Após explorar algumas das propostas que o candidato à presidência do FC Porto pela lista B, Nuno Lobo, apresentou aos sócios em recentes aparições, resta olhar para a lista C, encabeçada por José Fernando Rio.

Jurista de cinquenta e dois anos (sócio há mais de duas décadas), José Fernando Rio é um rosto conhecido da maioria do universo portista, muito por conta das suas corriqueiras aparições em espaços televisivos de debate desportivo.

Descontente com o rumo que o clube tomou recentemente, decidiu que estava na hora de “chegar-se à frente” e ir a votos nos dias seis e sete do próximo mês de junho.

Bom, e porque não começar por aí, pela data das eleições? José Fernando Rio tem sido particularmente crítico desta escolha, uma vez que, na sua ótica, as condições de segurança ainda não estarão reunidas para que o processo eleitoral decorra na primeira semana de junho.

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Em adição a isso, recorda que ainda não houve espaço para debate entre os três candidatos à presidência do emblema azul e branco, o que impossibilita, em parte, o esclarecimento dos sócios relativamente às ideias que cada uma das listas possui.

No entanto, apesar do debate a três ainda não se ter materializado, o líder da lista C tem procurado divulgar ao máximo os seus projetos, projetos esses que assentam, essencialmente, em três pilares: equilíbrio das contas, aposta na formação e modalidades.

José Fernando Rio, ao longo das suas recentes aparições públicas, tem demonstrado uma enorme preocupação com a esfera financeira do clube, chegando a afirmar, em entrevista ao Record, que o “clube corre o risco de perder a sua grandeza” caso não equilibre de forma célere as suas contas.

Essa tarefa, contudo, promete ser difícil, visto que, conforme o próprio candidato relembrou em entrevista concedida à página Super Portistas, num futuro próximo haverão empréstimos obrigacionistas por saldar, bem como haverá a necessidade de dar a volta às dezenas de milhões de prejuízo apresentadas no último relatório de contas.

O presente desequilíbrio financeiro, na visão do candidato, está intrinsecamente conectado aos recentes insucessos desportivos, uma vez que a má gestão, muitas das vezes, tem impedido que o clube administre da melhor forma situações complicadas, como a de jogadores em final de contrato.

A solução, segundo revelou o candidato à presidência do FC Porto num podcast intitulado A culpa é do Cavani, passará por uma restruturação da dívida, assim como por estabelecer um limite de dívida, visto que “a SAD do FC Porto não se pode endividar infinitamente, não pode estar sempre a recorrer a empréstimos”.

Na sua opinião, é imprescindível colocar um travão nos gastos, nomeadamente com salários e premiações. Nesse âmbito, o aspirante à presidência propõe um corte de 50% nas remunerações da administração portista, bem como uma não atribuição de prémios à estrutura do clube, caso o FC Porto não chegue ao título.

As medidas de alívio da folha salarial, todavia, não se restringiriam apenas à administração dos dragões. Os encargos salariais com a equipa principal também sofreriam um corte, corte esse que surgiria como consequência de uma maior aposta nos jovens da casa, jogadores que não exigiriam um esforço financeiro tão grande aos cofres do clube da Invicta.

 E essa acaba por ser outra das bandeiras da candidatura do jurista de cinquenta e dois anos: uma aposta efetiva na formação. Para que tal ocorra, segundo revelou a O JOGO, um ponto é fundamental: a criação de uma Academia que permita aos atletas “viverem, estudarem e treinarem sem andar com a casa às costas”.

Para além da formação, o candidato pela lista C compromete-se a investir num aspeto que outrora revelou ser preponderante para os lados do Dragão: a rede de scouting.

De modo a materializar esta ideia (a de voltar a ser uma referência na “descoberta” de jogadores), o jurista acredita que o clube precisa de colocar de lado a política de negociar apenas com alguns agentes desportivos; de modo a aumentar as probabilidades de sucesso no que à captação de jovens atletas diz respeito, defende que o FC Porto deverá trabalhar num “mercado livre de empresários”.

Para além disso, há que mexer na estrutura do futebol, incluir um diretor geral. O perfil já está traçado: o líder da lista C procura um nome de impacto para o cargo, alguém com uma passagem pelos dragões no currículo, seja dentro das quatro linhas (ex-jogador), seja fora delas (ex-treinador).

Na esfera das modalidades, José Fernando Rio é particularmente crítico. Crê que a condução desta vertente não tem sido a melhor e os resultados estão à vista: o número de modalidades diminuiu durante o “reinado” de Pinto da Costa e as que restaram, por vezes, não possuem as ideais infraestruturas.

O objetivo desta lista passa por aumentar o número de modalidades (futsal, voleibol masculino, atletismo), assim como dirigir uma atenção especial para a vertente feminina, que, do ponto de vista de José Fernando Rio, tem sido muitas das vezes esquecida.

Relativamente às infraestruturas, com a finalidade de colmatar as lacunas atuais, o candidato confessou que tentará erguer um novo pavilhão, tendo também revelado que equaciona uma academia direcionada para as modalidades.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

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