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O alarme volta a soar no Estádio do Dragão. Depois da chegada de Maxi ter amenizado o impacto da saída de Danilo e de Aboubakar ter feito um brilharete ao nível dos que Jackson fazia, na primeira jornada na Liga, outra possibilidade (mais real do que alguns julgariam possível) “mercantil” acabou mesmo por se confirmar, ainda na semana que agora finda: Alex Sandro deixou a vaga de defesa-esquerdo do onze portista em aberto.

Não se pode ou, pelo menos, não se deverá apontar o dedo a ninguém: Alex saiu para o finalista vencido da última edição da Liga dos Campeões, a Juventus e vai receber 300 mil limpos por mês, segundo noticia o jornal O JOGO; na conta bancária do FC Porto, entram, às prestações, 26 milhões de euros, sendo que outras variáveis dependentes de objetivos desportivos não foram confirmadas ou desmentidas. Portanto, o negócio é bom. Em quatro épocas de azul e branco, o valor do brasileiro praticamente triplicou e, que se queira, quer não, este é apenas mais um fruto do modelo de negócio do FC Porto: comprar novo, “formar” o jogador e o homem, tirar dividendos e vender caro.

Mas vamos aos factos: 137 jogos e três golos em quatro temporadas, mais o primeiro jogo oficial desta estação. Seis internacionalizações pela seleção do Brasil e um rendimento notável ao serviço dos dragões. Alex Sandro é aquele lateral de propensão ofensiva (tipicamente canarinho), que não se esconde do jogo, gosta de ter a bola, fiável a defender e com excelente envolvimento na dinâmica atacante da equipa, não sendo raras as vezes em que aposta no “um para um”. Difícil arranjar igual? Neste momento, diria que será quase impossível. Mas está a lateral-esquerda do FC Porto órfã? Não creio.

Teoricamente, o clube da Invicta já estaria precavido para esta eventualidade. Não foi por acaso que Aly Cissokho chegou, já em agosto. O internacional francês já conhece os cantos à casa (cumpriu a segunda metade de 2008/09 no Dragão), conta com passagens por Lyon, Valência, Liverpool e Aston Villa (clubes de nomeada, portanto) e, se as qualidades que evidenciou na sua primeira passagem pelo Porto se mantiverem intactas, Julen Lopetegui não se pode considerar mal servido. Isto, numa primeira análise.

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Cissokho voltou ao Dragão precisamente para precaver a saída de Alex Sandro
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

José Ángel, pelo contrário, não me parece uma alternativa viável. O nível que exibiu durante a pré-temporada está aquém daquele que o brasão ao peito exige, mesmo sendo visto como segunda alternativa após a saída de Alex Sandro. Demasiado “macio” a defender, não aparenta ser suficientemente resoluto a atacar e, se na época passada, quando foi chamado, não comprometeu, foi acumulando erros nos últimos jogos de preparação. Julgo que o empréstimo com opção de compra ou a saída a título definitivo seriam soluções viáveis para um lateral que classifico como banal, pelo (pouco) que mostrou.

Depois, há a hipótese mais remota: Rafa continua na equipa B dos azuis e brancos, à espera da chamada à equipa principal. Não tenho problema em categorizar o jovem lateral de “diamante em bruto” porque é isso que é. E tenho a certeza que muitos pensam de igual forma. Depois de um Mundial de Sub-20 em que se apresentou a um nível elevadíssimo, esta poderia ser a oportunidade de ouro para o luso. Trabalhar com Lopetegui só lhe faria bem, tendo em conta a experiência do basco com jovens (que não se esqueça o trabalho desenvolvido nas seleções de Espanha). Como aposta firme, a médio prazo poderia igualar o nível de Alex Sandro, ou até ultrapassá-lo. Dêem-lhe tempo e espaço para evoluir.

No balanço final, contudo, não posso deixar de revelar que, de certo modo, me sossegaria consideravelmente ver aterrar no Aeroporto Sá Carneiro um lateral-esquerdo de créditos firmados. Os rumores apontam Siqueira como a hipótese mais forte e acolheria de bom grado o brasileiro ex-Atlético de Madrid. Aos 29 anos, seria uma opção extremamente válida e para “pegar de estaca”. No Benfica deixou saudades e, assim, conhece bem as manhas do futebol português. Em segundo plano, surge Alex Grimaldo, do Barcelona B que, a meu ver, não passaria de uma incoerência: se há Rafa, porquê apostar num estrangeiro de qualidade igual ou inferior?

Alex Sandro saiu, mas haverá solução. Se não for Siqueira, Cissokho ou Ángel, outra surgirá. Os portistas já estão mais do que vacinados contra este tipo de situações. É verdade que os canhotos de excelência escasseiam, mas o trabalho de prospeção continua a ser feito e, no imediato, as respostas estão à vista. Só é preciso olhar de frente para elas.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto