A CRÓNICA: ERROS DO PRIMEIRO TEMPO DITAM RESULTADO FINAL

No 142.º dérbi da Invicta, histórico duelo entre FC Porto e Boavista FC, os axadrezados conseguiram empatar no Estádio do Dragão, algo que já não acontecia desde setembro de 2014.

FC Porto e Boavista FC entraram em campo com várias alterações e foi o Boavista que fez soar o alarme portista logo aos dois minutos. Angel Gomes cruzou à direita e Elis desviou para defesa de Marchesín. Os axadrezados entraram melhor no jogo e, aos 7′, chegaram mesmo à vantagem por Porozo. Sauer bateu o canto à direita e o central, ao primeiro poste, cabeceou para o primeiro golo do jogo.

O FC Porto estava com problemas no seu meio-campo, com Sérgio Oliveira mais desaparecido em zonas mais ofensivas, devido ao facto do português ter de desempenhar o papel de Uribe. Já Fábio Vieira não estava nos seus dias, com muita desorientação e fraca eficácia no passe. Ainda assim, foi Sérgio Oliveira a criar a melhor oportunidade de golo dos dragões, aos 19′, quando rematou de pé esquerdo à entrada da área e obrigou a uma intervenção atenta de Léo Jardim.

Elis, o nome que zumbia na cabeça dos defesas portistas, teve na coxa mais uma oportunidade de golo, à meia hora. Cannon cruzou, o hondurenho desviou e Marche, mais uma vez, defendeu. Tão histórico como este duelo é a expressão popular que diz “à terceira é de vez”, e Elis, já no tempo de compensação do primeiro tempo, desviou com sucesso um cruzamento de Ricardo Mangas, ao segundo poste, aumentando a vantagem boavisteira no jogo.

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A segunda metade reatou praticamente com o primeiro golo do FC Porto. Aos 54′, Taremi recebeu de peito na área, rematou, a bola desviou em Porozo e entrou na baliza axadrezada.

Numa segunda parte de grande pressão azul e branca, os dragões voltaram a criar perigo aos 77′, através de Sérgio Oliveira. O médio rematou de fora da área para uma defesa atenta do guardião das panteras. Dois minutos depois, surgiu o golo portista, marcado pelo médio português. Evanilson antecipa-se na área, sofre falta e, de grande penalidade, o médio não vacilou.

Aos 85′, a história viria a ser diferente. Francisco Conceição, na sua estreia pela equipa principal, rompeu dentro da área e foi derrubado por Show. Na marca dos 11 metros, Sérgio Oliveira atirou ao poste. Os dragões ainda viriam a marcar por Evanilson, aos 89′, depois de mais um lance individual de Francisco Conceição, mas Manuel Mota detetou uma irregularidade no lance e anulou o golo azul e branco.

Os azuis e brancos deixam, desta forma, dois pontos neste histórico duelo, muito devido aos erros cometidos no primeiro tempo.

 

A FIGURA

FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Segunda parte portista – Além das correções aos problemas da primeira parte, os azuis e brancos, principalmente através dos “reforços” saídos do banco, Evanilson e Francisco Conceição, foram muito pressionantes e criaram sucessivas oportunidades de finalização.

O FORA DE JOGO

Jovens dragões – João Mário e Fábio Vieira estiveram em dia não. Se o primeiro não conseguiu dar a profundidade pretendida por Conceição à faixa esquerda, o segundo pareceu perdido em campo e errou muitos passes, quebrando assim ataques portistas. Deste lote, excluo Diogo Leite, cuja substituição ao intervalo foi meramente tática.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

O FC Porto apresentou-se na sua formação normal, mas com pedras renovadas, e aí estiveram os maiores problemas dos dragões. João Mário, à esquerda, apenas deu apoios curtos, não conseguindo explorar os espaços nas costas de Cannon e Devenish. Fábio Vieira, no meio-campo, esteve muito desorientado em campo e quebrou, por várias vezes, os ataques portistas, ao falhar ou enviar passes atrasados para os colegas. Ainda no meio-campo, com a inclusão do jovem médio, Sérgio Oliveira cumpriu as funções de Uribe, tendo de vir buscar jogo mais atrás e não conseguindo, assim, mostrar o seu potencial no apoio ofensivo.

