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Começa esta semana uma nova etapa europeia do Porto com os 16-Avos da Liga Europa, frente ao Eintracht Frankfurt no Dragão. Depois de uma decepcionante (para não dizer humilhante) Liga dos Campeões, a equipa de Paulo Fonseca pode nesta Liga Europa chamar novamente os adeptos ao estádio e talvez motivar um plantel dividido entre jogadores que querem sair, jogadores medíocres, jogadores que tardam em provar o seu valor e jogadores talentosos em baixo de forma.

Um protótipo de Meio-Campo

Com as saídas e entradas no mercado de Inverno, o Porto aparece, à data, com um meio-campo idealizado por Paulo Fonseca que na realidade ainda nem sequer foi propriamente testado: Fernando, Herrera e Carlos Eduardo. Fernando é indiscutível: apesar da novela da sua possível saída, o jogador brasileiro (naturalizado português) quer mostrar todo o seu valor para que a sua mais do que provável saída no Verão seja realizada para um colosso europeu; Herrera está finalmente a mostrar consistência e adaptação (aliando ao talento e força que o jogador já tinha apresentado) na equipa portista, estando claramente à frente de Defour neste momento e tendo  realizado grande exibições nas vitórias contra o Paços de Ferreira e Gil Vicente; Carlos Eduardo é o médio ofensivo (um falso 10) que desde há uns meses conquistou a titularidade no Dragão (Josué mostra pouca regularidade e Quintero parece não ter a confiança do treinador), e apesar de a sua lesão o ter afastado dos últimos jogos, parece-me clara a confiança que o treinador tem nele.

Que a estreia de Herrera na Liga Europa dure mais do que seis minutos Fonte: trivela.uol.com.br
Que a estreia de Herrera na Liga Europa dure mais do que seis minutos
Fonte: trivela.uol.com.br

É impossível saber se Paulo Fonseca cederá ou não à tentação de começar o jogo de quinta-feira com um meio-campo que assumidamente (ainda que não o faça publicamente) entende ser o melhor, mas que dadas as circunstâncias foi sendo remediado com o que havia no banco. Ainda que já tenha desistido de prever as decisões do treinador do Porto, acredito que seja desta que irei acertar, até porque Josué tem tido várias falhas nos últimos jogos e a inclusão de Carlos Eduardo no 11 é a única duvida que reside neste momento, estando dependente naturalmente da sua condição física.

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Um Quaresma à Porto

Sou um assumido apreciador do talento do número 7 português e, passado mês e meio do seu regresso, impõe-se um pequeno balanço do seu recente trajecto no Porto. O seu talento não mudou, tem vindo a melhorar sobretudo a nível de velocidade e de 1×1, e se cheguei a ter dúvidas sobre se seria chamado novamente à selecção nacional, acredito que, ao manter-se a sua subida de forma, o Brasil espere por ele.

Porém, o Mustang tem-se apresentado muito intempestivo em campo, muitas vezes por sentir que tem nos seus ombros um peso brutal para decidir os jogos. Exageros em jogadas individuais, entradas agressivas sobre adversários, muitos encostos menos próprios, todo um conjunto de atitudes que acaba por reflectir uma vontade exagerada de ganhar e de defender a camisola em cujo símbolo tanto ama bater efusivamente a cada golo que marca.

Um Jackson (não) à Porto

Jackson Martinez atravessa um dos seus piores momentos no Porto, com uma fraca finalização, lento no ataque às bolas e com constantes atrapalhações infantis com a bola. Ninguém duvida do seu talento, mas talvez comecem a duvidar sim da sua motivação para continuar na equipa que o trouxe para a Europa e que o meteu no radar dos clubes mais poderosos a nível mundial.

ACADEMICA - FC PORTO SUPERTACA   2011/2012
Liga Europa, a motivação europeia para Jackson Martinez
Fonte: futebolportugal.clix.pt

Ainda que haja Ghilas no banco (o Derlei argelino que tanto elogiei no meu último artigo), Jackson não sente o peso da concorrência, mas em semana europeia, ainda que com clubes que não sejam essencialmente o desejo do avançado colombiano, talvez esta seja a motivação extrínseca de que Cha Cha Cha tanto necessita para mostrar que pode vir a ser o titular da selecção colombiana no Brasil (em caso de ausência de Falcão).

Rumo à 3ª

A Liga Europa não é nem deve ser a prioridade do Porto. Primeiro está o Tetra na Liga Portuguesa, depois vem tudo o resto. Cometer erros do passado não é um hábito deste clube, e a aposta na Liga Europa deve ser pensada e planeada de forma a não prejudicar os restantes objectivos da época. Dito isto, e acreditando que este Porto está a anos-luz do Porto da Taça Uefa de Mourinho e do Porto da Liga Europa de Villas-Boas, não é irreal acreditar que de Turim saia o 3º troféu da Europa dos Pequeninos para o Dragão, até porque, diga-se de passagem, este ano, com este treinador, nada é provável mas também nada é irreal; tudo depende da possível ou não subida de forma da equipa, porque talento, esse, parece-me indiscutível, mesmo que apenas esteja presente em metade dos jogadores.

O adversário é o modesto 12º classificado da Bundesliga, actualmente com 10 derrotas em 21 jogos na principal liga alemã. A equipa visitante (é mais fácil tratá-la assim) é bastante inferior ao pior Porto dos últimos anos, e não acredito que alguém espere menos do que uma vitória na próxima quinta-feira. Honestamente, pouco posso falar desta equipa, mencionando apenas nomes relativamente sonantes, como Rosenthal, Barnetta ou Kadlec, cuja forma na presente época desde logo desconheço.

Quinta-Feira estarei no Dragão a apoiar o clube que amo e que infelizmente não posso ver tantas vezes quantas gostaria, mas com a esperança de que de uma vez por todas esta equipa comece a jogar à bola. Sei que não vou gritar olés, sei que não vou ver uma goleada expressiva, espero apenas festejar uma vitória do Porto que valha os quase 700km que felizmente farei para o ver.