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FC Porto 2016/17 vs. FC Porto 2017/18

Francisco Sampaio · 4 min

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fc porto cabeçalho A temporada futebolística chegou ao final para o FC Porto e, da mesma, restam poucas recordações positivas para os adeptos do clube azul e branco. Houve, contrariamente a épocas anteriores, momentos de alguma euforia resultante das vitórias consecutivas que a equipa ia conseguindo e, sobretudo, da longa sequência de jogos sem que o FC Porto conhecesse o sabor da derrota. Porém, se as derrotas eram poucas os empates eram demasiados e, acima de tudo, os resultados mascaravam perversamente as debilidades táticas que a equipa sempre apresentou.

Com um Sporting CP desde cedo arredado do título, muito por culpa de um plantel extremamente desequilibrado na sequência de opções no mínimo duvidosas tomadas por Jorge Jesus no que concerne às contratações (o treinador da equipa verde e branca, se taticamente está ao nível dos melhores do mundo, está longe de ter o mesmo talento para identificar futebolistas a contratar, tarefa para a qual Rui Costa, no SL Benfica, era um precioso auxílio), e com um SL Benfica que não conseguia transpor para o terreno de jogo, na totalidade, a qualidade individual do seu plantel, alcançar o título de campeão nacional chegou a parecer possível para o FC Porto. Rui Vitória, à semelhança da época transata, nunca conseguiu desenvolver dinâmicas ofensivas com qualidade similar às das defensivas (com a equipa a depender sempre muito dos desequilíbrios individuais no momento ofensivo), razão pela qual o SL Benfica nunca pareceu imbatível e, como tal, sempre pareceu alcançável. Mas o FC Porto era menos competente do que aquilo que parecia.

Deu para vencer muitos jogos na Liga NOS (na qual o desequilíbrio entre as equipas ditas “grandes” e as restantes é gritante), deu para atingir os oitavos de final na Liga dos Campeões (após um play-off no qual a AS Roma terminou a segunda mão reduzida a nove jogadores e uma fase de grupos na qual os adversários foram, todos eles, extremamente acessíveis), mas nunca deu para esconder aos mais atentos as lacunas coletivas da equipa. Individualmente a qualidade era muita, até mais do que parecia no início da época (Casillas, Felipe, Marcano, Danilo, Otávio, Óliver, Brahimi, Corona, Diogo Jota, André Silva, etc.), mas Nuno Espírito Santo nunca foi capaz de formar uma máquina bem oleada a partir destas magníficas peças.

Nuno Espírito Santo não teve uma época feliz ao serviço do FC Porto Fonte: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
Nuno Espírito Santo não teve uma época feliz ao serviço do FC Porto
Fonte: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo

O desempenho na Taça de Portugal ficou muito aquém das expetativas, com o FC Porto a “cair” logo na quarta eliminatória frente ao GD Chaves. Assim, a meio do mês de novembro, os azuis e brancos estavam já arredados da luta pela segunda competição mais importante a nível interno. Na Taça da Liga, competição na qual não se percebe porque razão o FC Porto ainda participa (dada a displicência com que sempre a aborda), logo a abrir o ano 2017 os azuis e brancos sentenciaram a sua eliminação após derrota, em Moreira de Cónegos, contra o Moreirense FC. E daí em diante pouco mais há a acrescentar à história que todos já conhecem…

Foto de Capa: FC Porto

É agora hora de começar a preparar a temporada futebolística 2017/18 e, para a mesma, já existem duas certezas e uma “meia certeza”: 1) Marco Silva não será o treinador do FC Porto; 2) os azuis e brancos terão que vender alguns dos principais futebolistas de modo a cumprir o fair play financeiro imposto pela UEFA; 3) provavelmente Casillas não mais voltará a pisar o relvado do Estádio do Dragão. Tendo em conta estes dados parecem existir duas situações iminentes: 1) Sérgio Conceição é o mais provável sucessor de Nuno Espírito Santo no cargo de treinador do FC Porto; 2) é essencial introduzir no plantel principal e potenciar os futebolistas oriundos da formação do clube.

Sérgio Conceição é um dos nomes que podem suceder a Nuno Espírito Santo Fonte: Facebook "FC Porto- Estilo de Vida"
Sérgio Conceição é um dos nomes que podem suceder a Nuno Espírito Santo
Fonte: Facebook “FC Porto- Estilo de Vida”

Relativamente às vendas poucas dúvidas restarão que estas deverão ser, na sua maioria, do meio campo para a frente, colocando-se próximo da porta de saída nomes como os de Danilo, Brahimi ou André Silva. É também expectável que o FC Porto não exerça a opção de compra por Diogo Jota dada a necessidade de um avultado investimento na ordem dos 22 milhões de euros pelo futebolista. Finalmente, ficam dúvidas acerca do futuro de Felipe, jogador muito desejado na Europa do futebol. Quanto à opção Sérgio Conceição sobram sobretudo as incertezas. Enquanto treinador do SC Braga e do Vitória SC o treinador nunca teve “boa imprensa”, sempre tendo sobressaído mais a sua veemência nas conferências de imprensa do que as suas qualidades no domínio tático. Porém, importa não esquecer que, por exemplo, em Guimarães o treinador português encontrou uma equipa destroçada e, ainda assim, conseguiu construir algo.

Em França, Sérgio Conceição “herdou” um FC Nantes que se encontrava em 19º lugar na tabela classificativa e viria a terminar a época no 7.º lugar. Mais importante do que isso, “herdou” uma equipa com escassa qualidade individual e conseguiu transforma-la num coletivo com uma excelente organização defensiva e com boas ideias no momento ofensivo, embora nem sempre exequíveis dada a reduzida qualidade individual dos executantes. C aso Sérgio Conceição venha efetivamente a estar ao leme dos azuis e brancos existe uma probabilidade e uma certeza: 1) é provável que a equipa se disponha, estruturalmente, num 4x4x2; 2) é certo que, comparando o FC Nantes 2016/17 com o FC Porto da mesma temporada futebolística, Sérgio Conceição traria ao FC Porto uma melhoria no que ao modelo de jogo diz respeito.

Foto de Capa: FC Porto

Francisco Sampaio

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