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Depois da pesada derrota da 1ª mão, o FC Porto deslocou-se a Anfield Road de orgulho ferido e com um grande dilema na cabeça de Sérgio Conceição e de todos os portistas. Salvar o bom nome do clube na prova apostando todas, ou grande parte delas, as fichas neste jogo, ou salvaguardar recursos para as batalhas internas.

A prioridade (a meu ver bem) foi dada ao Campeonato Nacional e o FC Porto entrou em campo com uma equipa composta, na sua grande maioria, por segundas linhas, sendo a inclusão de Bruno Costa no onze o apogeu desta ideia. Com Casillas na baliza, Felipe no centro da defesa e as laterais entregues a Maxi e Dalot, a única alteração no setor em comparação com o Clássico frente ao Sporting CP foi a troca de Ivan Marcano por Diego Reyes. A linha de quatro médios foi composta por Óliver e André André ao centro e, Corona e Waris encarregues da ala direita e esquerda respetivamente. O centro do ataque foi entregue a Aboubakar (para acelerar o processo de reabilitação total do camaronês) e, nas suas costas, jogou o já mencionado Bruno Costa.

Era, portanto, com uma equipa sem rotinas que Sérgio Conceição iniciava esta partida, na provável esperança de que Jurgen Klopp, tendo em vista o confronto contra o Manchester United no próximo fim de semana, optasse, igualmente, por fazer descansar as suas pedras basilares.

Ora, o treinador alemão havia prometido uma equipa na máxima força e cumpriu, de certa forma, o prometido. Apesar da ausência da estrela da companhia, Mohamed Salah, o Liverpool fez alinhar uma equipa maioritariamente composta por jogadores habitualmente titulares.

Onze dos Reds: Karius; Joe Gomez, Matip, Lovren e Moreno; Milner, Henderson e Emre Can; Lallana, Sadio Mane e Firmino.

Os adeptos portistas estiveram em grande no apoio à equipa
Fonte: FC Porto

Quanto ao jogo propriamente dito, foi disputado, no primeiro tempo, em ritmo de treino. Só mesmo a bola enviada ao poste por Sadio Mane à passagem da maia hora escapou à monotonia de um jogo que estava resolvido e desequilibrado desde o seu começo. O Liverpool foi dono e senhor da bola e o FC Porto limitou-se a esperar o passar do tempo. Apesar de duas oportunidades do senegalês Mane (uma já referida e um remate aos 18 minutos à boca da baliza enviado para cima da trave. Dos azuis e brancos não se viu mais do que algumas bolas jogadas em busca da profundidade de Waris e Aboubakar que, tanto por incompetência dos avançados ou por uma boa leitura de Karius, acabaram por se tornar, invariavelmente, inofensivas.

A segunda parte trouxe mais oportunidades e vida ao jogo, talvez mais por via do desgaste físico das equipas do que por via da aceleração de processos. O Liverpool entrou com intenção de marcar mas a primeira oportunidade esteve nos pés de Waris com pouco mais do que 5 minutos jogados na etapa complementar. As intenções dos ingleses foram sol de pouca dura e cedo o jogo voltou ao seu ritmo lento e monótono. Entre oportunidades ou meias oportunidades o resultado podia ter mexido. Destacar uma flagrante de Óliver a pouco mais de 10 minutos do apito final e de Danny Ings uns minutos depois que proporcionou uma bela intervenção a Casillas. Nos bancos as substituições foram utilzadas para gerir o esforço dos atletas, sendo que Sérgio optou por lançar Sérgio Oliveira, Ricardo Pereira e Gonçalo Paciência e subtrair ao jogo André André, Waris e Aboubakar.

Foi, em traços gerais, um jogo desinteressante de acompanhar e que serviu para controlo de danos e para limpar um pouco a imagem deixada pelo FC Porto no jogo do Dragão. Fora das quatro linhas os adeptos portistas venceram de goleada. Enorme apoio teve o FC Porto esta noite e tem, agora, um título nacional para ganhar e dedicar a este Mar Azul.

A Liga dos Campeões termina aqui para os azuis e brancos e há que realçar um percurso que, embora com alguns jogos menos conseguidos, não deixou de ser meritório e que teve o condão de voltar a provar que uma hipotética conquista europeia de uma qualquer equipa portuguesa apenas poderá suceder por via da Liga Europa.

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