Decidi escrever um artigo que relacionasse o FC Porto à prática do desporto-rei, não esquecendo todas as incidências provocadas pela pandemia de Covid-19 em Portugal e no mundo.

Recentemente, tornou-se público que, se o futebol regressasse em Portugal, o que parece que vai acontecer no final de Maio, iriam ser tomadas um conjunto de medidas para proteger os jogadores e todos os envolvidos.

Entre as medidas devidamente estudadas pelos médicos das duas Ligas Profissionais em Portugal, está a proibição da entrada de crianças ao lado dos jogadores no início dos jogos; do cumprimento entre os jogadores; das reuniões presenciais entre o staff dos clubes que se defrontam; da longa duração dos estágios; do ar condicionado… e das rodas entre os jogadores, o que é uma imagem do FC Porto de Sérgio Conceição, como sabemos.

Todas estas medidas parecem-me mais que adequadas, tendo em conta os tempos que vivemos. Mais importante que o futebol é a saúde pública e, como se tem visto, muitas vezes tem sido o futebol a dar o exemplo aos cidadãos.

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Se me permitem, vou agora expressar o meu ponto de vista, mas não sem antes fazer uma questão: O que é o futebol, afinal?

O futebol é um desporto, mas não é um desporto qualquer… Para além de ser uma indústria devidamente reconhecida a nível mundial, é um desporto de CONTACTO!

Gostaria de tentar perceber como é que se vai proibir o contacto físico entre os jogadores fora do jogo (o que, reitero, acho muito bem) e permitir todo o tipo de contacto físico dentro das quatro linhas (o que é inevitável).

Vamos ver isto tudo na perspetiva do FC Porto. Deixaria de existir a roda entre os jogadores e todo o staff técnico portista no final dos jogos, mas dentro do campo iríamos ver aquele contacto inevitável, as gotículas a passarem de uma boca para outra, o suor a evaporar no ar, os festejos de um golo… seria viável?

Pois bem, imaginemos um FC Porto a praticar um futebol sem contacto, já que as rodas também são proibidas:

– A maioria dos livres diretos de Alex Telles poderiam dar golo, visto que os jogadores não podiam formar uma barreira encostados;

– Nos cantos, os jogadores estavam livres na área para cabecear;

– Num festejo de um golo, Marega ia sozinho e os jogadores ficavam parados a celebrar (bem distanciados, atenção);

– O Pepe jamais poderia dar os habituais “beijinhos” aos adversários o que, por si só, destrói o futebol do internacional português!

 

Se me permitem, vou agora expressar o meu ponto de vista, mas não sem antes fazer uma questão Mas o que é o futebol pós-pandemia, afinal?
Se a coerência vigorar, este tipo de festejos não serão mais vistos
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

 

Já que estamos a falar nisto, lembrei-me de que na Alemanha, o Ministério do Trabalho teve uma decisão no mínimo bizarra. Todos os atletas da Liga Alemã teriam de usar máscara no decorrer do jogo, que seria interrompido de 15 em 15 minutos para as trocar. Que bela ideia! Assim, o jogo poderia durar três a quatro horas, mas com grande parte do tempo sem se ver a bola a rolar…. Interessante, não?

Concluo este artigo reforçando a minha opinião de que estou plenamente de acordo com a proibição das rodas entre os jogadores. No entanto, parece-me mais que evidente que é uma medida para tentar passar para o exterior que se está a agir bem, quando dentro do campo há todo um tipo de contactos…  Enfim, é para parecer bonito e correto.

Será que está a haver uma incoerência? Será que é mesmo melhor o futebol regressar?

Não matem o futebol, por favor!

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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O João estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. A sua grande paixão é sem dúvida o jornalismo desportivo, sendo que para ele tudo o que seja um bom jogo de futebol é bem-vindo. Pode-se dizer que esta sua paixão surgiu desde que começou a perceber que o mundo do futebol é muito mais que uma bola a passear na relva. Apesar de estar distante do clube do seu coração, procura ao máximo não perder nenhuma novidade da cidade invicta e do futebol em geral.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.