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A APRESENTAÇÃO

Não tivemos novidades de última hora e esse ‘hábito’ acabou por se perder no tempo. Longe vão as épocas em que a expetativa era grande para se perceber o coelho que sairia da cartola no dia da apresentação oficial.

Foram 30 os nomes anunciados nos altifalantes e aqueles que desfilaram no relvado cerca de uma hora antes do prato forte do dia (o jogo). Havia a curiosidade para se perceber em que ponto estavam as relações do público com a (renovada) equipa, depois das sucessivas desilusões na ponta final da última época e do recente desaguisado entre capitão e treinador. Isso ficou à porta do estádio e sob o também renovado tapete verde (que também está pré época) só se ouviram aplausos… e dos fortes. Tudo começou com Fábio Silva, a nova coqueluche azul e branca, que concorreu, ao nível dos decibéis, com Romário Baró.

Marcano, que não havia reunido total consentimento por parte da massa adepta em relação ao seu regresso, também viu ser-lhe dispensado um dos mais calorosos aplausos do fim de tarde. Até que chegamos ao número 22, o de Danilo. Por entre um rosto fechado, mas os braços bem abertos para saudar os que o queriam ‘animar’, o capitão percorreu os largos metros até ao palco para se juntar aos colegas sob um forte sinal de apoio.

Em relação aos consagrados, Alex Telles e Marega também viram os seus nomes serem os mais aclamados desde a bancada, ao passo que a Sérgio Conceição foi pedido o resgate do título. O técnico respondeu com uma vénia e a comunhão entre equipa e adeptos parece, enfim, manter-se inatacável.

O JOGO

 Não correu bem o regresso a casa. As indicações deixadas no último particular, antes da estreia oficial com o FK Krasnodar, colocou a nu todas as debilidades próprias de uma equipa que se vê obrigada a uma reformulação em pouco mais de um mês. O futebol portista pareceu em muito momentos esgotado de ideias e sem capacidade para se impor perante este AS Monaco FC, que está longe do fulgor de outros tempos. O cansaço foi evidente em muitos momentos e isso acabou por limitar a fluidez que já se esperava que a equipa pudesse apresentar nesta partida. Ainda assim, vê-se neste FC Porto capacidade para evoluir e elevar o nível competitivo, tantos são os sinais de qualidade individuais que muitos jogadores, principalmente os novos, vão mostrando. Tudo isso, quando conjugado com o acerto da arrumação tática da equipa, acabará por mostrar um FC Porto bem mais coeso e entrosado. A derrota com o AS Monaco FC acaba por ser também a confirmação de algo que já se desconfiava: este plantel não pode estar fechado, pelo menos enquanto a ele não chegar um médio capaz de entrar diretamente na equipa e corresponder aquilo que são as (novas) ideias de Conceição.

Fábio Silva estreou-se no Estádio do Dragão e entrou com a força toda
Fonte: Bola na Rede

Novas, sim! E aqui reside um aspeto muito particular e talvez um pormenor que, se calhar, é um verdadeiro “pormaior”. Estiveram 45 mil adeptos no Dragão, mas os últimos instantes e sobretudo o final do jogo viram um Dragão praticamente despido, que abdicou de se despedir de uma equipa que, mais do que nunca, precisa de total apoio para poder crescer, não só no seu futebol como também nos índices motivacionais e de confiança. A maioria do público não quis sequer saber da nova realidade que impera no clube azul e branco ou, por mera impaciência, não dá importância ao facto de toda uma forma de jogar que já estava completamente enraizada, ter de ser adaptada em função das CINCO saídas de jogadores fundamentais em relação à última época. O futebol algo atabalhoado e aos repelões que os portistas mostraram hoje faz parte de um processo de crescimento que, naturalmente, está ainda longe de estar terminado. Não foi bonito que alguns assobios se fossem ouvindo, aqui e ali, a crucificar tomadas de decisão menos boas que, em boa verdade, acontecem pelo peso que as pernas carregam nesta fase da época. Sérgio sabe aquilo que tem à disposição e procura agora colocar a render o talento ao serviço da ideia que vem implementando e que demorará, normalmente, o seu tempo. Seria bom que a mentalidade fosse outra por parte de quem também tem a sua quota parte de importância neste processo evolutivo.

Quanto ao jogo, nota para Vaná e Danilo, que cumpriram os 90 minutos. O AS Monaco FC soube aproveitar um erro na construção para fazer o único golo da partida, por intermédio de Gelson Martins. Os dragões, por seu lado, acumularam variadíssimas oportunidades, apesar de não exercerem um domínio sobre o adversário e do seu jogo ser maioritariamente aos repelões e refém de iniciativas individuais preconizadas essencialmente por Corona e Luis Díaz.

Romário esteve em bom nível e fez as delícias das bancadas com toques de excelência, mas também ele acabou traído pelo desgaste físico, que o levou a não tomar as melhores decisões em muitas ocasiões. Ainda assim, esteve perto do golo num par de ocasiões. Antes do Mónaco marcar, não conseguiu responder ao cruzamento milimétrico de Corona e na segunda parte rematou forte de fora da área para defesa apertada de Lecomte.

A história fica ainda marcada pela grande penalidade que Telles desperdiçou à passagem da hora de jogo, numa altura em que o Mónaco procurou retirar a iniciativa ao FC Porto e quebrar o ritmo de forma inteligente, jogando pausadamente a toda a largura do terreno.

Os dragões não tinham neste momento soluções para responder ao jogo cínico dos franceses, mas a entrada de Fábio Silva acabaria por dar uma vitamina à equipa de Sérgio Conceição. Na primeira envolvência numa jogada de ataque, deixou a bola em Saravia que serviu Otávio, para este falhar à boca da baliza. Mais tarde, esteve perto de continuar a viver o seu conto de fadas, mas o cabeceamento após livre de Bruno Costa embateu na trave.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

FC Porto: Vaná, Manafá (Renzo Saravia 75′), Pepe (Osorio 83′), Marcano (Tomás Esteves 83′), Alex Telles (Diogo Leite 83′), Danilo, Sérgio Oliveira (Nakajima 59′), Luís Diaz (Zé Luís 59′), Romário Baró (Bruno Costa 59′), Corona (Fábio Silva 75′) e Soares (Otávio 59′).

AS Monaco FC: Lecomte; Sidibé, Jemerson, Panzo, Ballo-Touré (Lylle Foster 74′), Henrichs (Pelé 87′), Golovin (Badiashile 74′), Fábregas (Adama Traoré 46′), Gelson Martins (Ahoulou 74′), Boschilia (Nacer Chadli 64′) e Sylla (Rony Lopes 64′).

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