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O clássico dos clássicos está aí à porta. Não, não é o Real – Barça que desperta a paixão de milhares de milhão. É o Porto – Benfica do nosso Portugal, das dezenas de milhões. O jogo que faz os portugueses esquecerem tudo o resto e não deixa ninguém indiferente. É um confronto de ideais e ideologias. As de Lopetegui e as de Rui. Vitória? Já andou mais longe, mas amanhã é o teste a doer. E para Julen também. Ninguém se esqueça que o Porto do espanhol ainda não venceu as águias.

Hoje em dia, chegamos ao Dragão e vemos uma matriz que, se não é inédita, não deve andar longe de tal, na equipa que lá habita. A ideia da posse de bola e ‘tiki-taka’ à FCP aliou-se, até ver, àquilo que gosto de chamar “ideia da força”. Já o referi em textos anteriores e adquire uma importância maior na antecâmara da receção ao maior rival. Ao futebol tecnicista que o “tricotado” exige, alia-se o músculo de um meio-campo de choque e combate: Danilo, Imbula e Herrera/André André. Esta será, decerto, o alinhamento que Lopetegui vai fazer subir ao relvado. E é a derradeira prova de fogo para a eficácia anunciada mas ainda não totalmente comprovada do trio.

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No entanto, André André pode jogar na ala. O quê? Sim, já o fez na ponta final do jogo de Arouca e não deixou o crédito em mãos alheias. No entanto, colocar o ex-Vitória na ala pode significar algum receio da parte do timoneiro portista, algo que não é aceitável num jogo em casa perante o mais sério concorrente ao título nacional. Apostar em Corona ou Varela (embora prefira o mexicano) será a posição a tomar.

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Maxi será o jogador em foco do clássico
Fonte: Facebook FC Porto

Do lado do Benfica, finalmente começam a ver-se da tão preconizada “ideia de jogo”. Futebol de cariz ofensivo, mas com maior critério na posse de bola a meio-campo. Não é um modelo de jogo tão apelativo como o de Jorge Jesus? Com certeza que não, mas, se bem aplicado e traduzido em campo, será mais seguro.

Samaris tem-se assumido como o patrão do meio-campo e da equipa. Se na época passada o grego não me encheu as medidas, por esta altura parece um jogador mais completo e consciente daquilo que são as exigências de jogar no Benfica. É claro que a maior solidariedade do miolo vermelho acaba por beneficiar o médio que chegou do Olympiakos há uma temporada, dado que não é apanhado sozinho, em situação de contra-pé e costuma ter uma “muleta” a seu lado ou relativamente próxima, seja ela o outro médio-centro ou o extremo do 4-4-2 de Rui Vitória.

Na frente de ataque das ‘águias’, já não há Lima. Há Mitroglou, um jogador que faz lembrar Cardozo na postura e abordagem ao jogo. Mais leve que o paraguaio, parece igualmente “preguiçoso”, mas o instinto matador está lá e, até ao momento, tem bastado colocarem-lhe a bola à mercê, redonda. Jonas é indiscutível e Jiménez, não obstante os bons predicados que tem deixado quando entra, terá de esperar pela sua vez.

Os dados serão lançados pelos técnicos. O jogo já começou há muito cá fora e será interessante ver como encaixam os dois sistemas e modelos de jogo, tão distintos entre si. Um dos duelos de ideais mais interessantes dos últimos anos que, aliados ao fervor natural de jogo grande, podem proporcionar um espetáculo de nível elevadíssimo. Cá estaremos para ver. Venha ele.