O dia 27 de Outubro de 2019 não ficou apenas marcado pelo confronto que opôs o FC Porto vs FC Famalicão, também ficou marcado pelas alterações táticas/estruturais que Sérgio Conceição implementou na formação portista. Após um jogo dececionante contra o The Rangers Football Club, em que os dragões juntaram a um mau resultado, uma má exibição, ficando assim a nu as fragilidades defensivas do conjunto português e, igualmente, notou-se alguma inércia ofensiva por parte dos pupilos do ex-técnico do FC Nantes. Sendo assim, o técnico dos azuis e brancos resolveu não esperar mais e surpreendeu tudo e todos no desafio contra o, até então líder, FC Famalicão para colocar em prática os seus planos táticos.

Por conseguinte, a equipa nortenha transitou do habitual 4-4-2 para um 4-3-3 mais dinâmico, com a finalidade de obter um jogo mais dominador e pressionante sobre o adversário, quando este tem bola, de modo a recuperar o esférico de uma forma mais assertiva e eficiente. No entanto, o melhor é ir por partes e vamos começar pela defesa, setor em que Sérgio Conceição introduziu Mbemba e Wilson Manafá por Corona e Alex Telles nos corredores laterais. Por um lado, o defesa congolês permitiu que o lado direito ficasse mais sólido no momento defensivo, enquanto que no outro lado, o ex Portimonense SC ofereceu uma maior avalanche ofensiva ao conjunto azul e branco, aproveitando as suas maiores qualidades, como é o caso da sua velocidade e progressão com bola pela ala. Aliás, na partida do último domingo, foi frequente ver a equipa do FC Porto a reter bola no lado direito, para que aos poucos, Manafá, fosse progredindo pelo corredor contrário, com o intuito de apanhar o adversário em contra pé e criar assim um desequilíbrio evidente.

Avançando pelo terreno de jogo, chegamos ao meio campo. Aqui, já se verificou uma alteração mais estrutural, nomeadamente com a junção de Otávio à dupla Danilo Pereira e Mattheus Uribe. Recuando, novamente, ao encontro da Liga Europa, os dragões evidenciaram muitas dificuldades no controlo da partida, dado que não conseguiam gerir o ritmo de jogo, nem a posse de bola, mas principalmente, na transição defensiva, não conseguiam realizar uma pressão capaz de suster os contra golpes do adversário e isso foi visível em muitos períodos do jogo que os escoceses avançavam pelo relvado do Dragão como se estivessem perante uma verdadeira avenida. Desta forma, com a colocação de Otávio para espaços mais interiores concedeu aos seus dois colegas de equipa um maior equilíbrio posicional, ou seja, não tinham de deambular tanto pelo campo, assim como uma maior condensação de jogadores nesse espaço do terreno. Que benefícios trouxe para a dinâmica da equipa? A resposta é de fácil análise, visto que se assistiu a um maior controlo do meio-campo, bem como da posse de bola, que contrariamente vai retirar espaço de manobra aos seus opositores e aumentar dificuldades na sua circulação. Além disso, Sérgio Conceição viu a sua equipa mais avançada no campo e mais agressiva no momento da recuperação de bola, já que o FC Porto mostrou ser uma formação mais junta e compacta.

O onze titular dos dragões após as mudanças de Sérgio Conceição
Fonte: FC Porto

Por fim, falta referir as dinâmicas no ataque, onde apostou-se em Luís Diaz pela extremidade esquerda, com o avanço de “Tecatito” pelo corredor direito e com a fixação de Tiquinho Soares como a principal referência ofensiva da equipa. Neste âmbito, assistiu-se a um tridente de ataque clássico, com o extremo colombiano a procurar muitas vezes a profundidade, mas não deixando de procurar movimentos interiores para assim criar alguma indefinição no seu opositor direto. Pela mesma fórmula seguiu o seu companheiro de equipa, Jesús Corona, que voltou a desempenhar a posição de extremo com um papel bastante semelhante ao do ex-CPD Junior. Já, Soares procurou sempre ganhar lances divididos com os defesas, segurar jogo à espera da aproximação dos seus colegas de equipa, ser o primeiro “defesa” do FC Porto, embora nunca deixando de procurar alvejar a baliza do Famalicão.

Neste seguimento, os azuis e brancos evidenciaram ser uma formação mais sólida e compacta em todos os momentos da partida. Aliás, viu-se um FC Porto a procurar um jogo mais apoiado em vez de querer logo ferir o seu adversário e com isso surgiu um maior domínio e um maior controlo do jogo. No entanto, não se descuidou no momento defensivo em que exerceu uma pressão mais efetiva e com isso não concedeu muito tempo ao seu adversário para colocar as suas ideias em campo. Agora, a questão é saber se o FC Porto será capaz de manter esta dinâmica ou foi apenas um apontamento especial para um encontro específico.

Foto de capa: FC Porto

Revisto por: Jorge Neves

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