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As rotatividade imposta por Lopetegui é um assunto que está na ordem do dia! Os adeptos mais atentos discutem em torno desta temática e, muitas vezes, se tem interrogado sobre se este será o caminho a seguir, face aos “altos e baixos” que o FC Porto tem enfrentado. Quer no futebol, quer na maioria das outras modalidades desportivas, a rotatividade sempre foi um assunto muito polémico. Com um plantel constituído por mais de duas dezemas de jogadores, o treinador tem muitas vezes dificuldade em pôr em prática a rotatividade. Se é facto que para muitas equipas de futebol não existem alternativas que permitam manter o onze inicial com a mesma força, por outro lado há equipas com jogadores excepcionais.

No FC Porto assistiu-se a essa “viragem da moeda”, substituindo o plantel descompensado da época passada por um conjunto de jogadores com qualidade técnica e táctica que há muito tempo não se via. A maioria dos jogadores não está habituada ao lugar de suplente e, com um leque tão grande de alternativas, não espanta que Lopetegui tenha usado e abusado da rotatividade. Todavia, se a alternância de jogadores é importante para manter o plantel fresco ao longo da temporada, a base de uma equipa é ainda mais fulcral para garantir a sua estabilidade. Neste aspecto, Lopetegui tem tido dificuldades.

Olhemos aos primeiros cinco encontros do campeonato: à 2ª jornada, Lopetegui mudou cinco jogadores comparativamente com o onze utilizado na primeira (com a entrada de Ricardo, Evandro, Adrián, Casemiro e Tello). À 3ª jornada, o onze voltou a sofrer cinco alterações (desta vez com a entrada de Angel, Brahimi, Quaresma, Ólivier e Danilo). Já na jornada seguinte, o número de alterações foi inferior: apenas alterou três jogadores (Ruben Neves, Quintero e Herrera) comparativamente com a terceira jornada. Na última jornada, Lopetegui efetuou quatro alterações (Andrés Fernandez, Marcano, Evandro e Tello). Deste conjunto de jogadores, apenas Maicon, o patrão da defesa, Brahimi, que é cada vez mais a estrela atual do clube e Jackson, capitão e melhor marcador, mantiverem o seu lugar no onze inicial.

Jackson tem assumido a braçadeira e a titularidade  Fonte: fcporto.pt
Jackson tem assumido a braçadeira de capitão e a titularidade absoluta
Fonte: fcporto.pt

Sem dúvida que este Porto versão 2014/2015 tem alternativas para todas as posições; porém a questão que se coloca é se a constante alternância de jogadores permitirá ao clube construir uma base em que estes estejam completamente entrosados! Esta lacuna é cada vez mais notória, dado que os resultados do clube têm oscilado entre os melhores possíveis, como se verificou no jogo contra BATE Borisov para a Liga Milionária, e os menos expectáveis, como contra o Vitória de Guimarães e o Boavista.

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A verdade é que, independentemente do onze inicial, Lopetegui tem apostado no mesmo sistema táctico, existindo, deste modo, uma necessidade adaptativa dos jogadores, uma vez que vão ocupando diferentes posições no campo. Se o jogo pede maior contenção, jogam Casemiro e Ruben Neves (a 8 e 6). Por outro lado, se é necessário uma maior profundidade ofensiva, atua apenas um destes jogadores na posição 6 e entra Herrera no onze Herrera. Ademais, se o Porto quer assumir o jogo, Brahimi joga na posição 10 e são colocados dois extremos abertos (Adrian, Tello, Quaresma). Ao invés, se o jogo pede maior contenção e cautela, Brahimi passa atuar numa das alas como falso extremo. Estes são apenas alguns exemplos da versatilidade de vários atletas do plantel (outros seriam Ólivier ou Quintero).

Sumariando, é inegável que o Porto possui muitas alternativas, mas, ainda que não se possa considerar um onze como definitivo, é necessário a criação de um onze-base e adaptar a rotatividade. Garantir a consistência da equipa é uma urgência, sendo este facto ainda mais preocupante, quando o Porto tem um dos melhores planteis dos últimos anos! Resta-nos esperar que Lopetegui mude a sua opinião e que o onze principal seja em breve apresentado aos adeptos!