Publicidade

FC Porto vs Sporting CP: Felicidade Portista na Noite de ‘San’ Iker

Francisco Sampaio · 5 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

fc porto cabeçalho

Num Estádio do Dragão sem casa cheia mas com uma moldura humana assinalável (48.329 espetadores) teve lugar o primeiro “clássico” da segunda volta da Liga NOS 2016/17. No final a vitória sorriu ao FC Porto, mas o resultado parece algo inglório tendo em conta aquilo que o Sporting CP produziu dentro das quatro linhas.

No 11 inicial Nuno Espírito Santo apostou, desde logo, na inclusão de ‘Tiquinho’ Soares no lugar que tem vindo a ser ocupado por Diogo Jota. A opção parecia algo questionável considerando que este se tratava do primeiro jogo de Soares a este nível e que Jota, pela velocidade com que conduz a bola e pela sua capacidade ao nível da tomada de decisão, se trata de um futebolista muito importante na manobra ofensiva dos azuis e brancos. Por outro lado o treinador portista optou por uma estrutura destemida, assente num 4-1-3-2 bem declarado no qual se destacava, pela positiva, a presença na equipa dos desequilibradores Corona e Brahimi. Igualmente surpreendente foi a exclusão de Otávio e, sobretudo, de Miguel Layún da lista de convocados, tendo as laterais ficado entregues a Maxi Pereira e Alex Telles.

Soares teve uma estreia de sonho Fonte: FC Porto
Soares teve uma estreia de sonho
Fonte: FC Porto

Já do lado do Sporting CP Jorge Jesus surpreendeu com a inclusão de Matheus Pereira no 11 inicial, jogador que até ao momento somava apenas um minuto de jogo na Liga NOS. Apesar de se tratar, inegavelmente, de um futebolista talentoso, a sua exibição denotou a falta de estímulos no que se refere a jogos deste nível competitivo. Pela negativa destacou-se, igualmente, a ausência da equipa inicial de Alan Ruiz, o único futebolista que parece capaz de procurar espaços interiores no ataque do Sporting CP e que tende a não procurar sistematicamente a opção Gelson Martins para resolver todos os problemas. Suspenso devido a acumulação de cartões amarelos, William Carvalho cedeu o seu lugar ao jovem João Palhinha.

Quando as equipas estavam ainda a estudar-se mutuamente surgiu o primeiro erro do jogo e, consequentemente, o primeiro golo do FC Porto. Tanto Coates como Palhinha demoraram a alinhar o seu posicionamento com o de Rúben Semedo e, quando o fizeram, foi já demasiado tarde. Palhinha acabou por permitir a Soares aparecer sem oposição na cara de Rui Patrício e este, com frieza, colocou a bola no fundo das redes. Curiosamente o golo surgiu num erro ao nível do controlo da profundidade, aspeto no qual as equipas treinadas por Jorge Jesus tendem a ser quase perfeitas.

Foto de Capa: FC Porto

Talvez pelo golo marcado cedo, o FC Porto adotou uma postura em campo totalmente oposta àquela que tem sido a sua imagem de marca. Assim, a opção foi sempre por controlar o jogo sem bola, entregando o domínio da partida ao adversário. Ao contrário do que vem sendo habitual, a transição defensiva foi menos agressiva e a equipa preferiu apostar no rigor ao nível da organização defensiva para ir controlando as investidas da equipa verde e branca. Apesar do risco associado à opção, esse controlo foi efetivo ao longo da primeira parte, não tendo o Sporting CP conseguido criar ocasiões claras de golo.

Já aos 40 minutos de jogo Brahimi, em trabalho defensivo, conseguiu recuperar a bola e Danilo, como que encarnando em Julian Weigl, realizou um passe de rutura perfeito que colocou Soares isolado frente a Rui Patrício. Numa simbiose perfeita entre o passe vertical e o movimento em diagonal por entre os defesas do avançado brasileiro, Soares mostrou uma extrema tranquilidade no momento de enfrentar Rui Patrício (um dos melhores guarda-redes do mundo em lances de 1×0+GR) e acabou por colocar o FC Porto a vencer por 2-0. Apesar de tudo, neste lance, é errática a colocação dos apoios por parte de Coates, sobretudo, assim como é gritante o tempo que Rúben Semedo e Schelotto demoraram (sobretudo o último) para fechar atrás do central uruguaio.

