Mais importante que tudo o que se diz, escreve ou pretende implementar é aquilo que se faz e se transforma em realidade. Essa diz-nos que a formação do FC Porto, no dia 29 de abril de 2019, escreveu a mais bela, mítica e gloriosa página da história do futebol formativo português. As reservas e menosprezo que sempre lhe dispensaram deram-lhe a força e a sagacidade necessárias para mostrar ao mundo que, sem olhar ao escalão, a dimensão europeia do FC Porto é um dado absolutamente incontestável.

Depois do calcanhar de Madjer com que os azuis e brancos escreveram o primeiro capítulo de uma história única a nível internacional, desta feita foi do joelho do capitão Queirós que o dragão começou a derrubar o gigante inglês. Com uma exibição de luxo, alicerçada numa entreajuda, concentração e disponibilidade muito grandes, a turma de Mário Silva ficou a dever a si própria um resultado ainda mais dilatado. Ainda assim, cada minuto de jogo só pôde encher de orgulho todo qualquer portista (e por que não português?) que tenha assistido à partida. A forma inteligente, agressiva e perfecionista com que os dragõezinhos deram a volta à imponência física dos britânicos foi uma autêntica maravilha.

A história começou a escrever-se a partir do pé esquerdo de Fábio Vieira, que decidiu aparecer no sítio certo, aos 18 minutos, para dar o último toque numa jogada idealizada por Àngel a partir da direita. Já antes, o menino do momento, Fábio Silva, havia desperdiçado uma enorme chance, depois de rodopiar sobre o guarda redes e atirar um remate frouxo, que a defesa salvou em cima da linha.

Nem tudo fora um mar de rosas, pois a entrada em jogo dos londrinos chegou a assustar. Ainda dentro dos primeiros dez minutos, duas incursões de Lamptey pela direita deixaram Tiago Lopes e a defensiva azul e branca em sentido.

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Um golo do Chelsea logo no reinício da partida deu a sensação de que o castelo poderia ruir, ainda por cima tendo em conta que Diogo Costa não ficou nada bem na fotografia, ao ficar a meio do cruzamento de Castillo que Redan aproveitou para desviar, de cabeça, para o fundo da baliza.

A comunhão entre jogadores e adeptos, que compareceram em grande número
Fonte: FC Porto

O mérito vai, depois, inteirinho para a reação dos portistas, que dois minutos depois se recolocavam por cima no marcador, depois de Diogo Queirós, às três tabelas, ter empurrado para o 2-1. Depois de um remate de João Mário defendido por Ziger e de uma primeira recarga do central portistas novamente travada pelo guardião croata do Chelsea, à terceira foi mesmo de vez e, com o joelho, Queirós fazia justiça ao ascendente portista no relvado de Nyon.

Já com Afonso Sousa em campo, a equipa de Mário Silva colocaria um ponto final nas dúvidas que pudesse existir, quando, a quinze minutos do fim, uma bela tabelinha com Romário Baró (que toque brilhante de calcanhar) deixou o filho de Ricardo Sousa e neto de António Sousa em posição privilegiada para fazer o 3-1.

Na Suiça, o dragão fez história e reforçou o seu estatuto de representante mor das cores nacionais por essa Europa fora. Que de uma vez por todas o mérito seja dado a quem realmente o tem. O feito que se alcançou não está ao alcance de todos e não há capa de jornal ou cláusula multimilionária incapaz de o ofuscar. Bravo!

Onzes iniciais e substituições

FC Porto – Diogo Costa, Tomás Esteves, Diogo Leite, Diogo Queirós, Tiago Lopes, Mor N’Diaye, Fábio Vieira (Vítor Ferreira, 71’), João Mário (Afonso Sousa, 63’), Àngel Torres, Romário Baró (Fábio Borges, 90’) e Fábio Silva (Boris Takang, 89’)

Chelsea FC – Ziger, Maatsen, Guehi, Colley, Lamptey (Brown, 76’), Castillo, Gallagher (Anjorin, 76’), McEarchen, Gilmour, McCormick e Redan.