Sérgio Conceição mexeu ao intervalo, colocando Grujic, para libertar Sérgio Oliveira, Zaidu, para explorar a profundidade à esquerda e Otávio, para adicionar veia criativa à equipa. Veia criativa essa que saiu reforçada com a entrada de Francisco Conceição, que desequilibrou bastante em espaços curtos.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (6)

Manafá (5)

Pepe (6)

Diogo Leite (5)

 Sarr (6)

João Mário (4)

Sérgio Oliveira (6)

Fábio Vieira (4)

Corona (6)

Marega (5)

Taremi (5)

SUBS UTILIZADOS

Otávio (6)

Zaidu (6)

Grujic (6)

Evanilson (7)

Francisco Conceição (7)

 

ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC

O Boavista FC apresentou-se em 5-4-1, com Elis a ser o elemento mais adiantado da formação axadrezada. Os boavisteiros tentaram segurar e intercetar os ataques portistas, de forma a sair em contra-ataque, na maior parte do jogo. Em jogo organizado, procuraram, sobretudo, o jogo pelas alas, com a sobreposição dos laterais, e a profundidade de Elis, o elemento diferencial da equipa de Jesualdo Ferreira.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES 

Léo Jardim (5)

Cannon (6)

Rami (5)

Porozo (6)

Devenish (5)

Mangas (6)

Paulinho (5)

Sauer (6)

Nuno Santos (6)

Elis (7)

Angel Gomes (6)

SUBS UTILIZADOS

Show (5)

Gómez (5)

Benguche (-)

Hamache (-)

Pérez (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

Bola na Rede: O FC Porto, na primeira parte, teve, sobretudo, três grandes dificuldades: não conseguiu explorar a profundidade à esquerda, Sérgio Oliveira estava a fazer o papel que é de Uribe, normalmente, e, por isso, tinha de vir buscar bola mais atrás, não conseguindo, depois, estar na fase de definição do ataque, e Fábio Vieira não estava com a assertividade habitual no passe. Com as substituições ao intervalo, foram estes os problemas que procurou resolver? Considera que foram esses erros que acabaram por ditar este empate?

Sérgio Conceição: Foi, exatamente. A distância entre os médios era muita, a reação à perda foi fraca, os avançados estavam muito largos. Tentamos explorar os espaços interiores com os quatro mais criativos, ter por fora gente que me desse velocidade em condução, e tentar explorar, no espaço, o Manafá, o Marega e o João Mário. Não surtiu efeito porque há a dinâmica que tem que haver, não é que os jogadores estejam mal. Eu sabia que, perante o adversário que vinha defender, tinha de utilizar o Fábio para me dar essa qualidade de passe e o Sérgio também, para explorar a largura no campo com jogadores tecnicamente evoluídos. A verdade é que, do que eu queria para o jogo, não saiu nada, porque não fomos consistentes, não estávamos bem, muito estáticos, exatamente porque não estávamos bem no jogo. O adversário saiu com facilidade e, mesmo não estando bem com bola, há algo inegociável: a atitude. Não se pode fazer três faltas apenas, só se formos o Barcelona e tivermos 90 por cento de posse de bola.

Boavista FC

Bola na Rede: O Boavista utilizou, hoje, aqui no Dragão, oito jogadores sub-23. Acha que este resultado ainda é mais dignificante por esse facto? O que podem trazer estes jovens ao futuro imediato do Boavista?

Jesualdo Ferreira: Podemos construir coisas boas em cima de vitórias, não conseguimos construir o futuro em cima de derrotas, seja no futebol ou em tudo. Precisamos de ganhar para que eles entendam que há muita coisa que se passa para vermos onde eles querem chegar. O Boavista tem uma equipa jovem mesmo, isso tem coisas boas e menos boas. Tínhamos feito um plano para três jogos, só conseguimos ganhar um, temos de reformular tudo outra vez, é o nosso trabalho, a nossa obrigação. Os jogos no Bessa têm sido adversos à parte do jogo com o Benfica. Vamos tentar planear o jogo e estruturar a equipa para mais do que uma ação em campo para darem ao jogo uma globalidade maior. Há muito jogador que pode ser muito importante no futuro.

Artigo revisto

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