Infelizmente eu não tive essa oportunidade, mas para quem esteve com o Co-Adrieense…

Bola na Rede: Recentemente vimos um FC Porto x Sporting CP envolto numa grande polémica no relvado entre os jogadores. Enquanto alguém que já esteve neste palco, como é que vês toda esta situação? Se calhar, era preciso um Helton para apaziguar em momentos como este.

Helton: Não temos como opinar a respeito daquilo que não vivenciamos, eu penso dessa forma. Já estive envolvido numa situação, onde acabei por não fazer nada, mas mais valia ter feito, e mesmo assim ainda fui crucificado. Mas enfim, tenho a minha consciência tranquila, fui dormir sossegado, porque tinha noção de tudo aquilo que se tinha passado. Por isso, como não tivemos lá, não podemos opinar ou julgar alguém sem ter conhecimento dos factos. Eu acho que cada um sabe o que faz e, naquele caso, todos tiveram conhecimento do que fizeram, agora quem tem de punir? Não somos nós, essa é a grande verdade, são as pessoas que têm direito. Então, naquilo tudo que aconteceu, cada um vai pagar pelo preço.

Bola na Rede: Tiveste em contacto, ao longo da tua carreira, com diversos jogadores jovens. E é nisto que os clubes portugueses cada vez mais estão a investir, na sua estrutura e também na sua formação. Clubes como o SC Braga, o GD Estoril Praia, o Vitória SC, são um exemplo disso. Acreditas que, num futuro próximo, este investimento irá se refletir a nível interno, e, quiçá, a nível europeu?

Helton: Eu acredito muito nisso. Acredito que cada vez mais se dá valor à “prata da casa”, como se diz no Brasil, que é apostar nos jovens da formação. Eu penso que é dar continuidade, trabalhar ao máximo no presente, para poder perspetivar um futuro.

Bola na Rede: Este ano a criação da Liga 3 trouxe uma “lufada de ar fresco” ao futebol português. Esta competição quebrou as barreiras existentes entre os escalões profissionais e não profissionais, sentes que é um objetivo a ser cumprido e que ainda pode atingir patamares superiores?

Helton: Hoje, confesso que não tenho acompanhado tanto, mas ainda vou tendo algumas notícias, principalmente a respeito do Leiria. Mas, vejo com bons olhos, acho que profissionalizar não é mau, só vai retribuir bons frutos no futuro. Então, se é para profissionalizar e dar oportunidade a quem tem talento, porque não? É acreditar que aquilo veio e vai ser bom.

Redação BnR
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