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Ao 200.º jogo na Liga dos Campeões, os dragões somaram uma vitória que lhes permite praticamente a passagem aos oitavos de final da prova milionária. Herrera, Marega e Corona repetiram a dose da primeira volta, num jogo em que Otávio também faturou e Óliver foi mais uma vez o maestro que a equipa precisava.

Muita chuva e muito frio, com igual quantidade de vento à mistura, destoaram uma noite europeia de grande qualidade, igual às muitas que o Dragão, um pouco despido como se esperava, se habituou a testemunhar. Sérgio Conceição fez regressar a fórmula ‘champions’, reforçando o meio-campo com a única novidade da equipa, Herrera, e atribuindo a Marega as despesas do ataque.

Curiosamente, foi a esta dupla que o anfiteatro portista se vergou nos 45 minutos iniciais. Numa verdadeira entrada à campeão, ainda não estavam concluídos dois minutos nos placards do estádio e já as redes de um desamparado Guilherme abanavam pela primeira vez… e não era do imenso vento que se fez sentir. Numa combinação pela direita, Maxi serve Marega (o maliano faz um movimento esplêndido e vai buscar à linha de fundo) e este deixa atrás para Herrera, que sem ninguém na baliza só teve de encostar para o primeiro. Deu para aquecer, dirão uns, mas sobretudo foi o verdadeiro arrepiar de caminho rumo aos oitavos da prova maior dos clubes europeus.

Os russos jogavam perante condições climatéricas bastante aceitáveis para aquilo a que estão habituados e, sem nada a perder, iam aproveitando alguma lentidão que os portistas demonstravam nas transições defensivas para criar algum perigo.

Os irmãos Miranchuk tiveram uma boa oportunidade cada um deles. Primeiro Aleksei tirou tinta ao poste direito de Casillas, depois foi a vez de Anton rematar em jeito, mas o espanhol estava a controlar. O Porto sentia dificuldades em criar real perigo quando recuperava a bola em zonas adiantadas do terrenos, fruto da pouca largura que Corona e Brahimi ofereciam. Ainda assim, a caminho para o intervalo, Herrera tirou o ticket na portagem para que Marega percorresse toda uma auto estrada sem que brigada alguma o pudesse parar. Pois é, estava feito o segundo, depois de a bola passar por entre as pernas do guardião brasileiro do Lokomotiv. A primeira parte não terminaria sem que Maxi tentasse a sorte, de longe, mas sem sucesso.

A dupla mexicana esteve em destaque esta noite
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Para o segundo tempo, Semin decidiu-se pelo lançamento no jogo de Farfán, deixando Manuel Fernandes no balneário. A verdade é que o campeão russo entrou decido a dar uma outra imagem e, em apenas cinco minutos, fez soar os sinais de alerta junto da baliza de Casillas. Os dragões, algo surpreendidos, conseguiram contudo, afastar a pressão, depois de Herrera abrir na direita em Maxi, com o uruguaio a cruzar para o mergulho de Corona, que atirou ao poste.

Mas do outro lado estava mesmo uma equipa completamente transfigurada. Após um canto, Farfán, completamente solto, cabeceou sem hipóteses para Casillas. Tínhamos jogo para a última meia hora. O FC Porto sentia dificuldades, mas aí emergiu o mar Azul, a puxar pela equipa, a levantá-la e a conduzi-la a um triunfo importantíssimo nas contas azuis e brancas do grupo D. Óliver, que é de facto o maestro desta orquestra que está cada vez mais afinada, descobriu um corredor vazio onde deixar a bola, sempre redondinha, nos pés de Corona.

O mexicano, à imagem do que fizera há duas semanas na Rússia, abriu o livro. Tirou Idowu do caminho com classe e depois foi só fuzilar Guilherme. Parecia ter sido dada uma machadada nas aspirações dos homens de Yuri Semin, que veriam depois um momento bonito ao minuto 71, quando o Dragão aplaudiu de pé o compatriota Éder, que deu o lugar a Smolov. Até ao fim, de destaques apenas a chuva, que caía cada vez com mais intensidade e deixava o relvado do Dragão cada vez mais empapado. Ainda assim, Hernâni esteve perto de ampliar a vantagem para números que, se calhar, os russos já não mereciam. Mas Otávio não estava para complacências e fechou o resultado à bomba. Grande golo do brasileiro.

Onzes iniciais:

FC Porto: Casillas, Maxi, Felipe, Militão, Alex Telles, Danilo, Herrera, Óliver (Sérgio Oliveira, 84’), Corona (Hernâni, 77m), Brahimi (Otávio, 68’) e Marega.

Lokomotiv: Guilherme, Ignatyev, Howedes, Corluka, Idowu, Anton Miranchuk, Denisov, Krychowiak, Manuel Fernandes (Farfán, 46’), Aleksei Miranchuk e Éder (Somolov, 71’).

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