Danilo foi peça chave no segundo golo dos dragões Fonte: FC Porto
Danilo foi peça chave no segundo golo dos dragões
Fonte: FC Porto

Na segunda parte o Sporting CP entrou em campo já com Alan Ruiz no lugar do apagado Matheus Pereira e, com isso, elevou o nível do seu jogo. Do outro lado o FC Porto baixou (demasiado) as suas linhas quando o resultado era ainda muito perigoso, entregando por completo o domínio do jogo à equipa verde e branca. Ao longo da segunda parte o controlo do jogo por parte do FC Porto foi menos efetivo e o Sporting CP foi criando mais oportunidades de golo, golo esse que acabou por surgir, sem surpresa, aos 60 minutos, por intermédio de Alan Ruiz. Daí até ao final as opções de Nuno Espírito Santo foram sempre muito conservadoras, retirando ambos os extremos do jogo e reforçando o corredor central e, dessa forma, anulando quase por completo o momento ofensivo da sua equipa. Do outro lado Jesus penalizava a má exibição de Marvin Zeegelaar com a sua retirada do jogo e, mais tarde, viria a apostar no talento e na tremenda capacidade de drible de Podence.

Até ao final, ainda que com um Sporting CP mais dominador, o resultado não mais viria a alterar-se, muito por culpa de Iker Casillas. A defesa realizada aos 82 minutos a cabeceamento de Coates é excelente, mas foi já após os 90 minutos, novamente em resposta a cabeceamento do central uruguaio, que ‘San’ Iker realizou uma defesa que poderá figurar, certamente, num qualquer vídeo no qual se apresentem as melhores defesas da história do futebol.

Foto de Capa: FC Porto

Chegados ao final do jogo podem destacar-se, pela positiva, as exibições de Danilo Pereira e, sobretudo, de Bryan Ruiz. O trinco azul e branco esteve quase sempre irrepreensível no posicionamento e, mesmo ao nível da construção, apresentou-se a um nível superior ao habitual. Já Bryan Ruiz terá sido, provavelmente, o melhor em campo. O costa-riquenho foi acumulando um conjunto de boas decisões ao longo do jogo e, dessa forma, em muito contribuiu para a qualidade apresentada pelo Sporting CP no momento ofensivo. Por outro lado, e pela negativa, o destaque vai para João Palhinha. O jovem médio português esteve quase sempre mal posicionado, tanto defensiva como ofensivamente, constituindo-se sempre como uma fragilidade no momento defensivo e como um elemento dificultador da fase de construção.

Fonte: Facebook Oficial de Iker Casillas
Fonte: Facebook Oficial de Iker Casillas

Apesar de tudo, as palavras de Jorge Jesus no final do jogo relativamente ao futebolista (“O Porto na 1ª parte foi melhor porque o Palhinha não levou o guião certo para se enquadrar com o que estava a acontecer no jogo.“) são apenas (mais uma) demonstração das suas limitações ao nível da gestão de recursos humanos e, sobretudo, ao nível do trabalho com jogadores jovens.

O FC Porto acabou por vencer mas não convencer, tendo mesmo sido uma sombra da equipa que defrontou o SL Benfica em pleno Estádio do Dragão. O Sporting CP foi mais dominador mas não conseguiu converter em golo as ocasiões que foi criando, muito por culpa da tremenda exibição de Iker Casillas. Com esta vitória o FC Porto mantém-se na luta pelo título, luta essa da qual o Sporting CP parece estar definitivamente arredado.

Foto de Capa: FC Porto

 

Francisco Sampaio

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.