Quando este nome é ouvido por qualquer portista, certamente que virão duas boas memórias à cabeça – o cruzamento teleguiado para a cabeça de Falcão na final da Liga Europa e o golo no Estádio do Dragão frente ao CS Marítimo nessa mesma época. Esses dois momentos dizem muito da capacidade que o box-to-box possuía, mas o colombiano teve de lutar imenso para agarrar as oportunidades que teve.

No ano de 2008/2009, Fredy Guarín entrava pelas portas do Estádio do Dragão, proveniente do AS Saint-Étienne, clube da primeira divisão francesa. Lá jogara com atletas como Bafétimbi Gomis, Blaise Matuidi e Dimitri Payet. No entanto, a sua carreira começou no CD Atlético Huila da Colômbia. Duas épocas depois, mudara-se para o CD Envigado FC, onde se manteve durante dois anos, até ingressar no CA Boca Juniors, um dos maiores clubes da América Latina. A estadia no clube grande da Argentina foi curta (jogou apenas duas vezes) e foi nesse momento que se mudou para a Europa.

A sua história no FC Porto começou a ser escrita no verão do ano de 2008. A orquestra portista atuava sob a batuta de Jesualdo Ferreira que procurava conquistar o tetracampeonato nesse ano. Na janela de transferências dessa temporada, Paulo Assunção mudou-se para o Club Atlético de Madrid e era essencial que chegasse alguém para acrescentar qualidade ao plantel. Ainda assim, Guarín tinha concorrência de peso – Raúl Meireles, Lucho González e Fernando Reges eram os patrões do centro do terreno.

Posto isto, Guarín teve de dar corda aos sapatos para ganhar a confiança do professor Jesualdo. Na sua primeira temporada ao serviço dos dragões, jogou grande parte dos encontros como suplente utilizado, somando 1162 minutos e três golos. Numa entrevista desta semana através das plataformas digitais do FC Porto, revelou que foi um ano e meio complicado e que chegou a ouvir do treinador palavras como – “És um burro, colombiano”.

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A sua melhor época no FC Porto foi sem dúvida em 2010/2011, não fosse essa uma temporada gloriosa para a história do clube. Guarín era um jogador diferente, mais maduro e que exibia uma qualidade tremenda. Quem o via jogar percebia que já sentia o símbolo que trazia ao peito e foi, de longe, umas das melhores épocas da sua carreira. Nesse ano, venceu a Supertaça de Portugal, a Primeira Liga Portuguesa, Taça de Portugal e Liga Europa. No fim desses três anos e meio, pois só saiu no mercado de inverno de 2011/2012, Guarín decidiu partir para outros voos e rumar ao FC Internazionale Milano, por empréstimo e com uma opção de compra (acionada posteriormente) de 11 milhões de euros. Abandonou o clube com dez títulos na bagagem, um registo impressionante que acaba por ser um reflexo de uma época dourada.

Seguia-se o histórico clube italiano que tentava reerguer-se, quer em Itália, quer na Europa. Contudo, em cinco anos, o clube não conseguiu conquistar qualquer título interno ou externo. À medida que os anos passavam, Guarín começava a perder espaço na equipa e a mudança estava iminente. Em 2016, quis jogar fora do continente europeu e decidiu experimentar o futebol chinês, vestindo a camisola do Shangai Shenhua FC. Lá, foi companheiro de craques como Carlos Tévez, Demba Ba e Obafemi Martins, mas venceu unicamente duas Chinese FA Cup.

Após quatro anos de futebol chinês, chegava a hora de voltar à América do Sul, mais precisamente ao Brasil, onde ainda hoje se mantém. Defende atualmente as cores do CR Vasco da Gama, mas realizou apenas 15 jogos ao serviço do emblema vascaíno, uma vez que na época passada chegou a dois meses do fecho do campeonato e esta temporada foi interrompida.

Pela seleção colombiana, jogou uma fase final do Campeonato do Mundo em 2014, prova essa em que a Colômbia chega aos quartos de final e acaba por ser eliminada pelo Brasil. Jogou também uma fase final da Copa América no ano de 2011, ficando, igualmente, pelos quartos de final da competição.

 

Artigo revisto por Joana Mendes